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The Abominable Dr. PhibesSinopse:

Uma série de estranhas mortes começa a ocorrer em Londres, atraindo a atenção da Scotland Yard, na pessoa do detective-inspector Trout (Peter Jeffrey). Este investiga o que mortes de médicos por ataques de morcegos, abelhas, etc. podem ter em comum. O resultado é que o criminoso estará a recriar as pragas bíblicas do Egipto. Com a ajuda de Dr. Vesalius (Joseph Cotten), o médico que é o ponto comum de todas vítimas, Trout conclui que o criminoso deverá ser o misterioso Dr. Phibes (Vincent Price), que se julgara ter morrido num terrível acidente de viação. Com a ajuda da cúmplice Vulnavia (Virginia North), o Dr. Phibes vai, morte após morte, executando o seu plano macabro de vingança, ao som da música do seu órgão.

Análise:

“O Abominável Dr. Phibes” foi a quinta produção inglesa de Louis M. Heyward para a AIP, protagonizada por Vincent Price. Continuando a usar a sua sucursal inglesa a explorar o filão dos filmes de terror gótico de baixo custo, a produtora norte-americana de Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson encontrava no filme de 1971 um novo clássico, talvez inesperado.

Com a realização entregue desta vez a Robert Fuest, um realizador inglês com vasta experiência de televisão, o filme teve argumento original de James Whiton e William Goldstein. E de facto é o argumento que dá carisma ao filme de Fuest, pois em vez de se basear naquilo que a AIP e Vincent Price vinham a fazer (histórias góticas inspiradas por Poe ou feitiçaria), os autores escreveram a história de uma vingança executada por um génio louco, com requintes de sadismo só equiparáveis à sua originalidade quase poética.

Vincent Price é, claro, o génio louco, Dr. Phibes, outrora um médico e organista famoso, agora terrivelmente desfigurado, fruto de um acidente em que se pensa que pereceu. Se o seu verdadeiro rosto só nos é mostrado no fim, o modo como Price (com uma forte maquilhagem para simular o rosto falso que o seu personagem ostenta) domina os planos com o seu olhar, está absolutamente ao melhor da sua carreira, sendo o seu personagem aquilo que de mais inesquecível o filme nos oferece. De notar que Phibes não pode falar, chegando-nos a sua voz (Price em off) apenas pelos seus pensamentos, ou com o auxílio de máquinas.

Dr. Phibes é, assim, um génio do mal que se deleita em matar as suas vítimas crua e metodicamente, com métodos inspirados pelas bíblicas dez pragas do Egipto. Fá-lo sob inspiração da sua própria música de órgão, que executa num delírio assombroso, numa mansão art deco, cuja frieza é tão impressionante e macabra quanto a orquestra de bonecos que a animam, ou a impávida e muda cúmplice (Virginia North) que o segue.

Mas se acompanhamos o plano de Phibes, que sabemos de antemão irá resultar, crime após crime, vemos em paralelo o esforço vão da polícia, sempre atrasada no local do crime. Tal esforço é interpretado principalmente pelo detective Trout (Peter Jeffrey), cuja presença e interacção com os restantes membros da Scotland Yard é em geral cómico. Tal humor negro, paradoxal numa história tão macabra, acaba por ajudar a definir a identidade do filme, tendo contribuído para o seu estatuto de culto.

Como oponente, Phibes vai ter a última das suas planeadas vítimas, Dr. Vesalius, interpretado por um Joseph Cotten na última década da sua carreira, e que, segundo consta, não se terá sentido à vontade no papel e filme. Esta foi a forma de a AIP trazer mais sangue americano para a produção, não crendo que o filme pudesse penetrar no mercado americano. Cotten terá sido a segunda escolha, depois da recusa de Peter Cushing, então a braços com a doença da esposa.

Com um misto de macabro, humor negro, e toda uma atmosfera desconfortável que desafia e surpreende o espectador, “O Abominável Dr. Phibes” tornou-se não só um filme de culto, como uma das mais icónicas personagens de Vincent Price e do terror em geral. No ano seguinte seria filmada a sequela “Dr. Phibes Rises Again”, também realizado por Robert Fuest.

Como curiosidade acrescente-se que a imagem da esposa de Phibes é a modelo Caroline Munro, aqui nem sequer creditada, mas que ficaria ligada à fase final da Hammer Horror, protagonizando os filmes “Dracula A.D. 1972” (1972) de Alan Gibson, e “Captain Kronos, Vampire Hunter” (1974) de Brian Clemens.

Produção:

Título original: The Abominable Dr. Phibes; Produção: American International Pictures (AIP); Produtores Executivos: James H. Nicholson, Samuel Z. Arkoff; País: Reino Unido / EUA; Ano: 1971; Duração: 94 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP) (EUA), Anglo-EMI Film Distributors (Reino Unido); Estreia: 11 de Maio de 1971 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Robert Fuest; Produção: Louis M. Heyward, Ronald Dunas; Argumento: James Whiton, William Goldstein; Música: Basil Kirchin, Jack Nathan; Director de Produção: Richard F. Dalton; Fotografia: Norman Warwick; Caracterização: Trevor Crole-Rees; Cenários: Brian Eatwell; Figurinos: Elsa Fennell; Efeitos Especiais: George Blackwell; Montagem: Tristam Cones.

Elenco:

Vincent Price (Dr. Anton Phibes), Joseph Cotten (Dr. Vesalius), Hugh Griffith (Rabino), Terry-Thomas (Dr. Longstreet), Virginia North (Vulnavia), Peter Jeffrey (Inspector Trout), Derek Godfrey (Crow), Norman Jones (Sargento Tom Schenley), John Cater (Superintendente Waverley), Aubrey Woods (Goldsmith), John Laurie (Darrow), Maurice Kaufmann (Dr. Whitcombe), Barbara Keogh (Mrs. Frawley), Sean Bury (Lem Vesalius), Charles Farrell (Motorista), Susan Travers (Enfermeira Allen), David Hutcheson (Dr. Hedgepath), Edward Burnham (Dr. Dunwoody), Alex Scott (Dr. Hargreaves), Peter Gilmore (Dr. Kitaj), Caroline Munro (Victoria Regina Phibes) [não creditada].