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The TinglerSinopse:

O Dr. Warren Chapin (Vincent Price) trabalha como médico legista numa prisão, o que o leva a descobrir que aqueles que morrem de ataques de pânico apresentam estranhas deformações na coluna vertebral. O médico atribui esse fenómeno a uma entidade que vive dentro do homem e cresce com o medo sentido, e diminui com a libertação do medo através do grito, teoria em trabalha com o seu assistente David Morris (Darryl Hickman).

Após obter prova deste “parasita”, a que chama tingler, ao assustar a sua esposa Isabel (Patricia Cutts), o Dr. Warren depara com a morte de Martha Higgins (Judith Evelyn) uma surda-muda, dona de uma sala de cinema, que ele tratara. Esta, sem poder gritar morrera de pânico quando algo a assustara em sua casa. No corpo de Martha o médico encontra ainda o tingler intacto, mas este escapa-se provocando uma série de sustos na sala de cinema.

Análise:

“The Tingler” é uma curiosa produção da Columbia Pictures, protagonizada por Vincent Price (que para esta produtora já protagonizara “The Mad Magician”, em 1954), que explicitamente pretende provocar os nervos do espectador da sala de cinema, usando a própria sala como elicitador desse clima de nervos.

Com realização de William Castle, que já realizara no mesmo ano o bem sucedido “House on Haunted Hill”, também com Vincent Price, o filme começa com o próprio realizador, dirigindo-se ao público, para o advertir que gritar é a única solução quando o medo se instala. Desse modo está criado um ambiente que a Columbia pretendia que fosse contagiante, e catalizasse o extravazar das sensações de terror transmitidas pelo filme.

A história tem o seu quê de bizarro, envolvendo a ideia de que de cada vez que sentimos terror, uma espécie de parasita cresce agregado à nossa coluna vertebral, causando o conhecido arrepiar de medo. Esse parasita, o tingler, é no filme um arqueroso animal rastejante, cuja única fraqueza é o grito de pânico de uma pessoa.

Quem descobre esta evidência é o cientista Dr. Warren Chapin, interpretado por Vincent Price, que, com um pouco de louco e muito de aventureiro, não se coibe de experimentar em si próprio (a referência ao uso de uma droga semelhante ao LSD será mesmo inédita no cinema), ou assustar quase de morte a própria esposa. Como habitual no cientista louco (de que Frankenstein é o exemplo mais popular), na busca da verdade, acaba por libertar algo que não compreende e pode resultar numa torrente de mortes, resultando em mais um exemplo de uma alegoria sobre os resultados nefastos da ciência.

O resultado é o pequeno ser rastejante fugir para uma sala de cinema, atacando os incautos cinéfilos. Para aumentar o efeito de confusão sobre os espectadores, são vários os momentos em que o ecrã fica às escuras, e se ouve a voz de Vincent Price incitando ao grito como arma contra o tingler. Estes anúncios, acompanhados de gritos no filme, e da sombra da criatura na tela branca, pretendiam lançar a confusão entre sala de cinema e filme, e assim enervar os espectadores até eles próprios serem contagiados pelos gritos ouvidos.

Indo ainda mais longe, William Castle terá mesmo contratado pessoas para gritarem e fingirem desmaios durante a projecção do filme (com falsos enfermeiros a retirarem-nas da sala em macas), bem como colocando buzzers (chamados Perceptos) em cadeiras de alguns teatros, que as faziam vibrar nos momentos em que as luzes se apagavam.

Com todos estes esforços além-filme, não espanta que alguns críticos menosprezassem esta obra. O filme, apesar de partir de uma ideia difícil de convencer, é coeso, com um objectivo bem estuturado, e interpretações simples, mas eficazes (particularmente a de Vincent Price, aqui inocente, mas ainda assim capaz de arrepiar uma sala de cinema com a sua voz), em busca de um efeito de um susto irracional, mas tão visceral, como aquele arrepio inexplicável que às vezes sentimos na espinha. Destaca-se ainda a fotografia, onde várias vezes se percebe a clara inspiração expressionista, de marcado efeito (ver por exemplo a cena final).

Embora filmado a preto e branco, o filme é ainda célebre pela sequência em que sangue é visto a cores, saindo de torneiras e enchendo uma banheira. Não se chegando ainda aos níveis de sadismo que com que a Hammer experimentava nos mesmos anos em Inglaterra (de facto ferimentos e autópsias não são nunca mostrados), sentia-se já a necessidade de chocar pela cor, numa cena que foi de facto filmada a cores, com todo o cenário e actriz (Judith Evelyn) em tons de cinzento.

Produção:

Título original: The Tingler; Produção: Columbia Pictures / William Castle Productions; País: EUA; Ano: 1959; Duração: 81 minutos; Distribuição: Columbia Pictures; Estreia: 29 de Julho de 1959 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: William Castle; Produção: William Castle; Argumento: Robb White; Música: Von Dexter; Produtora Associada: Donna Holloway; Fotografia: Wilfred M. Cline (preto e branco); Direcção Artística: Phillip Bennett; Montagem: Chester W. Schaeffer; Cenários: Milton Stumph; Caracterização: Monty Westmore [não creditado].

Elenco:

Vincent Price (Dr. Warren Chapin), Judith Evelyn (Mrs. Martha Ryerson Higgins), Darryl Hickman (David Morris), Patricia Cutts (Isabel Stevens Chapin), Pamela Lincoln (Lucy Stevens), Philip Coolidge (Oliver ‘Ollie’ Higgins).

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