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O meu ciclo - António Tavares de Figueiredo

Entrei no Quarto Errado

por António Tavares de Figueiredo
autor do blog Matinée Portuense

Há filmes que são como quartos fechados. Divisões abandonadas, ocupadas por monstros escondidos e fantasmas esquecidos. Este é o Cinema desses abismos.

De Hitchcock, que os via do prédio da frente sem nada poder fazer, a Powell, que os filmava na pele de um assassino. Da sala destrancada de Buñuel, à esquizofrenia criativa de Harmony Korine. Do “Diabo” na Terra de Tarr à terra do Diabo de Friedkin. Do pesadelo expressionista de Wiene à sexualidade malsã de Rodrigues. Da obsessão do gesto, preso no espaço, de Akerman e, claro, dos quartos de Lynch. São estórias que, hipnóticas, nos convidam, sonhos que azedam, Arte que explora o fascínio pelo macabro e pelo mórbido, pelo lado proibido da Vida.

Por isso, deixo o convite: bram a porta, se se atreverem, e deixem-na fechar-se estrondosamente. Para quem passa esta fronteira não há retorno.

"Julien Donkey-boy" (1999)

Filmes escolhidos:

  • “O Gabinete do Dr. Caligari” (Das Cabinet des Dr. Caligari, 1920) de Robert Wiene
  • “A Janela Indiscreta” (Rear window, 1954) de Alfred Hitchcock
  • “A Vítima do Medo” (Peeping Tom, 1960) de Michael Powell
  • “O Anjo Exterminador” (El Ángel Exterminador, 1962) precedido de “Um Cão Andaluz” (Un Chien Anadalou, 1929) [curta-metragem] de Luis Buñuel
  • “Jeanne Diealman, 23 Quai du Commerce, 1800 Bruxelles” (1975) de Chantal Akerman
  • “Satan’s Tango” (Sátántangó, 1994) de Béla Tarr
  • “Julien Donkey-boy” (1999) de Harmony Korine
  • “O Fantasma” (2000) de João Pedro Rodrigues
  • “Bug” (Bug, 2006) de William Friedkin

Sessão Especial:

  • “Veludo Azul” (Blue Velvet, 1986) + “Estrada Perdida” (Lost Highway, 1997) de David Lynch
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