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Witchfinder GeneralSinopse:

Na Inglaterra do século XVII vive-se a guerra civil, no confronto entre os parlamentaristas de Cromwell, e os realistas, apoiantes de Charles I. É um tempo de medo e de fervor religioso, aproveitado por pessoas como Matthew Hopkins (Vincent Price), que ganha fama e poder como caçador de bruxas. Quando Hopkins e o seu ajudante John Stearne (Robert Russell) chegam a Brandeston, Suffolk, devem interrogar o padre local (Rupert Davies), que sabe que não escapará às torturas sádicas e fatais dos caçadores de bruxas. A sua única esperança é a sua sobrinha Sara (Hilary Dwyer), noiva de um soldado de Cromwell, o voluntarioso Richard Marshall (Ian Ogilvy).

Análise:

Em 1967, dois anos após o final da série de filmes de Roger Corman para a AIP, baseados em histórias de Edgar Allan Poe, Vincent Price, ainda com contrato com a produtora independente americana, foi cedido por esta à Tigon British Film Productions, uma jovem produtora inglesa, que se destacaria em nichos de mercado como o terror e sexploitation.

Com realização do muito jovem Michael Reeves, acabado de realizar o filme de terror “The Sorcerers” (1967) com Boris Karloff, “Witchfinder General” baseia-se no livro homónimo de Ronald Bassett, retratando a figura de Matthew Hopkins, um caçador de bruxas do século XVII, que durante a guerra-civil que opôs Cromwell e Charles I terá executado mais de 300 pessoas.

Vincent Price interpreta Matthew Hopkins, num papel diferente daqueles a que habituara os seus fãs. Aqui ele é desprovido de conflitos de alma e destino, sendo simplesmente um impiedoso e sádico torturador. Rapidamente, aos nossos olhos o Hopkins de Price é desagradável e desprezível, numa interpretação sem ponta de humor ou compaixão, que mostra Hopkins tratando o seu mester com cinismo, apenas interessado na sua fama, no medo que inflige, no dinheiro que ganha, e nas mulheres que, por temor, consegue levar para a cama. Com ele está o ainda mais sádico torturador John Stearne (Robert Russell), que repetidas vezes se indigna perante a rapidez pedida pelo seu mestre, pois para ele o prazer da tortura deve saborear-se lentamente.

Com estes predicados, Reeves não fez questão de esconder as torturas (que incluem o espancar, espetar, enforcar, afogar e imolar das vítimas). Ao invés mostra-as explicitamente, bem como o sangue, corpos e rostos mutilados, e os gritos de pânico dos torturados, que causam uma inquietação bem real no espectador. Por esse motivo o filme foi considerado demasiado sádico, e muito cortado pela censura. Hoje pode-se já ver a versão pretendida pelo realizador, que comprova que é já um percursor dos anos 70, lembrando um pouco o que a Hammer começava a fazer no mesmo período.

De nítido sabor britânico, estava longe a atmosfera aristocrática da série Corman-Poe. Em “Witchfinder General” (integralmente filmado em cenários naturais), a cor barroca é trocada pela frieza da paisagem inglesa, e o tom solene e teatral por uma maior crueza de gestos e modos. Mais que um terror atmosférico, “Witchfinder General” assenta em cenas explícitas (o filme descreve com bastante realismo algumas práticas de tortura usadas pelos caçadores de bruxas da época retratada), e uma certa aura de aventura, trazida pelo galante Richard Marshall (Ian Ogilvy).

Michael Reeves morreria menos de um ano depois, apenas com 25 anos, com uma overdose de drogas. Ao que consta a sua relação com Price foi péssima, o que não obstou a que Price considerasse a sua interpretação uma das suas melhores no campo do terror.

Apesar dos inúmeros cortes, o filme foi mal recebido pela crítica em Inglaterra, que o considerou de um sadismo exagerado e de mau gosto. Ns Estados Unidos a AIP mudou o nome do filme para “The Conqueror Worm”, segundo o poema de Edgar Allan Poe, que na versão americana é declamado por Price em off no final, numa tentativa de ligar este filme à famosa série de filmes de Roger Corman. Sem cortes, o filme foi um sucesso de culto no circuito habitual da AIP.

O agrado de James H. Nicholson, Samuel Z. Arkoff (os patrões da AIP) foi tal, que de imediato planearam uma série de filmes localizados na Inglaterra, de preferência com Vincent Price como protagonista.

Produção:

Título original: Witchfinder General [The Conqueror Worm, nos EUA]; Produção: Tigon British Film Productions / American International Productions; Produtores Executivos: Tony Tenser, Samuel Z. Arkoff [não creditado]; País: Reino Unido; Ano: 1968; Duração: 82 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP) (EUA); Estreia: Maio de 1968 (Reino Unido), 14 de Agosto de 1968 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Michael Reeves; Produção: Louis M. Heyward, Philip Waddilove, Arnold L. Miller; Argumento: Tom Baker, Michael Reeves [a partir do livro homónimo de Ronald Bassett]; Cenas Adicionais: Louis M. Heyward; Fotografia: John Coquillon; Música e Direcção de Orquestra: Paul Ferris; Direcção Artística: Jim Morahan; Montagem: Howard Lanning; Caracterização: Dorrie Hamilton; Figurinos: Jill Thompson; Director de Produção: Ricky Coward; Cenários: Jimmy James; Efeitos Especiais: Roger Dicken.

Elenco:

Vincent Price (Matthew Hopkins), Ian Ogilvy (Richard Marshall), Rupert Davies (John Lowes), Robert Russell (John Stearne), Nicky Henson (Swallow), Hilary Heath [como Hilary Dwyer] (Sara), Tony Selby (Salgador), Bernard Kay (Pescador), Godfrey James (Webb), Michael Beint (Capitão Gordon), John Trenaman (Harcourt), Bill Maxwell (Gifford), Paul Ferris [como Morris Jar] (Paul), Maggie Kimberly (Elizabeth), Peter Haigh (Magistrado de Lavenham), Hira Talfrey (Mulher Enforcada), Anne Tirard (Velha), Peter Thomas (Ferrador de Cavalos), Edward Palmer (Pastor), David Webb (Carcereiro), Lee Peters (Sargento), David Lyell (Soldado a Pé), Alf Joint (Sentinela), Martin Terry (Estalajadeiro de Hoxne), Jack Lynn (Estalajadeiro de Brandeston), Beaufoy Milton (Padre), Dennis Thorne (Aldeão), Michael Segal (Aldeão), Toby Lennon (Velho), Margaret Nolan (Mulher na Estalagem), Sally Douglas (Mulher na Estalagem), Donna Reading (Mulher na Estalagem), Patrick Wymark (Cromwell), Wilfrid Brambell (Mestre Loach (as Wilfred Brambell), Gillian Aldam (Rapariga na Prisão), Philip Waddilove (Soldado), Derek Ware (Rapaz na Estalagem de Hoxne), John Kidd (Magistrado), Susi Field (Mulher na Estalagem).

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