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The Pit and the PendulumSinopse:

No século XVI, Francis Barnard (John Kerr) viaja até Espanha, quando lhe chega a notícia da morte da sua irmã Elizabeth, casada com o aristocrata Don Nicholas Medina (Vincent Price), filho de um antigo torturador da Inquisição Espanhola. Don Medina diz a Francis que a sua irmã morreu de uma doença no sangue, mas Francis não acredita, e na sua desconfiança vem a deparar com o terror que Nicholas sente pela possível assombração da esposa. Aos poucos Francis, com a ajuda de Catherine (Luana Anders), irmã de Don Medina, vai descobrindo o passado horrífico de Nicholas, e os segredos da família Medina, de mortes macabras, traições e vinganças que ainda atormentam o Nicholas levando-o à beira da loucura.

Análise:

“O Fosso e o Pêndulo” foi o segundo da série de oito filmes realizados para a AIP de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff por Roger Corman, segundo adaptações de contos de Edgar Allan Poe. Com uma equipa muito semelhante à do filme anterior (“A Queda da Casa Usher”), e repetindo até alguns cenários da mansão, Corman voltava a confiar o papel principal a Vincent Price, para um drama macabro numa atmosfera gótica. Com este filme a AIP pretendia apenas repetir o sucesso inesperado de “A Queda da Casa Usher” e, dado o acolhimento que estes filmes tiveram, os produtores decidiram continuá-los com mais seis filmes.

Ao contrário do filme anterior, “O Fosso e o Pêndulo” (também escrito por Richard Matheson), não tem quase nenhuma semelhança com o conto original, no qual se descreve a agonia de um prisioneiro da Inquisição, quando confinado a uma cela que tem no centro um fundo poço com água, e sobre si um pendular cutelo gigante, que desce sobre a sua cabeça. Por seu lado, o filme de Corman segue em parte a receita de “A Queda da Casa Usher”, centrando a acção numa antiga mansão aristocrática, de estilo medieval, e na maldição que aflige os seus habitantes, a qual tem aspectos sobrenaturais.

A atmosfera pesada da história deve-se ao terror sentido por Don Medina (Vincent Price), o qual perdeu a mulher Elizabeth (Barbara Steele), vítima de um choque emocional quando exposta a instrumentos de tortura do já morto sogro, o inquisidor Sebastian Medina. Com o recurso a vários flashbacks (que com imagem quase monocromática, planos inclinados, e distorção de contornos, nos dão a ideia de serem sonhos) acompanhamos tanto a morte de Elizabeth, como o macabro fim da mãe de Don Medina, emparedada viva pelo marido, quando Dom Medina era apenas uma criança.

Guiando os nossos passos está a investigação de Francis Barnard (John Kerr), o irmão da falecida Elizabeth, através do qual vamos assistindo a uma série de eventos assustadores que parecem indicar que alguém assombra Don Medina, o que o faz julgar que Elizabeth voltou dos mortos por também ela ter sido emparedada viva.

“O Fosso e o Pêndulo” é assim uma história de tragédia anunciada, sobre o peso de um passado macabro, que atormenta uma pessoa à beira da demência. Levando ainda mais longe o design de produção, o filme usa com inteligência os vários espaços (todos interiores à excepção da curta abertura) de salas faustosas, túneis secretos, aterradoras masmorras e catacumbas, que nos guiam os sentidos numa espiral de macabro até ao confronto final sob o pêndulo que dá nome à história.

Vincent Price, com uma excelente interpretação, conduz o filme com os estados de espírito do seu personagem, que vão do inquietante ao fraco, passando pelo perdidamente demente e terminando no loucamente possuído.

Como habitual nas obras de Poe, esta história foi inúmeras vezes adaptada ao cinema, destacando-se “Le Puits et le pendule” (1909) de Henri Desfontaines, e “The Pit and the Pendulum” (1913) de Alice Guy-Blaché. Posteriores ao filme de Corman são: “The Pendulum, the Pit and Hope” (Kyvadlo, Jáma a Nadeje, 1984) de Jan Švankmajer (curta-metragem de animação que integra a história de Poe com “A Torture by Hope” de Villiers de l’Isle-Adam; “The Pit and the Pendulum” (1991) de Stuart Gordon; “Ray Harryhausen Presents: The Pit and the Pendulum” (2006) de Marc Lougee (em animação stop-motion); e “The Pit and the Pendulum” (2009) de David DeCoteau.

O filme de Corman teve uma adaptação à televisão em 1968, com um prólogo adicional, onde, do elenco original, apenas Luana Anders participou.

Produção:

Título original: Pit and the Pendulum; Produção: Alta Vista Productions; Produtores Executivos: James H. Nicholson, Samuel Z. Arkoff; País: EUA; Ano: 1961; Duração: 80 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP); Estreia: 12 de Agosto de 1961 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Roger Corman; Produção: Roger Corman; Argumento: Richard Matheson [baseado no conto de Edgar Allan Poe “The Pit and the Pendulum”]; Director de Produção: Bartlett A. Carré; Música: Les Baxter; Fotografia: Floyd Crosby [filmado em Panavision, cor por Pathè]; Design de Produção: Daniel Haller; Montagem: Anthony Carras; Efeitos Cénicos: Tom Matsumoto; Efeitos Especiais: Pat Dinga, Ray Mercer; Pinturas: Burt Shoenberg; Caracterização: Ted Coodley; Figurinos: Marjorie Corso; Cenários: Harry Reif.

Elenco:

Vincent Price (Nicholas Medina), John Kerr (Francis Barnard), Barbara Steele (Elizabeth Barnard Medina), Luana Anders (Catherine Medina), Antony Carbone (Doutor Charles Leon), Patrick Westwood (Maximillian), Lynette Bernay (Maria), Larry Turner (Nicholas em criança), Mary Menzies (Isabella), Charles Victor (Bartolome).

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