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Three Days of the CondorSinopse:

Uma secção da CIA em Nova Iorque, dedicada a monitorizar livros, é brutalmente atacada e todos os seus integrantes assassinados sob a supervisão de G. Joubert (Max von Sydow), à excepção de Joseph Turner (Robert Redford), cujo nome de código é Condor. Sem saber em quem confiar, Turner não segue as instruções que recebe do seu comando, preferindo esconder-se em casa de Kathy (Faye Dunaway), que rapta na rua. A partir daí dá-se um jogo do gato e do rato entre Turner e a CIA, com Turner apostado a fazer o que for necessário para perceber quem o traiu e quer morto.

Análise:

“Os Três Dias do Condor” é um típico filme de espionagem, mas que, em vez dos temas clássicos da guerra de espiões com o inimigo externo, aborda a questão da guerra contra inimigos internos. Inserido na lógica de conspiração que atravessa o cinema de Hollywood nos anos 1970, o filme de Syney Pollack levanta a pergunta das verdadeiras intenções das agências secretas de inteligência, e o facto de o seu secretismo poder fazer delas um poder dentro do poder. Ou como mais facilmente poria Joseph Turner (Robert Redford) “…e se há uma outras CIA dentro da CIA?”

Com esta premissa, o filme é um autêntico jogo de gato e de rato entre Turner e a CIA, onde cada lado tenta antecipar-se aos movimentos do outro. Neste sentido, e seguindo o espectador principalmente o lado de Turner, Robert Redford conduz o filme, no seu jeito sereno, mas calculista, que não seria previsível num personagem que era afinal apenas um leitor, que tudo o que aprendeu foi por ler muitos livros.

Sob direcção de Sydney Pollack, que já dirigira Redford por três vezes incluindo o também revisionista “As Brancas Montanhas da Morte” (Jeremiah Johnson, 1972), “Os Três Dias do Condor” é um filme que aposta, não tanto na acção, mas sim na contemplação e caminho de alguém a quem foi retirado todo o mundo em que acreditava. É acima de tudo um olhar revisionista, típico da era, e que tem em Pollack um dos seus melhores exemplos, como já mostrado em, para além dos dois filmes citados, “Os Cavalos Também Se Abatem” (They Shoot Horses, Don’t They?, 1969).

Um pouco como Turner diz à sua vítima tornada cúmplice, Kathy (Faye Dunaway), o filme é um pouco como Novembro, já não é Outono, mas ainda não é Inverno, e tal como nas fotos de Kathy, sente-se a atmosfera fria, feita de solidão, numa vida sem esperança e sem conforto. Tal pressente-se na fotografia, húmida e fria, na música, que mantém sempre uma distância desoladora, e principalmente nas interpretações, todas elas sóbrias (especialmente Redford, Dunaway e Max von Sydow), mas com uma frieza calculada, feita de cinismo e da incapacidade em estabelecer laços pessoais.

Por tanto Turner como Kathy sentirem esse frio (Turner após o seu mundo ruir, Kathy porque sempre o sentiu), a situação que os leva a encontrar faz deles, brevemente, amantes imprevistos, pela simples necessidade de encontrar um contacto, por mais esporádico que seja, num momento em que se sentem traídos pelo mundo.

Apesar de o final deixar em aberto se Turner consegue ou não expor as conspirações da CIA, o filme tornou-se um símbolo da capacidade de um homem para mudar os acontecimentos, e denunciar os abusos de poder que toldam os estados modernos. De notar que o próprio Redford participaria no filme que mais longe levaria esta ideia, “Os Homens do Presidente” (All the President’s Men, 1976) de Alan J. Pakula, que narrou a descoberta do escândalo Watergate, que levaria à demissão do presidente americano Richard Nixon.

“Os Três Dias do Condor” foi um sucesso junto do público, e receberia uma nomeação para os Oscars para Melhor Cinematografia, e para os Globos de Ouro para Melhor Actriz (Faye Dunaway).

Produção:

Título original: Three Days of the Condor; Produção: Dino De Laurentiis Company / Paramount Pictures / Tom Ward Enterprises / A Wildwood Enterprises, Inc.; Produtor Executivo: Dino De Laurentiis [não creditado]; País: EUA; Ano: 1975; Duração: 113 minutos; Distribuição: Paramount (A Gulf + Western Company); Estreia: 24 de Setembro de 1975 (EUA), 29 de Setembro de 1978 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Sydney Pollack; Produção: Stanley Schneider, Sydney Pollack [não creditado]; Argumento: Lorenzo Semple Jr., David Rayfiel [baseado no livro de James Grady “Six Days of the Condor”]; Fotografia: Owen Roizman (filmado em Panavision, cor por Technicolor); Música: Dave Grusin; Design de Produção: Stephen B. Grimes; Direcção Artística: Gene Rudolf; Figurinos: Theoni V. Aldredge, Joseph G. Aulisi; Director de Produção: Paul Ganapoler; Montagem: Frederic Steinkamp, Don Guidice; Cenários: George DeTitta Sr.; Efeitos Especiais: Augie Lohman; Caracterização: Lee Harman, Gary Liddiard, Bob O’Bradovich.

Elenco:

Robert Redford (Joseph Turner), Faye Dunaway (Kathy Hale), Cliff Robertson (J. Higgins), Max von Sydow (G. Joubert), John Houseman (Mr. Wabash), Addison Powell (Leonard Atwood), Walter McGinn (Sam Barber), Tina Chen (Janice Chon), Michael Kane (S.W. Wicks), Don McHenry (Dr. Ferdinand Lappe), Michael B. Miller (Fowler), Jess Osuna (O Major), Dino Narizzano (Harold), Helen Stenborg [como Helen Stenbure] (Mrs. Edwina Russell), Patrick Gorman (Martin), Hansford Rowe (Jennings), Carlin Glynn (Mae Barber), Hank Garrett (Carteiro), Arthur French (Meensageiro), Jay Devlin (Homem Alto e Magro), Frank Savino (Jimmy), Sal Schillizzi (Ferreiro).