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O meu ciclo - Johnny Kino

Viagens no Tempo

por Johnny Kino
autor do blog O Desconhecido do Norte Expresso

E se?

A razão pela qual a maior parte dos nerds gosta do conceito de viagens no tempo deve ser a minha avó. Ou, pelo menos, algo parecido com aquilo que ela costumava dizer: “Ah, meu filho… Se eu tivesse a tua idade e soubesse o que sei hoje!” (Não sei, exatamente, o que aquilo quereria dizer, mas desconfio. Contudo, há áreas das nossas dinâmicas familiares que convém, intencionalmente, deixar inexploradas…). Mas deixemos a minha avó de lado e coloquemos a pergunta óbvia: Qual o fascínio de poder viajar no tempo?>

Independentemente da resposta individual, tenho a certeza que o facto de podermos ultrapassar os nossos próprios limites terá algo a ver com este deslumbramento. O deixarmos de estar confinados a este espaço/tempo no qual nascemos, que conceito simplesmente extraordinário!

Como qualquer bom conceito, naturalmente que o cinema já se apropriou dele. Tratando-o como seu, tem ajudado a massificar, redefinir e expandir as fronteiras do mesmo. Pessoalmente, sinto-me atraído por viagens no tempo desde que me conheço. À medida que crescia este fascínio ia aumentando exponencialmente. Fui percebendo que as viagens no tempo poderiam responder àquilo que, profissionalmente, percebi serem as duas palavras emocionalmente mais avassaladoras: “E se?” E se tivesse feito aquilo e não isto? E se tivesse escolhido o outro caminho?— E se?…

Ora, o conceito de viagem no tempo permite responder a esta pequena questão! Então, se pudéssemos voltar atrás no tempo o que faríamos? Conhecer Jesus Cristo? Provavelmente não agora que já sabemos que tinha a cara do Diogo Morgado. Ver um dinossauro ao vivo e a cores? Certamente que não. Muitos dos nossos velhos políticos estão constantemente a fazer-se notar… Dar uma traulitada a Hitler enquanto ele tinha apenas 5 anos de modo a evitar a invasão da Polónia? Não creio. Desconfio até que terá sido isso que aconteceu para o tipo ficar assim… Então, o que raio faríamos?!?

Basicamente, qualquer pessoa que se preze aproveitaria a invenção da máquina do tempo para dizer ao totó do outro eu que, quando aquela miúda gira no 9º ano sorrir e piscar o olho, a resposta certa não é desatar a correr na direção oposta… Certo?

Sejam, então, bem-vindos ao meu ciclo de cinema: Johnny Kino’s rough guide to Traveling in Time! (versão: Filmes manhosos!)

O desafio deste ciclo era selecionar alguns filmes que, dentro do tema, melhor o definissem evidenciando o seu legado. Ora, correndo o risco de estar errado, este é daqueles temas que julgo que o leitor, de imediato, consegue incluir nele uma meia dúzia de filmes e, com facilidade, encontrar aqueles que o definem. Por isto, e desviando-me ligeiramente dos objetivos (as minhas desculpas, desde já, José Carlos!), apresento quatro filmes (estou farto de top’s cinco e três) que, em minha opinião, não contribuíram rigorosamente nada para a história do cinema nem para a evolução do conceito de viagens no tempo mas que, por razões perfeitamente pessoais, ocupam um lugarzinho na parte cinéfila do meu coração…

1. E se… Fosse possível dar umas cambalhotas com a Jane Seymour?

Este filme faz-me lembrar o anúncio do Impulse: “E se, de repente, um desconhecido lhe oferecer flores?”. O ponto de partida não é exatamente este, mas não anda muito longe – E se, de repente, uma velha senhora lhe entregar um relógio de bolso e lhe pedir “Volta para mim”?

Se essa velha senhora for Jane Seymour, acho muito bem que se engendrem todos os estratagemas para que tal possa vir a ocorrer. Atendendo a que esta senhora ocupa um lugar privilegiado no meu lote de miúdas giras do cinema, compreendo perfeitamente o disparate pegado de auto-hipnose que Christopher Reeve levou a cabo para voltar atrás no tempo, de modo a ficar não com a velha, mas com a nova senhora…

Este Somewhere in Time é um filme que vi apenas uma vez, algures na década de oitenta, perfeitamente por acidente. A razão pela qual o vi foi apenas uma: como ainda estava inebriado pela mais bela das Bond Girls (é favor ver/rever 007 – Vive e Deixa Morrer), não tive coragem de mudar de canal quando vi Jane Seymour (pensando bem, para que raio de canal haveria de mudar em plenos anos 80?!). É um daqueles filmes pelos quais só tenho memórias afetivas, não conseguindo perceber se se trata de um filme razoável ou não. Provavelmente, se o visse hoje, achá-lo-ia um pastelão… Ou não! Apaixonar-me-ia novamente…

Conclusão: Acho que vou ter de me hipnotizar até 1979…

2. E se… Verificasse que, numa fotografia do século XIX, alguém empunhava uma Magnum 357?

Este é o pretexto de Timestalkers, um filme alucinado de 1987, em que um contemporâneo professor de história se apercebe que, numa fotografia tirada no velho oeste americano, um dos atiradores empunha um moderno pistolão. Apesar de vários testes realizados, que lhe confirmam a legitimidade da fotografia, o que raio está uma magnum 357 (ou 358, confundo sempre as duas) a fazer numa fotografia tirada 100 anos antes de ela ter sido inventada?

Este é um daqueles filmes em que o ponto de partida é empolgante mas que, rapidamente, se perde na parvoeira gerada a seguir. O elemento mais interessante do filme é mesmo o tentar perceber como é que é geneticamente possível Klaus Kinski ter tido a filha que teve… (atendendo ao cuidado do presente blog em não suscetibilizar leitores mais sensíveis, deixamos apenas uma fotografia de Nastassja Kinski, perfeitamente gratuita, que nada tem a ver com o filme em causa, mas que fica sempre bem em qualquer lado).

Conclusão: comprem magnuns na altura certa (que é o Verão e têm sempre sabores novos)

3. E se… Se andasse para a frente, que tal?

Esta era uma questão que fazia quando era miúdo: “O que aconteceria se andássemos muito, muito, muito para a frente no tempo? O que encontraríamos?” H. G. Wells deve ter ouvido a minha pergunta ao escrever o clássico The Time Machine. Por sua vez, George Pal realizou um filme fantástico, imbuído daquela ingenuidade (nunca mais recuperada) da cinematografia B americana das décadas de 50 e 60. Nunca um filme teve uma máquina do tempo tão catita e bem desenhada. Mas, como falávamos das questões genéticas, Wells foi avô. E, o seu neto, julgando ser realizador, decidiu readaptar o clássico que flui na família. Se tivesse estado sossegadinho teria, provavelmente, feito melhor. A Máquina do Tempo, de 2002 é, basicamente, como este texto: não acrescenta rigorosamente nada ao assunto. Pelo contrário, mexe no que está quieto! A tentativa de romance, com Samantha Mumba, sai completamente furada e o pseudo-humor, recorrendo a Orlando Jones, é perfeitamente incipiente.

Conclusão: Wells neto devia ter usado a máquina para ter ido falar com Wells avô (poderiam, eventualmente, e para facilitar o encontro, entrar-se numa loja Wells perto de si…)

Peggy Sue Got Married

4. E se… Enfiássemos Napoleão numa cabina telefónica?

Uma abordagem aos filmes manhosos sobre viagens no tempo não estaria completa (como se esta estivesse!) sem aquele que capta o desejo secreto de qualquer aluno quando lhe é pedido para que faça um trabalho sobre… enfim, qualquer coisa: Bill and Ted’s Excellent Adventure.

Este é, se a memória não me falha, um dos filmes mais parvos que vi na minha adolescência! De modo a poderem terminar o ensino secundário, Bill e Ted, pretendentes a roqueiros, têm de terminar um trabalho de História. Como as coisas não correm particularmente bem, obtêm ajuda de um emissário do futuro que os informa que, de onde vem, a música deles é a base de toda a sociedade (?!?). Sem este trabalho, não há cerimónia de graduação. Sem graduação, não há banda. Sem banda, não há música. Sem música, não há sociedade futurista (ufa…)
Assim, para o trabalho, disponibiliza uma cabina telefónica que percorre os circuitos do tempo…

Conclusão: Dr. No sob efeito de ácido!

A pedido de inúmeras famílias (na realidade, não! Foi só o José Carlos que sugeriu que acrescentasse mais alguns filmes ao este mini-ciclo) deixo, ainda, umas sugestões para outros possíveis ciclos sobre viagens no tempo (aqueles que, efetivamente, devem ser vistos):

Johnny Kino’s rough guide to Traveling in Time! versão: Os Clássicos

Trilogia (de três!) Regresso ao Futuro – Qualquer ciclo que se preze sobre este tema não pode esquecer estes clássicos de Robert Zemeckis. Roads?! Where we’re going we don’t need roads…

Peggy Sue Casou-se – Alguém que me entende! Copolla mandou Kathleen Turner (na altura ainda podia porque era magrita) atrás no tempo para, efetivamente, fazer alguma coisa de jeito com a sua vida sentimental…

A Experiência de Filadélfia – Porta-aviões. Segunda Guerra Mundial. Nancy Allen. Anos 80. Não é preciso dizer mais nada.

Retroactive – James Belushi como nunca o vimos (a fazer de mauzão) num filme premiado no Fantasporto, em 1998.

12 MacacosOveracting de Brad Pitt contrabalançada por uma atuação contida de Bruce Willis. Argumento alucinado e uma realização segura de Terry Giliam. Resultado? Um filme interessante com uma Madeleine Stowe particularmente gira…

Twelve Monkeys

Johnny Kino’s rough guide to Traveling in Time! versão: Os putos mais novos

Looper – Simples. Eficaz. Old school q.b. Contudo, não devia ter ligado o complicómetro lá pelo meio…

Código Base – Começo, sinceramente, a gostar bastante do filho do David Bowie. Depois do muito bom Moon, veio este que se revelou igualmente interessante (e com um aditivo giríssimo: Michelle Monaghan).

Os Cronocrímenes – Este está aqui porque ainda não vi! O que é lamentável porque está na minha lista Já devias ter visto e ainda não consegui…

Efeito Borboleta – Ora aqui está um conceito original que é brutalmente esventrado pelos seus sucessores. Ashton Kutcher (em modo suportável) num filme a ver/rever.

Déjà Vu – Tony Scott a mostrar porque foi um dos grandes nomes da ação nos anos 80. E Paula Patton a mostrar porque foi escolhida para o Missão Impossível 4 (pista: pernas!)

(Raios te partam José Carlos! Acabei por apresentar, não um, mas dois Top 5…) 😉

Filmes citados:

  • A Máquina do Tempo (The Time Machine, 1960) de George Pal
  • Somewhere in Time (1980) de Jeannot Szwarc
  • A Experiência de Filadélfia (The Philadelphia Experiment, 1984) de Stewart Raffill
  • Regresso ao Futuro (Back to the Future, 1985) de Robert Zemeckis
  • Peggy Sue Casou-se (Peggy Sue Got Married, 1986) de Francis Ford Coppola
  • Retroactive (1987) de Louis Morneau
  • Timestalkers (1987) de Michael Schultz
  • A Fantástica Aventura de Bill e Ted (Bill and Ted’s Excellent Adventure, 1989) de Stephen Herek
  • Regresso ao Futuro II (Back to the Future Part II, 1989) de Robert Zemeckis
  • Regresso ao Futuro III (Back to the Future Part III, 1990) de Robert Zemeckis
  • 12 Macacos (Twelve Monkeys, 1995) de Terry Gilliam
  • Efeito Borboleta (The Butterfly Effect, 2004) de Eric Bress e J. Mackye Gruber
  • Déjà Vu (Déjà Vu, 2006) de Tony Scott
  • Os Cronocrimes (Los Cronocrímenes, 2007) de Nacho Vigalondo
  • Código Base (Source Code, 2011) de Duncan Jones
  • Looper – Reflexo Assassino (Looper, 2012) de Rian Johnson
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