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House of WaxSinopse:

O professor Henry Jarrod (Vincent Price) é um escultor, orgulhoso da sua obra de bonecos de cera, que parecem ter vida, tal o realismo com que estão construídos. Quem não partilha do seu entusiasmo é o sócio Matthew Burke (Roy Roberts), que quer dinheiro fácil e incita Jarrod ao sensacionalismo. Como Jarrod recusa, Burke provoca um incêndio no museu, para receber o dinheiro do seguro. No incêndio Jarrod é dado como morto, embora o seu corpo nunca seja encontrado.

Meses mais tarde, uma estranha figura envolta numa capa negra surge matando na noite, vitimando Matthew Burke, e roubando-lhe o dinheiro do seguro. Pouco depois Henry Jarrod volta, com um novo museu de cera. Surge numa cadeira de rodas, mostrando mãos queimadas e impossibilitadas de trabalhar, mas com uma obra extensa, que é uma verdadeira casa de horrores.

A boneca de Joana d’Arc impressiona particularmente Sue Allen (Phillys Kirk) por se assemelhar tanto à sua amiga Cathy (Carolyn Jones) morta pela estranha criatura da noite, que depois disso passou a perseguir a própria Sue. A partir daí Sue, com o noivo, o também escultor Scott Andrews (Paul Picerni), decide-se a descobrir a verdade por detrás dos sinistros bonecos de cera do professor Jarrod.

Análise:

Nos anos 1950, Hollywood estava a braços com a concorrência da televisão, e testava novos avanços técnicos na filmagem e apresentação dos seus filmes. Exemplos foram os ecrãs panorâmicos, novos sistemas de cor (como a Technicolor), o som estéreo, e uma curta experiência de 3D, que entre 1952 e 1954 produziu cerca de 50 filmes, entre os quais os famosos “Vieram do Espaço” (It Came from Outer Space, 1953) e “O Monstro da Lagoa Negra” (Creature from the Black Lagoon, 1954), ambos de Jack Arnold, e “Chamada para a Morte” (Dial M for Murder, 1954) de Alfred Hitchcock. O primeiro destes filmes a ser produzido por um dos grandes estúdios (neste caso a Warner Bros.) foi “A Máscara de Cera”, de André de Toth (curiosamente cego de um olho, portanto sem poder usufruir da técnica de lentes de polarização de luz que possibilitava a experiência 3D).

Mas para além do valor histórico advindo das questões técnicas, “A Máscara de Cera” representa ainda a primeira vez que Vincent Price protagonizou um filme de terror, algo que marcaria para sempre, não só a sua carreira, mas também o cinema de terror. Com o seu olhar sinistro, presença imponente e voz característica, Vincent Price como que encontrava aqui a voz artística que não mais o largaria, definindo não só os momentos mais brilhantes da sua carreira como uma forma de estar no cinema de terror, tantas vezes imitada e que tantos actores e cineastas inspirou.

André de Toth realizou para a Warner um remake do filme “Máscaras de Cera” (Mystery of the Wax Museum, 1933) de Michael Curtiz, o qual era baseado na peça de teatro de Charles Belden, “The Wax Works”. Outros antecedentes do tema podem ser encontrados na pérola do cinema expressionista alemão: “Das Wachsfigurenkabinett” (1924) de Paul Leni.

A história, um pouco reminiscente daquela de “O Fantasma da Ópera” traz-nos um ser fantasmagórico, deformado por um acidente, que mata para proteger e glorificar a sua obra, neste caso as suas figuras de cera, concebidas de um modo macabro a partir de pessoas vivas.

Filmado integralmente em estúdio, o filme faz uso de uma atmosfera tenebrosa, na qual são filmados os exteriores de uma cidade do final do século XIX, contrastando com interiores de uma explosão de cor quase barroca, numa combinação que serve de prelúdio ao horror gótico que seria usual nos anos 1960, e levado ao seu pináculo nos filmes da produtora inglesa Hammer.

Vincent Price interpreta irrepreensivelmente o herói byroniano Henry Jarrod, que, com arrogância, desafia o que existe de mais sagrado na vida humana para construir o seu mundo de cera. Este é um mundo de vingança, espelhado na câmara de horrores que os seus bonecos exemplificam. Jarrod é ele próprio um horror (pela desfiguração, e pelo comportamento assassino) disfarçado pela cera, a da sua máscara e a do seu mundo, onde consegue aparentar alguma normalidade.

Com o intuito de assustar, a Warner conseguia um filme competente, pleno de momentos de suspense, como as perseguições pelas ruas escuras da cidade de inspiração expressionista, ou a labiríntica e soturna oficina do mestre escultor. Pelo meio, como concessões ao sensacionalismo 3D, justificam-se as sequências com o anunciador do espectáculo e as suas raquetes de ping-pong, ou as danças de can-can. Não se evita também algum escape humorístico, como o comportamento do sargento de polícia (Dabbs Greer), ou o modo de falar de Cathy (Carolyn Jones), mais tarde famosa pelo papel de Morticia Addams na popular série de TV “The Addams Family”.

Destaque ainda para a presença de um jovem Charles Bronson (então creditado como Buchinsky), no papel do mudo assistente de Jarrod, curiosamente chamado Igor, nome que a Universal havia atribuído ao típico assistente de Frankenstein.

Apoiado por uma forte campanha de marketing, o filme foi um dos maiores sucessos de 1953, o que levou a várias imitações de menor qualidade nos anos seguintes. Já no século XXI a Warner Bros. voltou a ressuscitar a história com o filme “A Casa de Cera” (House of Wax, 2005) de Jaume Collet-Serra, que embora fosse publicitado como um remake dos dois filmes anteriores, pouco tem de comum com a história de Charles Belden.

Produção:

Título original: House of Wax; Produção: Bryan Foy Productions / Warner Bros. Pictures; País: EUA; Ano: 1953; Duração: 89 minutos; Distribuição: Warner Bros. (A First National Picture); Estreia: 10 de Abril de 1953 (EUA), 7 de Outubro de 1953 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: André de Toth; Produção: Bryan Foy; Argumento: Crane Wilbur [a partir de uma história de Charles Belden]; Música: David Buttholph; Fotografia: Bert Glennon, Peverell Marley (filmado em Natural Vision 3-Dimension, cor por Warnercolor); Direcção Artística: Stanley Fleisher; Montagem: Rudy Fehr; Cenários: Lyle B. Freifsnider; Figurinos: Howard Shoup; Caracterização: Gordon Bau; Orquestração: Maurice du Packh; Figuras de Cera: Kathryn Stuberg [não creditada].

Elenco:

Vincent Price (Prof. Henry Jarrod), Frank Lovejoy (Tenente Tom Brennan), Phillys Kirk (Sue Allen), Carolyn Jones (Cathy Gray), Paul Picerni (Scott Andrews), Roy Roberts (Matthew Burke), Angela Clarke (Mrs. Andrews), Paul Cavanagh (Sidney Wallace), Dabbs Greer (Sargento Jim Shane), Charles Bronson [como Charles Buchinsky] (Igor), Reggie Rymal (O Anunciante), Nedrick Young (Leon Averill) [não creditado].