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Champagne“Champagne” seria o filme mais odiado por Alfred Hitchcock, de quantos o autor realizou. Produzido mais uma vez pela British International Pictures, o filme é um drama ligeiro sobre os caprichos de uma herdeira rica, sem nada que faça lembrar os habituais temas hitchcockianos. Adaptado de um livro de Walter C. Mycroft, “Champagne” teve as interpretações de Betty Balfour, Jean Bradin, Ferdinand von Alten, e Gordon Harker.

Sinopse:

A história mostra-nos uma rapariga milionária (Betty Balfour), descrita como caprichosa, capaz de fugir num avião privado, que abandona no mar, só para se reunir ao seu amado (Jean Bradin) num navio. Ao chegar a casa a rapariga recebe do pai (Gordon Harker) a notícia de que a fortuna da família foi perdida. A rapariga resigna-se assim a trabalhar num cabaré, sempre sob o olhar atento de amigo que nunca a abandona (Ferdinand von Alten). Só que as intenções do amigo podem não ser tão simples como se espera.

Análise:

É sobejamente conhecido o ódio que Hitchcock nutria por “Champagne”, um filme que realizou porque teve que ser, e no qual não encontrava nenhum ponto de interesse.

Filmado a partir de um argumento do crítico, escritor e durante anos director dos Elstree Studios, Walter C. Mycroft, o filme não abordaria nenhum dos temas habituais do realizador inglês, tornando-se decepcionante aos olhos de quem o viu em 1929. O próprio tom do filme está um pouco perdido entre o drama e a comédia, não chegando a ser nenhuma das duas coisas. E Hitchcock terá tido problemas em impor as suas ideias quanto ao rumo a seguir.

A história trata simplesmente de uma jovem herdeira (Betty Balfour), que após ser conhecida pelos seus caprichos e esbanjamento de dinheiro, recebe uma lição do pai (Gordon Harker). Este, para o conseguir, monta um elaborado esquema, no qual convence a filha de que a fortuna foi perdida. A isto alia-se um namorado (Jean Bradin) de quem o pai da herdeira suspeita apenas querê-la pela sua fortuna, e um homem misterioso (Ferdinand von Alten), que surge em todos os lugares em que a rapariga está, sem se saber a sua intenção.

Embora o enredo tenha vários pontos de interesse, eles acabam sempre mal explorados. Por um lado o suspense em torno do homem misterioso não é bem conseguido. Por outro o papel do logro da perda da fortuna no desmascarar do namorado também não tem qualquer consequência. Mesmo a lição em si parece ridícula e inconsequente no momento em que tudo é revelado.

Embora a técnica de filmar de Hitchcock continuasse a granjear-lhe elogios, e ele tornasse a explorar diferentes efeitos e funções da imagem na sua forma de elaborar a narrativa (veja-se o olhar através do copo de champanhe com que o filme se inicia e termina), pouco em “Champagne” fica como notável na carreira do mestre inglês.

Produção:

Título original: Champagne; Produção: British International Pictures (BIP); País: Reino Unido; Ano: 1928; Duração: 84 minutos; Distribuição: Wardour Films; Estreia: 20 de Agosto de 1928 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Alfred Hitchcock; Produção: John Maxwell; Argumento: Eliot Stannard, Alfred Hitchcock [adaptado do livro de Walter C. Mycroft]; Fotografia: Jack E. Cox [preto e branco]; Direcção Artística: C. Wilfred Arnold; Assistente de Realização: Frank Mills.

Elenco:

Betty Balfour (A Rapariga), Jean Bradin (O Rapaz), Ferdinand von Alten [como Theo Von Alten] (O Homem), Gordon Harker (O Pai).

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