Etiquetas

, , , , , , , ,

The French ConnectionSinopse:

Ao mesmo tempo que em Marselha, o insuspeito Alain Charnier (Fernando Rey) prepara um carregamento milionário de drogas para os Estados Unidos, Jimmy ‘Popeye’ Doyle, um detective de narcóticos da polícia de Nova Iorque, começa a suspeitar dos movimentos de Sal Boca (Tony Lo Bianco). De início com dificuldade, Doyle e o seu colega Buddy Russo (Roy Scheider), conseguem convencer os superiores a montar uma apertada vigilância a Boca. Esta vai colocá-los na pista de Charnier, que Doyle acredita estar ligado a uma chegada de droga de que se fala no submundo do crime.

Análise:

Para muitos considerado o filme que fez renascer o Noir no cinema, “Os Incorruptíveis contra a Droga” foi antes de mais uma pedrada no charco dos filmes policiais, fruto do olhar inovador de William Friedkin (o mesmo que dois anos mais tarde nos daria outro filme revolucionário com “O Exorcista”). O filme é baseado num livro que narra factos reais da polícia de Nova Iorque, o que traz um especial realismo à história.

Tal como é típico do Noir clássico “Os Incorruptíveis contra a Droga” tem como pano de fundo a selva urbana, em tudo o que esta tem de negativo. Por isso o filme mostra-nos o submundo da marginalidade, onde não encontramos um personagem com quem simpatizar. A violência é, para alguns, quase gratuita, e a acção decorre em becos sujos e húmidos, havendo sempre um “cheiro” de podridão que vem tanto da própria cidade como dos comportamentos que testemunhamos.

Como habitual também no Noir, nem os heróis escapam a estas descrições mais depreciativas, e o anti-herói de “Os Incorruptíveis contra a Droga” é Jimmy ‘Popeye’ Doyle (num dos melhores papéis da longa carreira de Gene Hackman), um detective duro, que segue os seus instintos e não as regras, e cuja obsessão com os criminosos parece mais um ajuste de contas com o mundo, que uma necessidade de justiça. Nesse sentido, e embora nos seja dado a ver que Doyle está certo nos seus palpites desde o início, somos ainda assim chocados com os seus métodos brutos, os seus preconceitos, atitudes racistas, agressividade para com os colegas, e a menção a um passado que já antes provou que a sua teimosia pode acabar mal.

O tema do filme é o tráfico de droga, o que só de si é um exemplo de algo sujo, arruinador de vidas, e criador de um mundo vil de onde ninguém pode escapar ileso. Estamos assim muito longe dos antigos roubos de bancos dos anos 30 e 40, onde tudo então nos parecia limpo e transparente, e os gangsters de então surgiam envoltos numa aura de charme. Mas a selva urbana de 1971 corrói, mastiga e degrada qualquer um, o que fica bem visível no cinismo e sede de sangue que não distinguem criminosos de agentes da polícia, como no realismo chocante com que tudo nos é mostrado, e principalmente no final amargo a que o filme não nos poupa. Afinal o cerco aos traficantes, e o disparo equívoco que o conclui, apenas confirmam que para Doyle, mais importante que a morte de um colega, é a fuga de um inimigo. Ao mesmo tempo ficamos sem o conforto de uma justiça feita.

O filme ficou ainda célebre pela longa cena de perseguição automóvel, exemplo do ritmo intenso do filme, e que se tornaria um clichè do cinema de acção americano até hoje. A par dela, destaque ainda para as elaboradas (e quase documentais) perseguições a pé de um suspeito, a lembrar o que Raoul Walsh fizera com carros em “Fúria Sanguinária” (White Heat, 1949).

“Os Incorruptíveis contra a Droga” ganhou cinco Oscars da Academia, incluindo Melhor Filme (foi o primeiro filme de categoria R a receber o troféu), Melhor Realização, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Actor (Gene Hackman), bem como imensos outros prémios. Quatro anos depois John Frankenheimer dirigiu uma sequela deste filme, intitulada “Os Incorruptíveis Contra a Droga 2” (The French Connection II, 1975) novamente com Gene Hackman e Fernando Rey.

Produção:

Título original: The French Connection; Produção: D’Antoni Productions / Schine-Moore Productions; Produtor Executivo: G. David Schine; País: EUA; Ano: 1971; Duração: 104 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 9 de Outubro de 1971 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: William Friedkin; Produção: Philip D’Antoni; Argumento: Ernest Tidyman [baseado no livro de Robin Moore]; Música: Don Ellis; Fotografia: Owen Roizman (filmado em De Luxe); Montagem: Gerald B. Greenberg [como Jerry Greenberg]; Produtor Associado: Kenneth Utt; Direcção Artística: Ben Kasazkow; Cenários: Edward Garzero; Efeitos Especiais: Sass Bedig; Caracterização: Irving Buchman; Figurinos: Joseph Fretwell III.

Elenco:

Gene Hackman (Jimmy ‘Popeye’ Doyle), Fernando Rey (Alain Charnier), Roy Scheider (Det. Buddy Russo), Tony Lo Bianco (Sal Boca), Marcel Bozzuffi (Pierre Nicoli), Frédéric de Pasquale (Devereaux), Bill Hickman (Mulderig), Ann Rebbot (Marie Charnier), Harold Gary (Weinstock), Arlene Farber (Angie Boca), Eddie Egan (Simonson), André Ernotte (La Valle), Sonny Grosso (Klein), Benny Marino (Lou Boca), Patrick McDermott (Químico), Alan Weeks (Traficante), Al Fann (Informador), Irving Abrahams (Mecânico da Polícia), Randy Jurgensen (Sargento da Polícia), William Coke (Motorista), The Three Degrees (The Three Degrees).