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MickeySinopse:

Mickey (Mabel Normand) é uma maria-rapaz, orfã, que vive nas montanhas da Califórnia com Joe Meadows (George Nichols), um prospector de ouro, antigo parceiro do pai dela, e a governanta índia Minnie (Minnie Ha Ha). Sem possibilidade de dar a Mickey a educação de que esta precisa, Joe envia-a para viver com uma tia em Nova Iorque (Laura La Varnie). A partir de então Mickey vai estar envolvida num triângulo amoroso com Herbert Thornhill (Wheeler Oakman), o namorado da sua prima (Minta Durfee), ele próprio em busca de se tornar prospector de ouro.

Análise:

Mabel Normand, ficou para a história como a primeira dama da comédia burlesca. Tendo conhecido Mack Sennett em 1909, ainda em Nova Iorque, o par envolveu-se romanticamente, e viajou para a Califórnia em 1912, onde Sennett fundou a Keystone Film Company, e Normand se tornou a sua principal estrela. Após um período inicial em que a actriz não só protagonizou inúmeras curtas-metragens, como ajudou a lançar a carreira de Charles Chaplin e Roscoe “Fatty” Arbuckle, Normand tornou-se ainda uma das primeiras mulheres realizadoras do cinema mundial. Embora a relação amorosa entre Normand e Sennett viesse a terminar na segunda metade da década de 1910, a profissional continuava de pedra e cal, e Sennett estabeleceu mesmo a Mabel Normand Feature Film Company, onde a actriz teria maior autonomia para produzir os seus filmes.

Ironicamente, a recém-criada companhia apenas produziria um filme, “Mickey” de 1918, com realização de F. Richard Jones (um dos mais prolíficos realizadores da era muda, trabalhando com Mack Sennett e Hal Roach) e James Young, uma longa-metragem pensada como veículo para projectar ainda mais a estrela de Mabel Normand.

Com argumento escrito por J. G. Hawks, “Mickey” é uma comédia ligeira, de tons românticos e levemente dramática, em que Normand se afasta um pouco da imagem burlesca do início da sua carreira, aproximando-se mais daquela popularizada por Mary Pickford.

Assim, Normand interpreta uma bondosa, mas incorrigível, maria-rapaz, que cresceu de modo um pouco selvagem na Califórnia, entre prospectores de ouro. Tal é pretexto para a vermos cavalgar como uma amazona, envolver-se em correrias pela cidade, atrair todo o tipo de animais, ou mesmo mergulhar nua num lago da montanha (de notar que a aparente nudez total de Normand é vista de uma longa distância, não a deixando ser mais que um contorno no ecrã).

Tudo muda quando Mickey é enviada para a cidade, onde deve aprender a ser uma dama, sob as ordens da tia (Laura La Varnie), que após compreender que a mina de Mickey não dá ouro, a trata como criada. Na cidade Mickey volta a deixar a sua rebeldia impor-se, comportando-se erraticamente, usando os vestidos da prima (Minta Durfee), surgindo nas festas que não deve e, principalmente, conquistando o coração do noivo da sua prima, Herbert Thornhill (Wheeler Oakman), ele próprio o detentor de uma mina de ouro.

Após um episódio numa corrida de cavalos, em que Mickey se torna jockey e salva Thornhill de uma aposta, e a si do homem que a pretendia, tudo termina num final feliz para o par, que encontra o amor, ouro e felicidade.

Embora mantendo o tom romântico, o filme é repleto de cenas burlescas, com algumas quedas, perseguições, lutas, e uma inevitável cena em que o cão de Mickey não pára enquanto não desfaz as calças de um merceeiro.

Mabel Normand mostra toda a sua expressividade natural e magnetismo, capturando as atenções de público e personagens sempre que surge na tela (e isso é o filme quase todo), e tal ajudou a tornar “Mickey” no maior sucesso de bilheteira de 1918, com números enormes para a época.

Infelizmente, a carreira de Mabel Normand começaria a decair a partir de então, com várias mudanças de produtora, e muitos problemas de saúde, ligados a dependências de drogas e a uma depressão crónica, que resultariam na sua morte com apenas 37 anos, vítima de doença prolongada.

Destaque para as presenças no elenco de Minta Durfee (então esposa de Roscoe “Fatty” Arbuckle) e de Lew Cody (futuro marido de Mabel Normand). O filme gerou uma canção de sucesso do mesmo nome, da autoria Neil Moret and Harry Williams.

Produção:

Título original: Mickey; Produção: Mabel Normand Feature Film Company; País: EUA; Ano: 1918; Duração: 70 minutos; Distribuição: Film Booking Offices of America (EUA), W. H. Productions Company (EUA); Estreia: Agosto de 1918 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: F. Richard Jones, James Young; Produção:Mack Sennett, Mabel Normand; Argumento: J. G. Hawks; Fotografia: Fred Jackman, Hans F. Koenekamp, Hugh McClung, Frank D. Williams [preto e branco]; Montagem: John O’Donnell.

Elenco:

Mabel Normand (Mickey), George Nichols (Joe Meadows), Wheeler Oakman (Herbert Thornhill), Minta Durfee (Elsie Drake), Laura La Varnie (Mrs. Geoffrey Drake), Lew Cody [como Louis Cody] (Reggie Drake), Tom Kennedy (Tom Rawlings), Minnie Devereaux [como Minnie Ha Ha] (Minnie).

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