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Kramer vs KramerSinopse:

Ted Kramer (Dustin Hoffman) é um homem obcecado com a sua carreira profissional, negligenciando a família ao ponto de só se aperceber que algo corre mal no dia em que a esposa Joanna (Meryl Streep) lhe anuncia que vai sair de casa. Ficando com o filho de cinco anos, Ted vai ter que mudar completamente o foco da sua vida, redescobrindo a sua vocação de pai, e criando uma completamente nova relação de cumplicidade com o pequeno Billy. Mas o equilíbrio construído ameaça ruir quando 18 meses depois Joanna regressa, para disputar a custódia de Billy nos tribunais.

Análise:

Numa década em que o cinema de Hollywood, se tornou pródigo em olhar a corrosão das várias instituições da sociedade americana, não faltaria também o olhar para os laços familiares, num filme que se centra sobre a disputa da custódia de um menor.

Robert Benton, um realizador e argumentista ligado a filmes como “Bonnie e Clyde” (Bonnie and Clyde, 1967) de Arthur Penn, e “The Late Show” (1978) realizado por si próprio, escrevia e realizava um filme com um enorme potencial dramático. Se tal potencial, noutras mãos poderia resultar num filme sensacionalista, Benton dá-lhe um equilíbrio subtil, feito de olhares sinceros, e de gestos toscos e mundanos, que aliados à brilhante interpretação de Dustin Hoffman, tornam o filme um testemunho realista de uma relação pai-filho, com tudo o que esta tem de amor, conflito, carinho e dor.

Dustin Hoffman, brilha no papel de Ted, um criativo de uma agência publicitária, que obcecado pelo trabalho negligencia a família até ao momento em que a mulher o deixa com um filho de cinco anos para educar sozinho. Dustin Hoffman é desde então o centro do filme, e é através dele que sentimos a responsabilidade, a frustração, a inépcia inicial, a luta para aprender a ser um pai a sério, e claro, todos os sentimentos nascentes desta redescoberta paternidade. Ted não é perfeito, e sabemo-lo desde o início. Perde as estribeiras, diz palavrões, amiúde sente-se perdido. Mas todas as fraquezas são transformadas em forças pela simples razão de que tem um filho para criar. E consegue-o com uma dedicação a amor admiráveis. O seu caminho (e de certo modo o de Joanna, embora esta longe do nosso olhar) é construído nas acções e decisões diárias, por entre hesitações, erros e aprendizagens, como se tudo acontecesse à nossa frente.

O regresso de Joanna (Meryl Streep), vem lançar aquela que é talvez a pergunta mais acutilante do filme. Deve uma mulher ser mais apta a educar um filho que um homem, só por ser mulher? O filme aponta no sentido contrário, abalando as convicções convencionais, que são também as do próprio juiz, que inicia o processo com uma ideia pré-estabelecida.

Com uma construção que é como que uma subida desde as profundezas de uma relação quase inexistente, até às alturas de uma harmonia perfeita entre pai e filho, é-nos impossível ficar indiferentes ao resultado da decisão judicial, quando estamos tão envolvidos em todos os aspectos da relação entre Ted e Billy (interpretado com perfeição pelo pequeno Justin Henry). Mesmo assim Benton esforça-se por colocar Ted e Joanna em pé de igualdade, mostrando que ambos têm razões váliadas.

Ainda assim, em vez de seguir o caminho fácil de tomada deliberada de um partido, de modo maniqueísta, Benton esforça-se por colocar Ted e Joanna em pé de igualdade, mostrando que ambos têm razões válidas, e um amor genuíno, sem maldade.

Talvez para evitar aquele que seria o final infeliz, a história tem um golpe de teatro quando Joanna (Meryl Streep aqui numa má-da-fita sem intenção de o ser), cai em si, apercebendo-se de que o melhor para o filho é este continuar com o pai. Tal excesso de altruísmo talvez seja o momento mais irrealista de um filme que, apesar de tudo, é exemplar no modo com uma relação familiar pode ser descrita, sobriamente, sob um ângulo novo, e ainda plena de sentimento.

O filme tornou-se um marco nos direitos da paternidade, e receberia cinco Oscars: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor (Hoffman), Melhor Actriz Secundárias (Streep) e Melhor Argumento Adaptado.

Produção:

Título original: Kramer vs. Kramer; Produção: Columbia Pictures (A Stanley Jaffe Production); País: EUA; Ano: 1979; Duração: 100 minutos; Distribuição: Columbia Pictures; Estreia: 19 de Dezembro de 1979 (EUA), 21 de Março de 1980 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Robert Benton; Produção: Stanley R. Jaffe; Argumento: Robert Benton [baseado no livro de Avery Corman]; Fotografia: Néstor Almendros (filmado em Panavision, cor por Technicolor); Design de Produção: Paul Sylbert; Figurinos: Ruth Morley; Montagem: Gerald B. Greenberg; Produtor Associado: Richard Fischoff; Director de Produção: David Golden; Cenários: Alan Hicks; Caracterização: Alan Weisinger.

Elenco:

Dustin Hoffman (Ted Kramer), Meryl Streep (Joanna Kramer), Jane Alexander (Margaret Phelps), Justin Henry (Billy Kramer), Howard Duff (John Shaunessy), George Coe (Jim O’Connor), JoBeth Williams (Phyllis Bernard), Bill Moor (Gressen), Howland Chamberlain (Judge Atkins), Jack Ramage (Spencer), Jess Osuna (Ackerman), Nicholas Hormann (Entrevistador), Ellen Parker (Professora), Shelby Brammer (Secretária de Ted), Carol Nadell (Mrs. Kline), Donald Gantry (Médico), Judith Calder (Recepcionista), Peter Lownds (Norman), Kathleen Keller (Empregada de Mesa).

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