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Diary of a MadmanSinopse:

Após o funeral do juiz Simon Cordier (Vincent Price), um grupo de pessoas é reunido para a leitura do seu testamento, que inclui um diário que Cordier quer que todos conheçam. Nele, Cordier conta como a seguir à morte de um criminoso na sua cela, o juiz começou a testemunhar estranhas ocorrências de uma entidade maléfica que se auto-intitulava Horla. Sob o efeito de Horla, Cordier começa então a executar actos criminosos de uma crueldade inimaginável, sem que tenha controlo sobre a situação.

Análise:

Originado no conto “Le Horla”, do escritor de contos francês do século XIX, Guy de Maupassant, “Diary of a Madman” foi uma produção de Robert E. Kent para a United Artists. Realizado por Reginald Le Borg, um realizador conhecido por filmes de terror de série B, este “Diary of a Madman” é protagonizado por Vincent Price, num intervalo das suas participações na série Poe de Roger Corman.

Com uma produção a lembrar as de Corman para a AIP, respira-se no filme de Le Borg a mesma atmosfera de tragédia iminente, envolta em mistério de contornos góticos com consequências macabras. De facto, a presença de colaboradores habituais de Corman, como o director artístico Daniel Haller, a figurinista Marjorie Corso e o caracterizador Ted Coodley ajudam à criação dessa atmosfera em que Vincent Price se tornava rei e senhor.

O início da história, num funeral, remete para as histórias da Hammer Horror, e a narrativa, na primeira pessoa, a partir do túmulo (todo o filme é um flashback a partir do diário de um morto), situam-nos no mais clássico território romântico, na torturada experiência de alguém que desde o primeiro momento sabemos condenado à tragédia.

Esse herói trágico é, como não podia deixar de ser, Vincent Price, aqui na pele do distinto juiz Simon Cordier, uma figura respeitada, mas que não será mais o mesmo, desde que vê um condenado morrer à sua frente pelo pânico de algo que parece dominá-lo. A partir de então Cordier sente-se assombrado por algo que não compreende, mas se revelará aos poucos: a entidade maléfica Horla.

Segundo o próprio Horla (de que apenas ouvimos a voz de Joseph Ruskin), trata-se de um ser invisível, membro de uma espécie que coabita o planeta com o homem, mas num plano diferente, apenas entrando em contacto com os seres humanos quando estes abrem o seu coração ao mal.

A partir daí a história revela-se uma metáfora, em que o mal é personificado por uma entidade que se alimenta do que de pior há no ser humano. No caso de Cordier, esse mal é a culpa que infligiu à esposa pela morte do filho de ambos, e que a levou a suicidar-se anos antes. Essa culpa faz com que Cordier nunca mais tenha conseguido ver os objectos ou retratos da esposa, nem sequer pensar em substituí-la.

Como cura para o seu mal, é-lhe aconselhado que conviva, cultive a sua antiga paixão da escultura, e abra o seu coração ao sexo feminino. Tudo isto se concretiza na companhia de Odette Mallotte (Nancy Kovack), a modelo que Cordier usa para as suas obras, e por quem se apaixona. Só que Odette é uma predadora, escondendo no seu sorriso uma ambição que a leva a trair o próprio marido (Chris Warfield). Tudo isto reforça o poder do Horla, que enviará Cordier numa senda de criminosa.

Embora seguindo a fórmula habitual dos filmes de terror de Vincent Price (a novela gótica do homem torturado, por vezes traído pelo sexo feminino, numa casa/castelo aparentemente assombrada, onde a sua arrogância ou posição dominante serão catalizadores de uma tragédia anunciada, de resultados macabros), o filme acrescenta essa componente de metáfora sobre o mal (de notar que no conto original de Maupassant, se tratava simplesmente de um ser extra-terrestre).

Produção:

Título original: Diary of a Madman; Produção: Admiral Pictures Inc. (Robert E. Kent Productions); País: EUA; Ano: 1963; Duração: 97 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 6 de Março de 1963 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Reginald Le Borg; Produção: Robert E. Kent; Argumento: Robert E. Kent [baseado na história “Le Horla” de Guy de Maupassant]; Música: Richard LaSalle; Fotografia: Ellis W. Carter (filmado em Technicolor); Director de Produção: Joseph Small; Montagem: Grant Whytock; Direcção Artística: Daniel Haller; Cenários: Victor A Gangelin; Efeitos Especiais: Norman Breedlove; Figurinos: Marjorie Corso; Caracterização: Ted Coodley; Escultor: Lowell Grant.

Elenco:

Vincent Price (Magistrate Simon Cordier), Nancy Kovack (Odette Mallotte), Chris Warfield (Paul Duclasse), Elaine Devry (Jeanne D’Arville), Ian Wolfe (Pierre), Stephen Roberts (Robert Rennedon, Capitão da Polícia), Lewis Martin (Padre Raymonde), Mary Adams (Louise), Edward Colmans (Andre D’Arville), Nelson Olmsted (Dr. Borman), Harvey Stephens (Louis Girot), Dick Wilson (Martin), Wayne Collier (Casal a discutir no café), Gloria Clark (Casal a discutir no café), Don Brodie (Marcel, O Carteiro), George Sawaya (Cocheiro), Joseph Del Nostro Jr. (Cocheiro), Joseph Ruskin (The Horla – voz).

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