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MadhouseSinopse:

No dia em que festeja o anúncio do seu noivado, na sua mansão de Hollywood, Paul Toombes (Vincent Price), o actor de Dr. Death, vê a sua noiva (Julie Crosthwaite) ser assassinada à maneira do seu personagem. Anos depois, recuperado do trauma psicológico, Paul Toombes a pedido do amigo e colega Herbert Flay (Peter Cushing), viaja para Inglaterra para recriar o seu célebre personagem numa série televisiva. Mas logo após a sua chegada as pessoas à volta de Toombes começam a morrer de modo trágico, sempre em repetição dos crimes dos seus filmes, sem que este se lembre do ocorrido. Tal faz todos suspeitar de que Toombes não controla mais o personagem que criou.

Análise:

“A Mansão da Loucura”, levemente baseado no livro “Devilday” de Angus Hall, foi o último filme de terror de Vincent Price para a AIP. Talvez um pouco por isso, o filme é em simultâneo uma homenagem à carreira de Vincent Price, e aos seus melhores filmes de terror. Nesse sentido, o Dr. Death (o personagem dentro filme) é um alter-ego de Price, e pretexto para, através dele, no clima de tributo em que o enredo decorre, vermos vários excertos de filmes clássicos de Price dos anos 1950 e 1960.

Também por isso há um sabor clássico neste filme, um pouco esquecido entre os filmes ingleses mais recentres de Vincent Price. O seu Dr. Death, de capa negra, chapéu de feltro e maquilhagem espessa, é um clássico instantâneo, movendo-se com charme por entre cenários antiquados, mesmo que numa história passada nos anos 70, na era da televisão.

“A Mansão da Loucura” (cujo título é completamente irrelevante para a história) é ainda, para além da citada homenagem, uma sátira à perda de valores do cinema moderno, de ritmo acelerado, dominado pelo mundo mais rápido da televisão e de produtores sem escrúpulos nem sentido artístico (caso de Oliver Quayle, interpretado por Robert Quarry).

A trama segue um pouco aquilo que acontecera nos recentes filmes de Price como Dr. Phibes, e “Matar ou Não Matar…” (Theatre of Blood, 1973). Como neles, assiste-se a uma sucessão de mortes (uma espécie de pré-anúncio do slasher), todas elas diferentes, originais, sádicas e sangrentas.

Fazendo uso de um enredo que joga com a possibilidade de o personagem principal, Paul Toombes (Vincent Price), estar dominado sem o saber pelo personagem Dr. Death a que ele dá vida na tela, o filme acrescenta esse lado de mistério sobre quem de facto está por detrás dos hediondos crimes.

Esta é mais uma interpretação sólida de Price, em que este nos mostra o seu personagem dilacerado entre passado e presente, dor e busca da verdade, de um modo que não pode deixar de nos fazer simpatizar com o seu Paul Toombes. Com ele contracena pela primeira vez Peter Cushing (já tinham surgido juntos em dois filmes, mas Cushing limitara-se a pequenos cameos), embora num papel nitidamente subalterno em relação a Price. Sente-se por isso que a interacção entre os dois monstros sagrados do terror gótico nunca é inteiramente explorada pelo argumento de Ken Levison e Greg Morrison.

Com Price e Cushing estão ainda em excelente nível Adrienne Corri e Robert Quarry. Este contracenara já com Price em “O Génio do Crime” (Dr. Phibes Rises Again, 1972), e terá reescrito alguns dos diálogos devido à sua péssima qualidade. Diz-se que a AIP via com bons olhos a possibilidade de Quarry herdar o lugar de Price na sua série de terror.

Com realização de Jim Clark, o filme foi uma co-produção entre a AIP e a britânica Amicus, conhecida pelas suas antologias góticas, e geralmente descrita como a rival da Hammer no terror britânico. A completar a ligação, está ainda a presença de Linda Hayden, que fora já uma estrela em “Taste the Blood of Dracula” (1970) da Hammer.

Acrescente-se que, nos já citados excertos de filmes antigos da AIP, podemos ver interpretações de Boris Karloff e Basil Rathbone, ambos creditados neste filme, embora já tivessem morrido há alguns anos.

O fracasso comercial de “A Mansão da Loucura” contribuiu para que Samuel Z. Arkoff (agora sozinho à frente da AIP, após a saída de James H. Nicholson em 1972) decidisse pelo fim da produção de filmes terror de baixo custo, agora que uma nova geração de filmes iniciada com “O Exorcista” (The Exorcist, 1972) de William Friedkin dominava as tendências do mercado.

Produção:

Título original: Madhouse; Produção: American International Pictures (AIP) / Amicus Productions; Produtor Executivo: Samuel Z. Arkoff; País: Reino Unido; Ano: 1974; Duração: 91 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP) (EUA); Estreia: Março de 1974 (EUA), Novembro de 1974 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Jim Clark; Produção: Max J. Rosenberg, Milton Subotsky; Argumento: Greg Morrison, Ken Levison [baseado no livro “Devilday” de Angus Hall]; Produtor Associado: John Dark; Música e Direcção de Orquestra: Douglas Gamley; Fotografia: Ray Parslow [filmado em Eastmancolor]; Direcção Artística: Tony Curtis; Montagem: Clive Smith; Director de Produção: Pat Green; Cenários: Keith Wilson; Efeitos Especiais: Norman Kerss, Roy Spencer; Caracterização: George Blackler; Figurinos: Dulcie Midwinter.

Elenco:

Vincent Price (Paul Toombes), Peter Cushing (Herbert Flay), Robert Quarry (Oliver Quayle), Adrienne Corri (Faye Carstairs Flay), Natasha Pyne (Julia Wilson), Michael Parkinson (Entrevistador), Linda Hayden (Elizabeth Peters), Barry Dennen (Gerry Blount), Ellis Dayle (Alfred Peters), Catherine Willmer (Louise Peters), John Garrie (Inspector Harper), Ian Thompson (Bradshaw), Jenny Lee Wright (Carol Clayton), Julie Crosthwaite (Ellen Mason), Peter Halliday (Psiquiatra).