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Vision - Aus dem Leben der Hildegard von BingenDurante o século XII, na Alemanha, ainda criança Hildegard von Bingen é levada para um convento beneditino. Lá aprende os valores da devoção e compaixão religiosas com a sua tutora, Jutta von Sponheim (Mareile Blendl). A sua dedicação fá-la-á uma visionária apreciada por uns, invejada e temida por outros. Acima de tudo Hildegard (Barbara Sukowa) é uma mãe para as suas irmãs de ordem, a quem ensina fé e bondade, não hesitando em introduzir novas práticas, como o pensamento filosófico, o conhecimento das plantas, e o valor espiritual da música e do teatro.

Análise:

Margarethe von Trotta, uma realizadora saída da escola do chamado Novo Cinema Alemão, que a partir do final dos anos 1960 projectou nomes como os de Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog e Wim Wenders, realizou em 2009 este filme dedicado à vida de uma das mulheres mais fascinantes da Idade Média, a religiosa Hildegard von Bingen.

Conhecida pelo carácter feminista dos seus filmes Margarethe von Trotta procura mais uma vez retratar uma personagem que se distingue pela sua força interior, e capacidade de lutar contra as amarras do seu tempo.

Hildegard von Bingen foi uma freira do rito beneditino na Alemanha do século XII, que, desde tenra idade, dedicou a sua vida ao serviço religioso. Embora tal fosse banal no seu tempo, Hildegard distinguiu-se pelas suas convicções e produção artística. Muitas das suas cartas chegaram até nós, sendo por isso possível traçar um pouco do que foi a sua vida e luta pela afirmação dos seus valores e ideais.

Mulher de fortes convicções, Hildegard queria fundar a sua própria abadia, onde estivesse a salvo do assédio dos monges com quem a sua irmandade dividia o espaço. Condenava o comportamento mundano dos clérigos, a sua hipocrisia e práticas de auto-flagelação. Defendia uma realidade mais humana, baseada na bondade e numa devoção que não excluía a aprendizagem dos tratados que iam desde textos religiosos aos científicos, de sábios cristãos, mas também pagãos. Introduziu por isso o ensino do latim entre as suas irmãs, como da medicina, da música e literatura. Organizava peças de teatro, e ficou sobretudo conhecida pela música que escreveu, e que considerava fundamental no tratamento da alma.

É esta Hildegard von Bingen, sobriamente interpretada por Barbara Sukowa, que Margarethe von Trotta nos dá a conhecer, num filme, com uma fotografia sublime, e rodado em cenários naturais, que é uma recolha rigorosa de uma época distante. Se essa distância temporal e cultural nos pode fazer parecer alguns temas estranhos, no mundo secular de hoje, von Trotta consegue trazer-lhes universalidade. Exemplo é o tema do amor fraternal (de certo modo filial), sentido entre Hildegard e a sua tutora, e mais tarde pela pupila Richardis (Hannah Herzsprung), que Hildegard vê como a filha que nunca teve. E onde há amor há ciúme, neste caso na forma de Jutta (Lena Stolze), aquela que foi criada como sua irmã, e que se ressente do sucesso de Hildegard. De fora não ficam a inveja do mundo masculino, a mesquinhez de alguns e o medo sem sentido de muitos.

Num mundo que acaba por não ser tão diferente do secular, Hildegard é uma força, que é também humana, tem fraqueza, sente a dor, mas não deixa que as suas convicções saiam abaladas, nem de reclamar que acreditava ter visões de Deus, mesmo quando tinha de confrontar o poder masculino. É por isso uma luz, que anunciava já tenuemente o futuro Renascimento, e de quem nos resta ainda hoje os bonitos corais que escreveu.

Produção:

Título original: Aus dem Leben der Hildegard von Bingen [Título inglês: Vision – From the Life of Hildegard von Bingen]; Produção: Clasart Film + TV Produktions GmbH, ARD Degeto Film, Celluloid Dreams, Concorde Filmed Entertainment; Produtor Executivo: Hengameh Panahi; País: Alemanha / França; Ano: 2009; Duração: 106 minutos; Distribuição: Concorde Filmverleih (Alemanha), Zeitgeist Films (EUA); Estreia: 4 de Setembro de 2009 (Telluride Film Festival, EUA), 11 de Setembro de 2009, (Toronto International Film Festival, Canadá), 24 de Setembro de 2009 (Alemanha).

Equipa técnica:

Realização: Margarethe von Trotta; Produção: Markus Zimmer, Manfred Thurau; Co-Produção: Christian Baute; Argumento: Margarethe von Trotta; Director de Produção: Richard Bolz; Fotografia: Axel Block; Música: Christian Heyne, Hildegard von Bingen; Montagem: Corina Dietz; Design de Produção: Heike Bauersfeld; Figurinos: Ursula Welter, Esther Amuser; Caracterização: Jeanette Latzelsberger, Kerstin Stattmann; Direcção Artística: Volker Schäfer.

Elenco:

Barbara Sukowa (Hildegard von Bingen), Heino Ferch (Monge Volmar), Hannah Herzsprung (Richardis von Stade), Lena Stolze (Jutta), Gerald Alexander Held (Abade Kuno), Sunnyi Melles (Mãe de Richardis), Paula Kalenberg (Klara), Devid Striesow (Imperador Frederico Barbaroxa), Annemarie Düringer (Abadessa Tengwich), Mareile Blendl (Jutta von Sponheim), Christoph Luser (Hartwig von Bremen), Salome Kammer (Cantora), Wolfgang Pregler (Bispo de Mainz), Joseph von Westphalen (Bernhard von Clairvaux), Stella Holzapfel (Hildegard aos 8 anos), Nina Siebertz (Jutta aos 8 anos), Julia Littmann (Mãe de Hildegard), Otto Kukler (Pai de Hildegard).

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