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O meu ciclo - Francisco Rocha

A Escola de Barcelona

por Francisco Rocha
autor do blog My Two Thousand Movies

O blog do JC é provavelmente o único blog da blogosfera portuguesa com um formato idêntico ao meu, por isso quando ele me convidou para participar nesta sua rubrica, era mais do que obrigação minha corresponder, o que faço com toda a honra.

Quem conhece o meu blog, deve saber que por lá já passaram muitas dezenas de ciclos. Já vou com quase cinco anos da minha saga dos Thousand Movies. Foram muitos os ciclos que me deram prazer em fazer, desde o Cinema Chinês ou Sóviético, até ao Film Noir, passando pelos filmes de terror, mas senti que para este desafio devia fazer algo diferente. Ocorreu-me então um pequeno movimento que já tinha abordado dentro de um outro ciclo que fiz (o do cinema espanhol – ciclos dentro de ciclos, é uma das minhas marcas).

Este movimento em questão, chama-se “Escola de Barcelona”. Datado da década de 60, era um movimento cinematográfico nascido com o mesmo espiríto de rebelião que a Nouvelle Vague, ou o Free Cinema inglês.

A principal influência da escola de Barcelona era mesmo a Nouvelle Vague, influenciada em parte pela repressão franquista, com os intelectuais catalães ansiosos para alcancarem uma libertade criativa a que o governo se opunha. O seu contemporâneo cinema espanhol era chamado de cinema mesetario. Este, era um cinema “centralista” que era feito em Madrid, e de onde saíram nomes como Bardem, Berlanga, ou o que mais tarde seria denominado de Novo Cinema Espanhol, com Carlos Saura à cabeça.

"Fata Morgana" de Vicente Aranda

De certa forma, a obscuridade da Escola era conduzida pela crença comum de que os filmes que se faziam na altura só falavam de interesses locais e que, mesmo assim, faziam-no de forma imperfeita. Faltava o militante nacionalismo catalão, que se tornou ascendente alguns anos depois, ou o realismo social característico do Novo Cinema Espanhol (NCE). A Escola de Barcelona não poderia ser colocada em qualquer um dos principais campos de oposição da região.

Auto-intitulada como de esquerda (proclamando a sua influência francesa, e também fazendo referência às reuniões no mítico Bocaccio de Barcelona), a Escola de Barcelona foi um termo usado repetidamente por Ricardo Muñoz Suay da revista Fotogramas, que aglutinava todos os produtores ansiosos movidos pela burguesia da capital catalã. O grupo era formado de forma mais ou menos consciente por realizadores e produtores como: Vicente Aranda (o nome mais importante), Jacinto Esteva, Joaquim Jordá, Carlos Durán, José Maria Nunes (um português radicado em Barcelona), Ricardo Bofill, Jorge Grau, Pere Portabella, Jaime Way, Llorenç Soler e Gonzalo Suárez, Roman Gubern e Juan Amorós. De todos eles, Portabella e Esteva eram os seus principais produtores. Alguns dos realizadores deste movimento só fariam as suas obras mais importantes já nos anos 80.

Desta Escola de Barcelona viria também a surgir um dos festivais de cinema fantástico mais importantes do mundo, o de Sitgés (mas isso é outra história).

Não é fácil obter acesso destes filmes, já que na maioria são obras bastante underground. Só tenho quatro destas obras, mas penso que poderão ver alguns no You Tube. Vale a pena descobrir!

"Dante no es Únicamente Severo" de Jacinto Esteva

Filmes aconselhados:

  • “Mañana” (1957) de José Maria Nunes
  • “Día de Muertos” (1960) de Joaquim Jordà
  • [Left-Handed Fate] (Fata Morgana, 1965) de Vicente Aranda
  • “Raimon” (1966) de Carlos Durán [curta-metragem]
  • [Dante is not Simply Harsh] (Dante no es Únicamente Severo, 1967) de Jacinto Esteva
  • [The Exquisite Cadaver] (Las Crueles, 1969) de Vicente Aranda
  • “Liberxina 90” (1970) de Carlos Durán (supostamente o último filme do movimento)
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