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Scream and Scream AgainSinopse:

Em três linhas de acção distintas vemos, na primeira, um homem que faz jogging pela cidade, colapsando com problemas cardíacos, para acordar numa cama de hospital, onde de cada vez que acorda se apercebe que lhe falta um membro. Na segunda assistimos à chegada de um oficial de um estado totalitário (Marshall Jones), que sucessivamente vai eliminando os seus superiores que suspeitam que um plano secreto está fora do seu controlo. Na terceira acompanhamos a investigação criminal do detective policial (Alfred Marks) em torno de um estranho assassino em série (Michael Gothard), que deixa as suas vítimas sem sangue.

As três histórias vão culminar no laboratório de Dr. Browning (Vincent Price), que é especialista em transplantes, trabalha para o estado totalitário, e em cuja propriedade se esconde o assassino.

Análise:

A American International Productions, como se registava então na Inglatera a produtora independente norte-americana AIP, sob a direcção de Louis M. Heyward, prosseguia a sua série de filmes ingleses com Vincent Price em 1970, com “Scream and Scream Again”. Tal como o anterior “The Oblong Box”, o filme foi realizado por Gordon Hessler (o segundo de três seus filmes com Price e para a AIP), e teve como argumentista Christopher Wicking, o mesmo que Hessler trouxera para alterar o argumento de “The Oblong Box”, escrito para o projecto inicial de Michael Reeves.

Desta vez, aquilo que destaca o filme desde os seus fotogramas inicias, é o cenário contemporâneo da Inglaterra de 1969-70. É de facto o primeiro filme nos géneros fantástico/terror/ficção científica de Vincent Price num cenário contemporâneo, abandonando assim o exotismo gótico de filme de época a que o actor estava associado. Tal espelhava um pouco o que a Hammer fazia, com os filmes “Dracula AD 1972” (1972) e “The Satanic Rites of Dracula” (1974) ambos de Alan Gibson, numa altura em que o horror gótico parecia enterrado.

“Scream and Scream Again” é um filme que retrata a Inglaterra do seu tempo, com banda sonora de uma banda pop inglesa, discotecas com música alta, sugestões de drogas e psicadelismo, longas perseguições de automóveis, e um pano de fundo mencionando intrigas políticas de estados totalitários ao jeito dos países do outro lado da Cortina de Ferro. Nesse sentido, o filme insere-se principalmente numa lógica de espionagem e conspiração internacional, típicos da Guerra Fria, com as componentes de mistério e terror a ficarem bastante ausentes.

Na verdade, “Scream and Scream Again” baseia-se num livro de ficção científica, em que o mal é perpretado por seres alienígenas, no filme não mencionados. Em contrapartida a conspiração política ganha preponderância no filme, que assim, em parte, parece mais influenciado por séries de televisão como “Mission Impossible”, que pelo horror gótico de que descendia.

Mesmo com esse redefinir de objectivos, a AIP usou os nomes das maiores estrelas do horror gótico: Vincent Price, Christopher Lee e Peter Cushing (pela primeira vez juntos num filme), como cabeças de cartaz. Tal não deixa de ser enganador, pois nem só nenhum deles tem muito tempo de ecrã, como Cushing não contracena com nenhum dos outros dois, os quais partilham apenas uma breve cena.

Esse modo desconjuntado de dividir os actores, deixa adivinhar um filme filmado aos pedaços, o que se evidencia pela própria estrutura narrativa, ela própria um puzzle de sequências desconexas. De modo algo confuso, o filme dá-nos a a seguir três linhas distintas de acção: uma sobre uma pessoa que tem um colapso cardíaco, para acordar num hospital onde sucessivamente se vai vendo sem os seus membros; uma segunda sobre golpes palacianos num estado totalitário em torno de um segredo; e uma terceira sobre a perseguição policial a um assassino em série, que ocupa a maior parte do filme, e inclui uma muito dinâmica perseguição automóvel.

Com tal diversidade de incidentes, mesmo que a historia culmine com o cruzar das várias linhas, fica ainda assim um sabor de final forçado. Tal acontece no laboratório onde Vincent Price pode fazer de cientista louco à maneira de Frankenstein. Aí, dá-se a chegada por coincidência de todos os personagens, para serem, um após outro eliminados numa tina de ácido.

Fica o discurso moral sobre os perigos da manipulação humana (curiosamente sem referências à genética), e um final de frases pomposas e inadequadas. Mas até esse parece forçado, e sem chama, num filme onde apenas Vincent Price parece procurar elevar-se acima da frieza do argumento.

“Scream and Scream Again” foi apelidado pela crítica de então de filme sádico e violento, o que soa a injusto, uma vez que toda a violência física se passa fora de campo, e raramente se vê uma gota de sangue. Tal como aconteceu com outros filmes de terror deste período, o filme foi ganhando um estatuto de culto com os anos, muito pelas presenças das três estrelas citadas.

Produção:

Título original: Scream and Scream Again; Produção: American International Productions; Produtor Executivo: Louis M. Heyward; País: Reino Unido; Ano: 1970; Duração: 94 minutos; Distribuição: Anglo-Amalgamated Film Distributors (Reino Unido), American International Pictures (AIP) (EUA); Estreia: Janeiro de 1970 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Gordon Hessler; Produção: Max Rosenberg, Milton Subotsky; Argumento: Christopher Wicking [partir do livro de Peter Saxon “The Disoriented Man”]; Música: David Whittaker; Direcção Musical: Shel Talmy; Fotografia: John Coquillon [filmado em Eastmancolor]; Design de Produção: Bill Constable; Montagem: Peter Elliot; Director de Produção: Teresa Bolland; Direcção Artística: Don Mingaye; Caracterização: Jimmy Evans; Figurinos: Evelyn Gibbs; Cenários: Scott Slimon.

Elenco:

Vincent Price (Dr. Browning), Christopher Lee (Fremont), Peter Cushing (Major Heinrich Benedek), Alfred Marks (Detective Superintendente Bellaver), Christopher Matthews (Dr. David Sorel), Judy Huxtable (Sylvia), Michael Gothard (Keith, o Assassino), Anthony Newlands (Ludwig), Peter Sallis (Schweitz), David Lodge (Detective Inspector Phil Strickland), Uta Levka (Jane), Judy Bloom (Helen Bradford), Clifford Earl (Sargento Detective Jimmy Joyce), Kenneth Benda (Prof. Kingsmill), Marshall Jones (Konratz), Amen Corner (Banda Amen Corner), Yutte Stensgaard (Erika), Julian Holloway (Detective Griffin), Nigel Lambert (Ken Sparten).

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