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O meu ciclo - Luís Costa

Cinema e Capitalismo: Uma História de Amor/Ódio

por Luís Costa
autor do blog Polaroid Journal

Daniel Plainview: “I have a competition in me. I want no one else to succeed.”

O cinema nasceu no fim do século XIX e desde tenra idade que foi assediado pelo capitalismo, que viu nesta indústria uma enorme possibilidade de fazer grandes quantias de dinheiro. Sendo facilmente aceite pelas massas, pode dizer-se que de todas as artes a sétima é a que mais potencial de negócio apresenta. Poucos anos passaram desde a sua invenção e já existiam nos EUA grandes estúdios, que tinham como objectivo principal capitalizar ao máximo as suas estrelas e realizadores.

Mas cedo alguns cineastas começaram a revoltar-se contra o capitalismo e a usar a Sétima Arte como meio para o criticar e expor. Temos o excelente exemplo de Charlie Chaplin e o seu Modern Times (Tempos Modernos), um filme que apresentou a pobreza, desemprego, intolerância política e desigualdade económica criada pelo mundo industrializado. Para Chaplin “A Máquina deveria beneficiar a Humanidade e não ser a causadora de tragédia, ao reduzir os postos de trabalho”.

Contudo, Chaplin não foi o primeiro a insurgir-se contra o capitalismo. Seria impossível falar deste tema sem viajar até à União Soviética, um estado onde a orientação política e económica estavam no lado oposto do espectro, relativamente ao capitalismo. Alguns realizadores russos abordaram este tema, mas Sergei Eisenstein foi talvez o mais prolífico e famoso de todos. Para além de ter sido um dos cineastas que mais contribuiu para o avanço da sétima arte, Eisenstein era um propangadista que se opunha fortemente ao capitalismo, como bem podemos ver no seu Stachka (A Greve), de 1925.

"Wall Street" (1987)

Viajando até aos anos 80 e 90, encontramos três excelentes exemplos de filmes que pretendem demonstrar os aspectos negativos do capitalismo. Wall Street, Glengarry Glen Ross (Sucesso a Qualquer Preço) e The Insider (O Informador), realizados por Oliver Stone, James Foley e Michael Mann, respectivamente, são três obras que abordam este tema e o pintam de forma bastante negra. Ganância, desigualdade, competição desenfreada e manipulação são uma constante ao longo destes três filmes. O mais interessante é que tudo isto é feito em pleno mundo empresarial, contrariando a ideia de que este tipo de situação só ocorre em meios que associamos ao crime, como o tráfico de drogas ou a máfia.

Para uma abordagem mais real ao tema, podemos também ver dois óptimos documentários. Em Capitalism: A Love Story (Capitalismo – Uma História de Amor), do famoso realizador documental Michael Moore, deparamo-nos com uma viagem crítica, mas também cómica, ao mundo do capitalismo. Em Inside Job (Inside Job – A Verdade da Crise), de Charles Ferguson, o tema é abordado de uma forma mais séria e, pode também dizer-se, mais atual. Aqui, mergulhamos nas razões que levaram a esta crise mundial que vivemos. A relação corrupta entre o sistema financeiro e o estado Americano é o principal alvo, mas são também apresentadas as consequências, muitas vezes mundiais, de tal promiscuidade entre estes dois grupos.

Por fim, apresento aquele que para mim é “O” filme sobre o capitalismo. There Will Be Blood (Haverá Sangue), de Paul Thomas Anderson, é uma parábola sobre o nascimento do capitalismo. Daniel Plainview é a personificação desta forma selvagem de agir. Para ele, nada é mais importante do que ganhar, conquistar e sugar tudo o que pode até ao tutano. Plainview marca o nascer de uma nova era onde o capitalismo é a nova religião, onde Deus foi subsituído pelo dinheiro. Daniel Plainview é o Capitalismo.

"There will be Blood" (2007)

Filmes citados:

  • “A Greve” (Stachka, 1925) de Sergei M. Eisenstein
  • “Tempos Modernos” (Modern Times, 1936) de Charlie Chaplin
  • “Wall Street” (Wall Street, 1987) de Oliver Stone
  • “Sucesso a Qualquer Preço” (Glengarry Glen Ross, 1992) de James Foley
  • “O Informador” (The Insider, 1999) de Michael Mann
  • “Haverá Sangue” (There Will be Blood, 2007) de Paul Thomas Anderson
  • “Capitalismo – Uma História de Amor” (Capitalism: A Love Story, 2009) de Michael Moore
  • “Inside Job – A Verdade da Crise” (Inside Job, 2010) de Charles Ferguson
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