Etiquetas

, , , , , , , , ,

Easy RiderSinopse:

Após uma venda de droga bem sucedida na Califórnia, Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper) iniciam uma viagem de moto pelo deserto americano, que os levará a ver o Mardi Gras de Nova Orleães, antes de se retirarem na Flórida.

Pelo caminho recolhem um hippy (Luke Askew) que os tenta convencer a viver na sua comunidade. Mais tarde darão boleia a um advogado (Jack Nicholson) que quer deixar a sua vida, e elogia a liberdade individual.

Mas nem tudo corre bem, pois são desde logo evidentes as desconfianças que os amigos provocam nas localidades onde passam, com o seu exemplo de despreocupação, drogas, e aventura.

Análise:

Em 1969 “Easy Rider” surgiu como uma surpresa no cinema americano. Com o advento da televisão e as leis anti-trust aprovadas nas décadas anteriores, os anos 60 foram para o Studio system de Hollywood anos de declínio. Hollywood respondia com superproduções, écrã alargado, novos sistemas de cor e som, e até tentativas de 3D. Tudo isso encarecia os filmes e fazia com que cada um fosse um possível passo no caminho da falência dos grandes estúdios.

É neste contexto que o actor Dennis Hopper realiza o seu primeiro filme, com baixo orçamento, e uma equipa pouco profissional, quase como uma produção alternativa, em que ninguém apostava fortemente. O resultado foi um sucesso de bilheteira que veio mostrar que os Estados Unidos queriam um novo cinema, com novas ideias e uma nova geração.

“Easy Rider” é não só o resultado dessa nova realidade, como um espelho dela. É um filme que não se preocupa tanto em contar uma história, como em retratar um modo de vida, fazendo a sua apologia e propaganda.

Ao lado de Dennis Hopper está Peter Fonda, que também produz o filme, e o argumento (ao que consta improvisado durante as filmagens) é da autoria dos dois em conjunto com Terry Southern. Este conta-nos a história de Wyatt (Fonda) e Billy (Hopper), dois amigos que querem viver fora do sistema. O dinheiro que lhes vem de uma venda de drogas basta-lhes para que iniciem uma viagem de motos, pela paisagem aberta americana, entre Los Angeles e a Flórida.

Essa viagem é tanto literal como figurativa, já que representa também a viagem a este mundo alternativo, de dois aventureiros que querem viver o dia a dia sem amarras à sociedade, nem prisões culturais que os definam ou restrinjam. O atirar fora dos relógios simboliza essa liberdade, bem como a própria viagem de moto, com o vento nos rostos, e paragens para dormir a céu aberto.

Como normal num Road movie, o par encontra diversos personagens que nos vão fornecendo mais alguns olhares para a filosofia daqueles anos. Assim temos a boleia a um hippy (Luke Askew) que nos vai mostrar a sua comunidade, que vive livremente no deserto daquilo que produz. Temos depois o encontro com as autoridades, e consequente emparceiramento com George (Jack Nicholson), um jovem advogado que está em rebelião com a sua vida, e decide seguir com Wyatt e Billy, com quem aprende a fumar erva e a quem teoriza sobre a liberdade individual e o medo que ela traz às pessoas ditas “normais”.

Esse choque é simbolizado pela visita a um pequeno restaurante de aldeia, onde o aspecto dos três viajantes lhes vale o ódio da população. O mesmo vai acontecer no final da viagem, quando Wyatt e Billy são alvejados a tiro, apenas por parecerem diferentes.

Com largas referências ao consumo de drogas, como cocaína, marijuana e LSD (a sequência de Nova Orleãns, mostra-nos uma trip de LSD, recorrendo a técnicas avant-garde de filmagem), uma linguagem cheia de calão, o filme é uma constante lembrança de que os personagens principais representavam uma ameaça à sociedade. Esta não se devia ao seu comportamento, já que ambos são pacíficos, mas ao choque de valores que as suas opções representavam. Nesse sentido o seu sacrifício final, tem paralelos com a história de Cristo, já que também eles caminhavam para a sua Jerusalém, numa pregação em que traziam uma nova palavra de amor e liberdade.

Dennis Hopper traz-nos um filme que é mais contemplativo que narrativo, e onde a paisagem desempenha um papel fundamental. Aliás, tal advém da ideia de Hopper e Fonda de fazerem “Easy Rider” parecer um Western pós-moderno, pelo que os nomes dos personagens são referências a Wyatt Earp e Billy the Kid. Por isso o filme é maioritariamente filmado em exteriores, com luz natural. A par da paisagem também a música marca o filme. A banda sonora é feita de canções (geralmente tocadas na íntegra) rock que marcavam o período, por nomes como Steppenwolf, The Byrds, The Jimi Hendrix Experience, Roger McGuinn e The Band. Elas próprias eram a voz da nova geração, e símbolos da contra-cultura, uso de drogas, pacifismo, e revolta social.

“Easy Rider” foi premiado em Cannes, e viu Jack Nicholson ser nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário, ao mesmo tempo que recevia nomeação para Melhor Argumento. O filme tornou-se um marco, levando os estúdios de Hollywood a procurar produções de menor orçamento, entregues a jovens autores, que tivessem uma voz própria e inovadora em relação às gerações anteriores.

Produção:

Título original: Easy Rider; Produção: Columbia Pictures Corporation / Pando Company Inc. / Raybert Productions; Produtor Executivo: Bert Schneider; País: EUA; Ano: 1969; Duração: 92 minutos; Distribuição: Columbia Pictures; Estreia: 8 de Maio de 1969 (Festival de Cannes, França), 14 de Julho de 1969 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Dennis Hopper; Produção: Peter Fonda; Argumento: Peter Fonda, Dennis Hopper, Terry Southern; Fotografia: László Kovács; Produtor Associado: William L. Hayward; Director de Produção: Paul Lewis; Montagem: Donn Cambern; Direcção Artística: Jeremy Kay; Caracterização: Virgil Frye; Efeitos Especiais: Steve Karkus.

Elenco:

Peter Fonda (Wyatt), Dennis Hopper (Billy), Luana Anders (Lisa), Luke Askew (Estranho na Auto-estrada), Toni Basil (Mary), Karen Black (Karen), Warren Finnerty (Rancheiro), Sabrina Scharf (Sarah), Robert Walker Jr. (Jack), Jack Nicholson (George Hanson), Antonio Mendoza (Jesus), Phil Spector (Comprador), Tita Colorado (Mulher do Rancheiro), Sandy Brown Wyeth (Joanne), George Fowler Jr. (Guarda), Keith Green (Xerife), Arnold Hess Jr. (Adjunto do Xerife), Lea Marmer (Madame), David C. Billodeau (Camião Pickup), Johnny David (Camião Pickup).