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Ttwice-Told TalesSinopse:

“Twice-told Tales” traz-nos três histórias macabras de Nathaniel Hawthorne, com interpretação de Vincent Price.

Na primeira, Carl (Sebastian Cabot) e Alex (Price) comemoram mais um aniversário do primeiro, quando descobrem uma misteriosa água capaz de trazer de volta a juventude. Os dois bebem-na e ressuscitam a mulher do primeiro, Sylvia (Mari Blanchard). Só que esta nova vida para o trio de amigos vai terminar em tragédia.

Na segunda, Giovanni (Brett Halsey) enamora-se de Beatrice (Joyce Taylor), a rapariga que vive perto de si, e que descobre ser reclusa do seu pai, Giacomo Rappaccini (Vincent Price). Rappaccini vive ainda o desgosto da perda da esposa, e para manter Beatrice a salvo de doenças, administra-lhe uma poção que mata quem a toca. A preserverança de Giovanni irá causar a desgraça a todos eles.

Na terceira, Gerald Pyncheon (Price) é um homem cujo regresso com a noiva Alice (Beverly Garland) à ancestral casa de família é o reacender da maldição dos Pyncheon. Esta começa a concretizar-se quando Alyce vive memórias de outras vidas, e uma estranha atracção por Jonathan Maulle (Richard Denning) o inimigo da família.

Análise:

Numa nova saída das produções de Roger Corman, Vincent Price deu vida a três personagens diferentes, neste filme produzido por Robert E. Kent para United Artists, o segundo de Price para Kent, depois de “Diary of a Madman” do mesmo ano. “Twice-told Tales” foi realizado por Sidney Salkow, a partir das histórias do autor romântico norte-americano Nathaniel Hawthorne “Dr. Heidegger’s Experiment”, “Rappaccini’s Daughter” e “The House of the Seven Gables”. Apenas a primeira destas histórias é retirada do livro que dá nome ao filme. A ligá-las estão ainda curtas narrações em off de Vincent Price.

“Dr. Heidegger’s Experiment” é uma história sobre o famoso tema da fonte da juventude, e seus efeitos nefastos naqueles que dela usufruem. Neste caso são dois amigos idosos Carl Heidegger (Sebastian Cabot) e Alex Medbourne (Vincent Price), e a mulher do primeiro, a já falecida Sylvia Ward (Mari Blanchard). Só que o reunir do trio de amigos devolvidos à sua juventude, vai trazer à tona segredos e traições que o tempo enterrara e tornara irrelevantes. Partindo de uma atmosfera de luto e tristeza (Carl não suporta a perda da mulher que ainda ama, e deseja a própria morte), sentimento esse partilhado pelas condições atmosféricas, tão típicas do romantismo, numa noite que parece não ter fim, passa-se de um rápido momento de euforia para uma tragédia anunciada.

A segunda história, “Rappaccini’s Daughter”, passa-se em Itália, e com uma fotografia e cenários que fazem lembrar Shakespeare e uma época mais remota. É o amor o catalizador da tragédia ao fazer de dois jovens, Giovanni (Brett Halsey) e Beatrice (Joyce Taylor), vítimas das tentativas do pai desta para a proteger. Giacomo Rappaccini (Vincent Price) é o típico herói byroniano desafiando a natureza com a sua arrogância e movido pela dor (mais uma vez a perda da esposa, tema recorrente nos personagens de Price), acabando por trazer a tragédia a sua casa, num conto de contornos algo exóticos.

Finalmente “The House of the Seven Gables” é o retorno ao tema clássico da casa assombrada. Gerald Pyncheon (Vincent Price) é o herói torturado pelo peso do seu passado (uma maldição de família). A sua ambição leva-o a não ouvir os sinais que se insinuam à sua volta. Com aparições de fantasmas, portas que se abrem sozinhas, e paredes que vertem sangue, a casa é toda ela um cenário macabro de tragédia anunciada, que apenas a arrogância do seu proprietário impede de ver.

Com uma estética em tudo aproximada da dos filmes de Corman (de quem Price trouxe a figurinista Marjorie Corso), o filme de Sidney Salkow é ainda assim uma versão empobrecida daquela série. Apostando no uso dos temas clássicos do romantismo trágico, o argumento de Robert E. Kent traz-nos o amor impossível, a nostalgia do passado, as traições, as maldições de uma casa assombrada, e claro, acima de tudo o torturado Vincent Price, sempre a contas com o peso do seu passado, das desgraças que sofreu, das decisões que tomou, ou da herança que transporta.

Sem ser tão notável como a série Poe de Roger Corman (poucas pessoas conhecerão a obra de Nathaniel Hawthorne – um descendente dos juizes de Salem – como conhecem a de Edgar Allan Poe), o filme é mais uma excelente criação para perpetuar os traços característicos do cinema gótico macabro americano, como aquele imortalizado por Vincent Price.

Produção:

Título original: Twice-Told Tales of Terror; Produção: Admiral Pictures Inc. (Robert E. Kent Productions); País: EUA; Ano: 1963; Duração: 120 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: Setembro de 1963 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Sidney Salkow; Produção: Robert E. Kent; Argumento: Robert E. Kent [baseado em histórias de Nathaniel Hawthorne]; Música: Richard LaSalle; Fotografia: Ellis W. Carter (filmado em Technicolor); Director de Produção: Joseph Small; Montagem: Grant Whytock; Direcção Artística: Franz Bachelin; Cenários: Charles S. Thompson; Efeitos Especiais: Milton Olsen; Figurinos: Marjorie Corso; Caracterização: Gene Hibbs.

Elenco:

Vincent Price (Alex Medbourne / Dr. Giacomo Rappaccini / Gerald Pyncheon), Sebastian Cabot (Dr. Carl Heidegger), Brett Halsey (Giovanni Guasconti), Beverly Garland (Alice Pyncheon), Richard Denning (Jonathan Maulle), Mari Blanchard (Sylvia Ward), Abraham Sofaer (Prof. Pietro Baglioni), Jacqueline deWit (Hannah Pyncheon, irmã de Gerald), Joyce Taylor (Beatrice Rappaccini), Edith Evanson (Lisabetta, a governanta), Floyd Simmons (Fantasma de Mathew Maulle), Gene Roth (Cocheiro).