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Dirty HarrySinopse:

Quando um assassino que se auto-intitula Scorpio (Andrew Robinson), começa a matar pessoas a partir dos telhados de São Francisco, o detective Harry Callaham (Clint Eastwood) é chamado a liderar a investigação que impeça novas mortes. Cedo vai-se estabelecer um jogo entre o psicopata e a polícia, com aquele a fazer exigências umas atrás das outras, e a raptar e matar para as ver satisfeitas. Mas ao seu jeito pessoal, sem olhar a indicações dos superiores, Harry procurará parar Scorpio custe o que custar.

Análise:

No final dos anos 1960, o já veterano realizador Don Siegel iniciava uma bem sucedida colaboração de cinco filmes com o actor Clint Eastwood, que lhe trouxeram um enorme sucesso comercial. Incidindo na persona definida para o cinema por Eastwood, estes filmes eram ou Westerns ou dramas policiais ou criminais. De entre eles dastaca-se principalmente “A Fúria da Razão”, o filme que nos apresentou o duro detective Harry Callahan.

Para o mundo conhecido como Dirty Harry, o filme explora o personagem de Clint Eastwood (longe de ser uma primeira escolha para um papel rejeitado por Frank Sinatra, John Wayne, Robert Mitchum, Burt Lancaster, Paul Newman e Steve McQueen), um polícia com fama de duro, parco em palavras, de semblante imperturbável, e que não hesita em usar a violência como método. Clint Eastwood criava assim o arquétipo do polícia que actua à margem da lei, fazendo justiça pelas próprias mãos, sempre que sente que a justiça está manietada por burocracias que a impedem de ser eficaz. Esse exemplo foi, para os críticos, mais uma glorificação da violência, como já vista em filmes recentes como “Os Incorruptíveis contra a Droga” de William Friedkin ou “Cães de Palha” de Sam Peckinpah, e de certo modo o elogio de ideiais fascistas.

Justiça feita pelas próprias mãos é aliás o tema principal do filme. Se por um lado assistimos a uma apurada investigação, e respectivo cerco em torno de um assassino que todos (da polícia ao poder político) se empenham em parar, por outro somos defraudados quando, após a captura, o assassino é libertado por irregularidades na obtenção das provas. Nesse momento, traídos pelo sistema, que se revela nitidamente incapaz, somos levados a confiar em Harry, que obedecendo a um código próprio, não se deixará paralizar como o sistema judicial.

Harry entra assim num jogo de caça a Scorpio (Andrew Robinson), no qual caçador e presa vão trocando de papéis, e o instinto de vingança vai superando as motivações iniciais de cada um. Se Scorpio revela impulsos de verdadeiro sadismo e uma atitude repleta de histeria e loucura, Harry torna cada vez mais a perseguição numa questão pessoal. A sua atitude traz-nos um pouco do contexto do Western, com o vingador solitário que escreve a lei pelas suas próprias mãos, com único auxílio de armas de fogo.

Em aberto fica o cognome “Dirty” (sujo), que vai surgindo várias vezes em diferentes contextos. Sujo pelos seus gostos? Sujo pelos seus métodos? Ou simplesmente sujo porque sujos são os trabalhos que lhe são reservados? Acima de tudo Harry é um homem torturado pelo passado (a perda da mulher num acidente de automóvel), que lhe reforça o cinismo com que encara o mundo, esse sim sujo, e a precisar da limpeza que só lhe é garantida pela sua Magnum 44.

Nesse sentido Harry Callaham é um anti-herói ao estilo do Film Noir, perturbado pelo passado, movimentando-se na suja selva urbana, e fazendo apenas aquilo em que acredita, ou aquilo que tem de ser feito para se sobreviver, com um sentido trágico que o leva a ver-se arrastado para o centro dos turbilhões.

Don Siegel conseguiu, com uma realização segura, criar um subgénero do filme policial baseado em investigações urbanas catalizadoras de violência explícita, passadas à margem da lei, com bastante espaço para tiroteios e outras cenas de acção. Como tal, cedo surgiram os filmes influenciados pelo personagem de Clint Eastwood. Veja-se por exemplo a série “Death Wish”, com Charles Bronson, e os sucessos de franchises dos anos 1980 como “Lethal Weapon” e “Die Hard”. Essa influência estende-se até aos dias de hoje.

Destaque ainda para a banda sonora de Lalo Schifrin, que se tornava um dos compositores da nova vaga do cinema americano. A sua música de compassos fora do comum, sempre ansiosa e impulsiva, construída sobre uma mistura de jazz e blues, marcou o ritmo de muitos filmes de acção, influenciando também outros compositores, logo desde a série de TV “Mission Impossible” dos anos 1960.

O sucesso comercial do filme deu ainda origem a quatro sequelas: “Harry – O Detective em Acção” (Magnum Force, 1973) de Ted Post, “Harry – O Implacável” (The Enforcer, 1976) de James Fargo, “Impacto Súbito” (Sudden Impact, 1983) de Clint Eastwood, e “Na Lista do Assassino” (The Dead Pool, 1988) de Buddy Van Horn. Todos estes filmes tiveram a interpretação de Clint Eastwood.

Produção:

Título original: Dirty Harry; Produção: The Malpaso Company / Warner Bros.; Produtor Executivo: Robert Daley; País: EUA; Ano: 1971; Duração: 98 minutos; Distribuição: Warner Bros. A Kinney Leisure Service; Estreia: 3 de Outubro de 1971 (EUA), 22 de Dezembro de 1972 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Don Siegel; Produção: Don Siegel; Argumento: Harry Julian Fink, Rita M. Fink, Dean Riesner [a partir de uma história de Harry Julian Fink e Rita M. Fink]; Produtor Associado: Carl Pingitore; Música: Lalo Schifrin; Fotografia: Bruce Surtees (filmado em Panavision, Technicolor); Direcção Artística: Dale Hennesy; Montagem: Carl Pingitore; Cenários: Robert De Vestel; Caracterização: Gordon Bau; Figurinos: Glenn Wright.

Elenco:

Clint Eastwood (Detective Harry Callahan), Andrew Robinson (Charles ‘Scorpio Killer’ Davis), John Vernon (O Mayor), Reni Santoni (Detective Chico Gonzalez), Harry Guardino (Tenente Al Bressler), John Larch (O Chefe), John Mitchum (Detective Frank DiGiorgio), Mae Mercer (Mrs. Russell), Lyn Edgington (Norma), Ruth Kobart (Condutora do Autocarro), Woodrow Parfrey (Mr. Jaffe), Josef Sommer (Procurador Público William T. Rothko), William Paterson (Juiz Bannerman), James Nolan (Vendedor da Loja de bebidas), Maurice Argent (Sid Kleinman), Jo De Winter (Miss Willis), Craig Kelly (Sargento Reineke).

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