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Return of the FlySinopse:

Anos depois da morte de Andre Delambre na sequência dos trágicos acontecimentos descritos em “A Mosca”, após o funeral da esposa Helene, o filho do casal, Philippe (Brett Halsey), já adulto, confessa ao tio François Delambre (Vincent Price) querer prosseguir as experiências que custaram a vida ao pai. A princípio relutante, François aceita supervisionar o sobrinho. Alheias a ambos estão as intenções do terceiro assistente, Alan Hinds (David Frankham), que procurando apenas o lucro pessoal, vai provocar uma nova tragédia na família Delambre.

Análise:

Tal como o título indica “O Regresso da Mosca” é sequela directa do filme “A Mosca” (The Fly, 1958), que boas impressões deixara entre os fãs da ficção científica de terror. Mas ao contrário do filme de Kurt Neumann (que morrera no ano anterior), esta sequela, realizada por Edward Bernds, a partir de um argumento seu, não consegue disfarçar o seu aspecto de produção de menor qualidade.

Desde logo destaca-se a opção pela fotografia a preto e branco, renegando a cor garrida de “A Mosca”, mas filmando em Cinemascope, uma combinação não muito comum. Mantém-se Vincent Price no papel do familiar, que é o da voz da razão, tentando lutar contra a tragédia pendente sobre a família. Mas sobretudo não se consegue disfarçar um argumento mal construído e com diversos erros de coerência interna.

“O Regresso da Mosca” começa no funeral de Helene Delambre (no filme anterior interpretada por Patricia Owens), e serve como pretexto para conhecermos Philippe Delambre (Brett Halsey), o agora já adulto filho de Andre e Helene, e sobrinho de François (Vincent Price). Serve ainda a sequência inicial como ponte, onde quer através das perguntas oportunas de um jornalista, quer nas explicações trocadas entre François e Philippe, somos recordados dos eventos do filme anterior. Uma reconstituição exacta do laboratório de Andre é mais uma prova de que os dois filmes devem ser vistos como episódios de uma mesma história.

Só que, enquanto “A Mosca” lidava com a tragédia humana de um casal que tudo tentara para reverter o resultado de lidar com questões proibidas ao homem, algo tratado com o suspense de um mistério só revelado na parte final do filme, este “O Regresso da Mosca”, cedo se decide tornar uma directa história de crime e horror.

Assim, é introduzida a personagem de Alan Hinds (David Frankham), que apenas quer roubar os planos da invenção de Andre e Philippe, não hesitando em matar quem estiver no caminho. Não se percebe porque razão Alan coloca o polícia que o tenta capturar no Desintegrador-Reintegrador, sem ser apenas para nos dar a conhecer os efeitos nefastos de misturar desintegrações de dois seres vivos. Pela mesma razão não se percebe porque Alan tem que desintegrar Philippe com uma mosca, a não ser para dar ao espectador o que pretende. Muito menos se percebe como a Mosca vai encontrar Alen e o seu cúmplice Max Barthold (Dan Seymour), num local onde nunca estivera. E muito menos se entende como a Mosca atravessa a cidade várias vezes sem ninguém perceber que se trata de um monstro invulgar.

O filme torna-se então uma sucessão de crimes, mas de consequência moralizante, já que, não só prova que a ciência deve impor limtes ao homem, como apenas os criminosos morrem, e Philippe volta ao laboratório para ter um final feliz, conseguindo a reversão que o seu pai nunca conseguira.

Por explicar fica ainda o porquê de parte de o elenco falar francês, por entre interpretações menores, onde o papel de Cecile Bonnard (Danielle De Metz) está longe de ser convincente, e onde Vincent Price se destaca, apenas pela aridez daqueles com quem contracena.

Apesar de menos bem sucedido que o filme original, “O Regresso da Mosca” teria nova sequela, “Curse of the Fly” (1965) de Don Sharp, este já sem Vincent Price.

Produção:

Título original: Return of the Fly; Produção: Associated Producers, Inc. (API); País: EUA; Ano: 1959; Duração: 80 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: Julho de 1959 (EUA), (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Edward Bernds; Produção: Bernard Glasser; Argumento: Edward Bernds [baseado no conto de George Langelaan “The Fly”]; Música: Paul Sawtell, Bert Shefter; Fotografia: Brydon Baker (preto e banco, filmado em Cinemascope); Montagem: Richard C. Meyer; Direcção Artística: Lyle R. Wheeler, John B. Mansbridge; Cenários: Walter M. Scott, Joseph Kish; Caracterização: Hal Lierley.

Elenco:

Vincent Price (Francois Delambre), Brett Halsey (Philippe Delambre), David Frankham (Alan Hinds), John Sutton (Inspector Beecham), Dan Seymour (Max Barthold), Danielle De Metz (Cecile Bonnard), Jack Daly (Granville, repórter), Janine Grandel (Mme. Bonnard), Michael Mark (Gaston, vigilante), Richard Flato (Sargento Dubois), Gregg Martell (Polícia), Barry Bernard (Tenente MacLish), Pat O’Hara (Inspector Evans), Francisco Villalobos (Padre), Joan Cotton (Enfermeira).

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