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Marathon ManSinopse:

Babe (Dustin Hoffman) é um estudante de pós-graduação em história, que tem como hobby treinar para a maratona. Quando passeia com a nova namorada Elsa (Marthe Keller) em Central Park, são ambos assaltados por dois homens de fato. Tal leva Babe a chamar o irmão Doc (Roy Scheider) que, sem que Babe saiba, trabalha para os serviços secretos. A partir daí Babe vê-se no meio de num mistério criminal que envolve o transporte de diamantes, pertencentes ao antigo nazi Szell (Laurence Olivier), e que deixa um rasto de morte sobre todos os envolvidos.

Análise:

John Schlesinger, um realizador da nova geração de Hollywood, e já consagrado por filmes como “O Cowboy da Meia-noite” (Midnight Cowboy, 1969), reuniu-se com Dustin Hoffman para este “O Homem da Maratona”, segundo uma história de William Goldman, o argumentista de “Os Homens do Presidente” do mesmo ano, e já anteriormente premiado por “Dois Homens e Um Destino” (Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969).

Inserido na corrente de paranóia sobre conspirações políticas e internacionais, que marcou este período da história de Hollywood, “O Homem da Maratona” é um thriller criminal que lida com ecos dos crimes de guerra nazis, e o cinismo com que são encarados na época, quando o fruto desses crimes (diamantes, acumulados por um criminoso de guerra) são motivo de colaboração entre antigos nazis e serviços secretos norte-americanos.

Como típico dos anos 1970, ninguém sai ileso do círculo de cinismo e conspiração que sufoca todo o enredo. Por um lado nos é fácil detectar um inimigo directo: Szell (Laurence Olivier), o odioso nazi conhecido como Anjo Branco, que infligia torturas em Auschwitz, usando a sua capacidade de dentista, com a qual roubava ouro dos dentes dos prisioneiros judeus. Mas logo percebemos que ele não está sozinho a receber as culpas. Estas repartem-se por Janeway (William Devane) o responsável da misteriosa “Division”, para a qual trabalha, Doc (Roy Scheider), o irmão de Babe, e afinal alguém que construiu a sua vida sobre mentiras, fazendo o que for necessário pelo que considera ser o bem do seu país, querendo apenas “ser o melhor na sua profissão”, sem olhar a meios.

No meio de tudo isto está Babe (Dustin Hoffman), inocente, e arrastado para um turbilhão que não compreende, nem lhe diz respeito. Querendo apenas salvar a memória do seu pai (também uma vítima da política, nomeadamente do MacCarthismo), e depois descobrir o que aconteceu ao irmão.

Babe é o “homem da maratona”, que corre por prazer, e a sua corrida simboliza uma fuga a uma forma de estar onde o cinismo e a corrupção moral parece atingir todos os sectores da sociedade, fuga essa que é uma espécie de luta por sobrevivência, que marcará literalmente toda a história. Descomprometido (veja-se o modo como escolhe a sua tese doutoral contra tudo e todos), Babe simboliza o homem ainda livre, alheado dos jogos de interesses que dominam o mundo. A prova desse descomprometimento é o modo como despreza o tesouro de Szell.

Filmando maioritariamente em exteriores, usando o aspecto frio da cidade, Schlesinger dá ao filme uma atmosfera inquietante e negra, com um suspense sempre presente. O filme ficou famoso por algumas cenas de violência extrema, nomeadamente na cena da tortura, tida como uma das mais arrepiantes do cinema, e onde Laurence Olivier (nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário) desempenha um vilão frio, discreto nos seus gestos, mas nem por isso menos sádico e assustador.

Dustin Hoffman é mais uma vez inesquecível, na forma como compõe Babe, um homem arrastado para algo que não compreende, que custa a vida de todos aqueles à sua volta, e abala todo o seu mundo, obrigando-o a deixar o seu sagrado pacifismo e a fazer o que nunca sonhara.

Apesar de não ter o mais elaborado dos argumentos, “O Homem da Maratona” vale pelo suspense que torna a teoria de conspiração bem palpável e assustadora, quando vista pela perspectiva de um homem vulgar com o Babe de Dustin Hoffman.

Produção:

Título original: Marathon Man; Produção: Paramount Pictures; País: EUA; Ano: 1976; Duração: 125 minutos; Distribuição: Paramount (A Gulf + Western Company); Estreia: 6 de Outubro de 1976 (EUA), 3 de Junho de 1977 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: John Schlesinger; Produção: Robert Evans, Sidney Beckerman; Argumento: William Goldman [baseado no seu próprio livro]; Fotografia: Conrad L. Hall (filmado em Panavision, cor por Metrocolor); Produtor Associado: George Justin; Design de Produção: Richard MacDonald; Montagem: Jim Clark; Música: Michael Small; Direcção Artística: Jack De Shields; Cenários: George Gaines; Figurinos: Robert De Mora; Efeitos Especiais: Richard E. Johnson, Charles Spurgeon; Caracterização: Dick Smith, Ben Nye; Orquestração: Jack Hayes.

Elenco:

Dustin Hoffman (Thomas “Babe” Levy), Laurence Olivier (Dr. Christian Szell), Roy Scheider (Henry “Doc” LevyDoc), William Devane (Peter Janeway), Marthe Keller (Elsa Opel), Fritz Weaver (Prof. Biesenthal), Richard Bright (Karl), Marc Lawrence (Erhard), Allen Joseph (Pai de Babe), Tito Goya (Melendez), Ben Dova (Szell’s Brother), Lou Gilbert (Rosenbaum), Jacques Marin (LeClerc), James Wing Woo (Chen), Nicole Deslauriers (Nicole), Lotte Palfi Andor (Senhora Idosa na Rua 47), Lionel Pina (Bando da rua), Church (Bando da rua), Tricoche (Bando da rua), Jaime Tirelli (Bando da rua), Wilfredo Hernández (Bando da rua), Harry Goz (Vendedor de Jóias), Michael Vale (Vendedor de Jóias), Fred Stuthman (Vendedor de Jóias), Lee Steele (Vendedor de Jóias), William Martel (Guarda no Banco), Jeff Palladini (Jovem Babe), Scott Price (Jovem Doc).