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The Last Man on EarthSinopse:

O Dr. Robert Morgan é o último sobrevivente da espécie humana depois de uma estranha bactéria ter infectado toda a população terrestre. A início apenas parecia outra epidemia, mas cedo se percebeu que os mortos voltavam, sedentos de sangue humano, e apenas caminhando à noite, como se fossem vampiros. Em flashback o Dr. Morgan revê o modo como lutou contra à praga, e perdeu a sua família. Hoje resta-lhe sobreviver, escondendo-se durante a noite dos estranhos vampiros que enxameiam as ruas, e matando-os e queimando-os durante o dia. Isto até perceber que não está só, e tal como ele teme aqueles a quem chama monstros, também há quem o tema como monstro.

Análise:

“O Último Homem na Terra” foi uma produção italiana que a AIP encomendou à Produzioni La Regina, de Roma, onde, por razões económicas, a maior parte do filme seria rodado. Com realização a quatro mãos, do italiano Ubaldo Ragona e do americano Sidney Salkow, o filme conta com Vincent Price à frente de um elenco de actores italianos com vozes dobradas em inglês para a versão americana.

Salkow, que já dirigira Vincent Price em “Twice-Told Tales” (1963) é o principal realizador, tendo sido contratado por Robert L. Lippert, o qual comprara a Anthony Hinds da Hammer, os direitos para adaptar ao cinema o livro “I Am Legend” de Richard Matheson, ele próprio um regular colaborador da AIP, argumentista em “House of Usher” (1960), “Pit and the Pendulum” (1961), “Tales of Terror” (1962), “The Raven” (1963) e “The Comedy of Terrors” (1964). No caso do presente filme, Matheson, não terá ficado satisfeito com o resultado (com fortes alterações em relação ao seu livro), preferindo dissociar-se, apresentando-se sob o pseudónimo Logan Swanson.

Salkow, que já dirigira Vincent Price em “Twice-Told Tales” (1963) é o principal realizador, tendo sido contratado por Robert L. Lippert, o qual comprara a Anthony Hinds da Hammer, os direitos para adaptar ao cinema o livro “I Am Legend” de Richard Matheson, ele próprio um regular colaborador da AIP, argumentista em “House of Usher” (1960), “Pit and the Pendulum” (1961), “Tales of Terror” (1962), “The Raven” (1963) e “The Comedy of Terrors” (1964). No caso do presente filme, Matheson, não terá ficado satisfeito com o argumento (com fortes alterações em relação ao seu livro), preferindo dissociar-se do resultado final, sendo creditado sob o pseudónimo Logan Swanson.

Filmado a preto e branco, num cenário contemporâneo e numa atmosfera negra, sem qualquer ponta do habitual charme dos filmes de Price para a AIP, “O Último Homem na Terra” conta-nos uma história de ficção científica de terror, passada num futuro próximo, resultante de uma catástrofe biológica que destrói a espécie humana.

Em flashback vemos como o Dr. Robert Morgan (Vincent Price) é um investigador de biologia que procura a cura para o estranho mal, recusando-se a aceitar que haja algo mais do que uma simples epidemia. Essa recusa em ver que os mortos voltam como seres terríficos sedentos de sangue, leva-o a descurar a saúde da mulher e filha, factos pelos quais ele não se perdoa. Por isso, passa percorrer as ruas durante os dias, procurando corpos caídos, para queimar. O que o Dr. Morgan não espera é que, dessa raça de mortos-vivos de instintos vampirescos, tenha já resultado uma outra, mais humanizada, mas que vive à noite, e teme Morgan como um monstro que mata de dia sem objectivo.

O filme, narrado em grande parte por Price, num tom amargurado e triste, não procura assustar ou horririzar pelas imagens de monstros. É sim um conjunto de várias metáforas em torno da humanidade, solidão e desespero. Por um lado temos a catástrofe apocalíptica e os seus efeitos na humanidade, levando ao isolamento e ao questionamento do que é afinal fundamental ao homem, num mundo em que cada vez mais nos alienamos dos que nos estão mais próximos. Por outro lado, temos a completa inversão de papéis sobre o que é a humanidade, e como, em nome de algo em que se acredita, se pode agir de modo visto como monstruoso, bastando apenas uma pequena mudança de perspectiva. É no fundo uma história inserida no estilo da série de televisão “The Twilight Zone” para a qual Richard Matheson costumava escrever, e que chega a ter contornos de Film Noir, se virmos Morgan como o anti-herói amoral que sobrevive sem ideais.

O filme, rodado com baixo orçamento, passou despercebido do grande público e só décadas depois começou a ser considerado filme de culto. Esse culto inspiraria remakes como “O Último Homem na Terra” (The Omega Man, 1971), de Boris Sagal, com Charlton Heston, Anthony Zerbe e Rosalind Cash, e o mais recente “Eu Sou a Lenda” (I Am Legend, 2007) de Francis Lawrence, com Will Smith e Alice Braga. O livro e filme terão ainda inspirado George A. Romero a chegar aos zombies e aos eventos do célebre “A Noite dos Mortos-Vivos” (Night of the Living Dead, 1968).

Produção:

<Título original: The Last Man on Earth; Produção: Produzioni La Regina / Associated Producers Inc. (API); Produtor Executivo: Samuel Z. Arkoff; País: Itália / EUA; Ano: 1964; Duração: 87 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP); Estreia: 8 de Março de 1964 (EUA).

Equipa técnica:

<Realização: Ubaldo Ragona, Sidney Salkow; Produção: Robert L. Lippert; Produtor Associado: Harold E. Knox; Argumento: Richard Matheson [como Logan Swanson], William F. Leicester, Ubaldo Ragona, Furio M. Monetti [baseado no livro “I Am Legend” de Richard Matheson]; Música: Paul Sawtell e Bert Shefter; Orquestração: Alfonso D’Artega; Fotografia: Franco Delli Colli [preto e branco]; Montagem: Gene Ruggiero, Franca Silvi; Director de Produção: Vico Vaccaro; Direcção Artística: Giorgio Giovannini; Caracterização: Piero Mecacci; Cenários: Brunello Serena Ulloa; Figurinos: Angiolina Menichelli [como Lilly Menichelli].

Elenco:

<Vincent Price (Dr. Robert Morgan), Franca Bettoia (Ruth Collins), Emma Danieli (Virginia Morgan), Giacomo Rossi-Stuart (Ben Cortman), Umberto Raho [como Umberto Rau] (Dr. Mercer), Christi Courtland (Kathy Morgan), Antonio Corevi [como Toni Corevi] (Governador), Ettore Ribotta [como Hector Ribotta] (Repórter de TV), Carolyn De Fonseca (voz de Ruth Collins) [não creditada].

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