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Tillie's Punctured RomanceSinopse:

Tillie Banks (Marie Dressler) vive com o pai na sua quinta, quando a chegada de um forasteiro (Charlie Chaplin) vem convencê-la a abandonar a vida do campo pela cidade. Para a convencer a roubar o dinheiro do seu pai, Charlie promete casar com Tillie, mas à primeira oportunidade, Charlie embebeda Tillie, rouba-lhe o dinheiro e foge com a sua antiga namorada (Mabel Normand).

Tillie vai parar à cadeira, sendo libertada quando se sabe que é sobrinha do milionário Douglas Banks. Trabalhando num restaurante, Tillie não sabe que o tio fora escalar uma montanha e caiu por uma ravina sendo dado como morto. Quem lê a notícia é Charlie, que se apressa a abandonar Mabel, e casar com Tillie apressadamente.

Os dois são informados da herança e mudam-se para a mansão, onde se divertem em faustosas festas, e onde Mabel vai trabalhar, disfarçada como empregada. Mas a chegada do tio de Tillie põe a nu as burlas de Charlie e Mabel, e acabam todos perseguidos pela polícia.

Análise:

Mack Sennett, um antigo cantor de operetas burlescas, é um dos nomes mais importantes do início do cinema norte-americano. Estreando-se no ecrã em 1908, e como realizador em 1910, foi em 1912, quando Sennett fundou a Keystone Film Company, que a sua história ganhou relevância. Sob sua direcção construiu-se uma companhia devotada à comédia burlesca e trapalhona, feita de um caos e loucura controlados com precisão pelo seu mentor.

Com Sennett trabalharam praticamente todos os grandes nomes do burlesco dos anos 1910, a maioria descobertos e lançados por ele. São exemplos Mabel Normand, Charlie Chaplin, Hank Mann, Edgar Kennedy, Ford Sterling, Roscoe “Fatty” Arbunkle, Chester Conklin, Mack Swain, Charley Chase, Billy West, Ben Turpin e Billy Bevan. Além destes actores destacam-se as séries Keystone Cops e Bathing Beauties. O sucesso da marca Keystone foi tal que era impossível a outras companhias pensar em comédia sem seguirem as pisadas de Mack Sennett e usar os actores por ele descobertos.

Em pleno auge da fama da Keystone, Mack decidiu produzir e realizar aquela que seria a primeira longa-metragem de comédia de Hollywood. Com cerca de uma hora e vinte, surgia em 1914, a história em seis actos: “Tillie’s Punctured Romance”, que era também um veículo para Sennett exibir todas as suas estrelas num só filme.

A história (baseada na peça de teatro “Tillie’s Nightmare”, de A. Baldwin Sloane e Edgar Smith), era construída em torno do personagem de Marie Dressler, então uma famosa actriz de teatro (protagonista de “Tillie’s Nightmare”), mas cuja carreira no cinema só arrancaria em pleno na era sonora. A secundá-la estavam as duas estrelas maiores da Keystone: Mabel Normand (actriz e realizadora de inúmeras curtas-metragens da Keystone) e Charlie Chaplin (que começara em comédias de Mabel Normand no início do ano, e nesta fase já protagonizava comédias escritas e realizadas por si).

O filme é a história de uma rapariga pobre, levada para a cidade por um oportunista, que repetidamente a vai burlar por dinheiro. Com Chaplin num papel diferente do seu habitual vagabundo (aqui sem o bigode quadrado, nem o fato negro esfarrapado), os seus gestos e trejeitos são muito próximos dos do seu mais conhecido boneco. Muito do humor provém aliás da figura de Chaplin, que graças à sua destreza física, à sua mímica e capacidade de uso do corpo, não está um segundo sem fazer algo de completamente contagiante. Ao seu lado Marie Dressler contrasta pelo volume, é de facto incrível como alguém aparentemente tão pesado se move com tal ligeireza. A sua figura pesada no papel clássico de uma graciosa e indefesa rapariga é só por si um contraste hilariante, que Dressler leva à exaustão ao compor uma personagem que prima pelos modos desajeitados e deselegantes. Ao lado deles, Mabel Normand tem uma actuação fisicamente mais discreta, mas sempre eficiente e elegante.

Como habitual no humor de Mack Sennett, a história, embora bem contada e com um fio condutor bastante coeso (se esquecermos alguns buracos de argumento, não importantes numa comédia), é um pretexto para uma série de quedas espalhafatosas, estaladas e pontapés desconcertantes, e perseguições delirantes. O filme não estaria completo sem um pouco do humor dos Keystone Cops, a força polícial mais ridícula da história do cinema.

Marie Dressler haveria de repetir o papel em mais dois filmes fora da Keystone: “Tillie’s Tomato Surprise” (1915) dirigido por Howell Hansel, e “Tillie Wakes Up” (1917) dirigido por Larry Davenport.

“Tillie’s Punctured Romance” foi, ao longo dos tempos editado, truncado e reeditado inúmeras vezes, pelo que existe em versões de diferente duração e conteúdo. A versão visionada foi aquela restaurada em 2004, pela UCLA Filme and Television Archive, sob direcção de Ross Lipman.

Produção:

Título original: Tillie’s Punctured Romance; Produção: The Keystone Film Company; País: EUA; Ano: 1914; Duração: 82 minutos; Distribuição: Mutual Film; Estreia: 21 de Dezembro de 1914 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Mack Sennett, Charles Bennett [não creditado]; Produção: Mack Sennett; Argumento: Hampton Del Ruth [não creditado], Craig Hutchinson [não creditado], Mack Sennett [não creditado]; Fotografia: Hans F. Koenekamp [não creditado], Frank D. Williams [não creditado].

Elenco:

Marie Dressler (Tillie), Charles Chaplin (O Forasteiro), Mabel Normand (A Outra Mulher), Mack Swain (Pai de Tillie), Charles Bennett (Douglas Banks, o Tio / Dono do Primeiro Restaurante), Chester Conklin (Mr. Whoozis / O Criado Cantor).
Em diversos papéis:
Dan Albert, Phyllis Allen, Billie Bennett, Glen Cavender, Charley Chase, Dixie Chene, Nick Cogley, Alice Davenport, Hampton Del Ruth, Frank Dolan, Minta Durfee, Ted Edwards, Edwin Frazee, Fred Fishback, Billy Gilbert, Gordon Griffith, William Hauber, Alice Howell, Edgar Kennedy, Grover Ligon, Wallace MacDonald, Hank Mann, Harry McCoy, Rube Miller, Charles Murray, Eva Nelson, Edward Nolan, Frank Opperman, Hugh Saxon, Fritz Schade, Al St. John, Slim Summerville, Mack Swain, Josef Swickard, Morgan Wallace, Meiklejohn, Hazel Allen.

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