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Tower of LondonSinopse:

Em 1483, o rei de Inglaterra, Edward IV (Justice Watson), está às portas da morte. Embora este tenha dois filhos menores e os coloque a cargo do seu irmão George, duque de Clarence (Charles Macaulay), que nomeia Lord Protector do Reino, o terceiro irmão, Richard, duque de Gloucester (Vincent Price), tem outros planos.

Richard começa por matar o irmão George, para assegurar que dominará os pequenos príncipes, mas é desde logo assombrado pelo fantasma do irmão. A partir de então, num misto de ambição e loucura, Richard continuará a eliminar, um após um, todos os obstáculos. Estes contribuirão para o número de assombrações que o atormentam sem descanso, lançando-o num desespero incontrolado que será a sua perdição.

Análise:

Interrompendo brevemente a sua série Edgar Allan Poe para a AIP, Roger Corman colaborou com Vincent Price num outro drama de época, desta vez sob a chancela da United Artists. Tratou-se de “Tower of London”, um thriller de horror de fundo histórico, já antes filmado para a Universal por Rowland V. Lee como “A Torre de Londres” (Tower of London, 1939), com Boris Karloff e Basil Rathbone, curiosamente um dos primeiros filmes de Vincent Price.

Com produção do seu irmão Gene, a versão de Roger Corman, tal como a anterior de 1939, baseia-se na ideia de um Richard III como um cruel assassino, capaz de eliminar todos às sua volta devido à sua desmedida ambição. Tal ideia, se historicamente incorrecta, é baseada na peça “Richard III” de Shakespeare que, para o bem ou para o mal, conseguiu denegrir para sempre o nome daquele monarca inglês. Aqui, a influência de Shakespeare parece também sugerir o lado fantasmagórico, à luz do que acontece em “Hamlet”.

Com Vincent Price no principal papel, Richard III é um homem cruel, vingativo, desconfiado, complexado pela sua aparência física, e que não deixa que os seus trejeitos faciais escondam as terríficas intenções que abriga. De morte em morte, o filme é por isso uma câmara de horrores, plena de sadismo, onde as aparições fantasmagóricas, se bem que instalando no protagonista uma aura de demência, funcionam como uma justiça além-túmulo, que sabemos irá triunfar. Esse mote de tragédia anunciada, torna-se o fio condutor da história, de modo a esperarmos apenas quantas mais mortes e assombrações serão necessárias para o colapso final.

Com interpretações mais próximas do teatro que do cinema, o filme nem sempre flui. Salva-se sobretudo a interpretação de Vincent Price, que chama a si todas as atenções, com os seus esgares de vingança, raiva ou pânico. Como habitualmente, Price compõe, como só ele sabe, um personagem que tem tanto de sádico como de atormentado, de trágico como de horrífico.

Filmado a preto e branco, em quinze dias, e nitidamente com um orçamento menor que o das suas produções para a AIP (o que terá feito com que os irmãos Corman várias vezes tenham ameaçado desistir do projecto), “Tower of London” é ainda assim eficaz pela atmosfera sombria criada. Com um castelo fantasmagórico, onde cada sala mais parece uma masmorra, e onde cada objecto, armadura, porta ou janela, pode tornar-se fulcro de uma aparição fantasmagórica, a famosa Torre de Londres, antiga prisão e local de tortura e execução, parece ver aqui ser-lhe feita justiça pelo seu papel macabro na história inglesa.

Com um certo sabor a série B, o filme ficou na sombra das vistosas produções de Corman para a AIP, tendo por isso passado despercebido a muitos fãs do terror clássico. Acrescente-se a curiosidade de “Tower of London” contar na ficha técnica com Francis Ford Coppola, então director de diálogo, ele que foi um dos muitos realizadores a iniciar-se no cinema pelas mãos de Roger Corman.

Produção:

Título original: Tower of London; Produção: Admiral Pictures Inc.; Produtor Executivo: Edward Small [não creditado]; País: EUA; Ano: 1962; Duração: 80 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 24 de Outubro de 1962 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Roger Corman; Produção: Gene Corman; Argumento: Leo Gordon, F. Amos Powell, Robert E. Kent [como James B. Gordon] [a partir de uma história da Leo Gordon e F. Amos Powell]; Música: Michael Andersen; Fotografia: Archie R. Dalzell (preto e branco); Direcção Artística: Daniel Haller; Montagem: Ronald Sinclair; Director de Produção: Joseph Small; Figurinos: Marjorie Corso; Caracterização: Ted Coodley; Cenários: Raymond Boltz Jr.; Efeitos Especiais: Modern Film Effects.

Elenco:

Vincent Price (Richard de Gloucester), Michael Pate (Sir Ratcliffe), Joan Freeman (Lady Margaret), Robert Brown (Sir Justin), Bruce Gordon (Buckingham), Joan Camden (Anne), Richard Hale (Tyrus), Sandra Knight (Mistress Shore), Charles Macaulay (Clarence), Justice Watson (Edward IV), Sarah Selby (Rainha), Donald Losby (Príncipe Richard), Sara Taft (Mãe de Richard), Eugene Mazzola [como Eugene Martin] (Príncipe Edward), Morris Ankrum (Arcebispo) [não creditado].

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