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Theatre of BloodSinopse:

Após se ter sentido injustiçado pela crítica que sempre lhe negou prémios e notas favoráveis, o que o levou até a tentar o suicídio, o actor de teatro Edward Lionheart (Vincent Price) regressa para uma terrível vingança. Sem que se saiba que está vivo, Edward Lionheart vai atraindo, um após outro, todos os críticos que antes lhe negaram os prémios que julgava merecer, para os sujeitar a mortes horríveis, cada uma delas baseada num evento de uma diferente peça de Shakespeare.

Análise:

Com “Matar ou Não Matar…”, Vincent Price protagonizou um raro filme de terror para uma outra produtora que não a AIP. No caso tratou-se da United Artists (UA), para a qual já filmara, por exemplo “Tower of London” (1962), “Twice-Told Tales” e “Diary of a Madman” (ambos de 1963). Interessada em capitalizar a imagem de Price, a UA, tentou a repetição das condições dos seus filmes anteriores, numa produção inglesa, realizada por Douglas Hickox, um inglês que, para além deste filme, tem uma obra pouco conhecida.

O filme (inteiramente rodado em cenários naturais) foi encomendado à produtora inglesa Harbor Productions, e teve como objectivo capitalizar a imagem de Vincent Price, e alguns clichès do terror macabro e humor negro que lhe haviam dado fama em filmes recentes. Assim, não é de espantar que o argumento de Anthony Greville-Bell tenha muitas semelhanças na sua estrutura com o do recente “O Abominável Dr. Phibes” (The Abominable Dr. Phibes, 1971) de Robert Fuest.

Tal como o terrível Dr. Phibes, também o personagem principal de “Matar ou Não Matar…”, o actor Edward Lionheart (Vincent Price), mata por vingança, seguindo um tema único e longamente planeado. Onde antes tiveramos as pragas bíblicas do Egipto, aqui temos as mortes descritas nas peças de William Shakespeare. Permanece a mesma determinação e demência vingativa do protagonista (ajudado por uma misteriosa mulher), bem como a inépcia policial, cujos elementos estão presentes apenas como escape cómico.

O argumento deu oportunidade a Vincent Price de fazer algo do qual estava há muito arredado: interpretar Shakespeare. Por esse facto Price terá tido um especial carinho por este filme, entregando-lhe a sua paixão e carisma, que são afinal a alma do filme.

De morte em morte, o filme é um suceder de cenas macabras, nas quais Edward Lionheart reescreve Shakespeare de modo que cada cena por ele recriada seja a morte sangrenta de um daqueles críticos de que se procura vingar. Nesse propósito é ajudado por uma insólita troupe de mendigos, sujos e bêbedos, que mais parece retirada de um pesadelo. Conjuntamente com eles, a atmosfera feérica de um teatro abandonado e decadente ajudam a criar o ambiente propício para Lionheart (e através dele, Price) se deleitar numa indulgência de exagero pessoal no recitar do divino bardo.

Sem perder um certo ar humorístico, o filme joga ainda com estereótipos ingleses, como o ar pedante dos críticos (que quando pressionados logo mostram a sua cobardia). Deles sai no entanto o herói (Ian Hendry), que sobrevive a Lionheart, resistindo-lhe corajosamente e mantendo a sua coerência. Para além dele destaca-se ainda Diana Rigg, no papel de Edwina, a filha do actor louco, que se revela no final como sua cúmplice (à imagem de Vulnavia de Dr. Phibes).

“Theatre of Blood” viria a ser adaptado ao teatro, tendo estado em cena em Londres em 2005, com Jim Broadbent no papel de Edward Lionheart.

Produção:

Título original: Theatre of Blood; Produção: Harbor Productions, Inc. / Cineman Films Limited; Produtores Executivos: Gustave M. Berne, Sam Jaffe; País: Reino Unido; Ano: 1973; Duração: 100 minutos; Distribuição: United Artists (EUA), United Artists Corporation (Reino Unido); Estreia: Março de 1973 (Canadá), Abril de 1973 (EUA), Maio de 1973 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Douglas Hickox; Produção: John Kohn, Stanley Mann; Argumento: Anthony Greville-Bell [a partir de uma ideia de Stanley Mann e John Kohn]; Música e Direcção de Orquestra: Michael J. Lewis; Fotografia: Wolfgang Suschitzky [filmado em DeLuxe]; Montagem: Malcolm Cooke; Design de Produção: Michael Seymour; Figurinos: Michael Baldwin; Director de Produção: David C. Anderson; Cenários: Ann Mollo; Caracterização: George Blackler; Efeitos Especiais: John Stears; Coreografia: Tutte Lemkow.

Elenco:

Vincent Price (Edward Kendal Sheridan Lionheart), Diana Rigg (Edwina Lionheart), Ian Hendry (Peregrine Devlin), Harry Andrews (Trevor Dickman), Coral Browne (Miss Chloe Moon), Robert Coote (Oliver Larding), Jack Hawkins (Solomon Psaltery), Michael Hordern (George William Maxwell), Arthur Lowe (Horace Sprout), Robert Morley (Meredith Merridew), Dennis Price (Hector Snipe), Milo O’Shea (Inspector Boot), Eric Sykes (Sergento Dogge), Madeline Smith (Rosemary), Diana Dors (Maisie Psaltery), Joan Hickson (Mrs. Sprout), Renée Asherson (Mrs. Maxwell), Bunny Reed (Polícia), Peter Thornton (Polícia), Charles Sinnickson (Padre), Brigid Erin Bates (Empregada Agnes), Tutte Lemkow (Bêbedo vagabundo), Stanley Bates (Bêbedo vagabundo), Eric Francis (Bêbedo vagabundo), Sally Gilmore (Bêbedo vagabundo), John Gilpin (Bêbedo vagabundo), Joyce Graeme (Bêbedo vagabundo), Jack Maguire (Bêbedo vagabundo), Declan Mulholland (Bêbedo vagabundo).

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