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O meu ciclo - Carlos Branco

O Giallo

por Carlos Branco
autor do blog Planos perpétuos

Quando Mario Bava realizou em 1963 o filme “La ragazza che sapeva troppo”, em inglês “The Girl Who Knew Too Much”, provavelmente não se apercebeu que estava a fundar aí um movimento. O Giallo surgiu como resposta italiana ao thriller Hitchcockeano reconhecendo nele clara influência, mas características muito próprias resultaram num subgénero de cinema que encontrou eco do outro lado do oceano. Tal o movimento seus momentos de maior intensidade e transformação trouxe Dario Argento quando fez “O Pássaro com Plumas de Cristal” em 1970 globalizando o subgénero juntamente com Fulci ou Martino entre outros que caracterizaram os caminhos misteriosos da morte e da sedução, do erotismo ao espectáculo do terror ou da perversão mais orgásmica e cruel.

O que o fez um movimento emancipado do estilo de Hitchcock, foi com certeza a forma como se evoluiu para uma trama muito mais centrada nas tensões psicóticas versus tensões eróticas em torno da vítima e do agressor, e a forma como se captou essa tensão. Ao movimento a sua identidade, e cedo se percebe que fria a morte num corpo quente tem outro impacto se captada por grandes planos e sádicos pormenores de sexualidade. O assassino é implacável e a sua perseguição, tão intensa como fantasmagórica, atormenta as mais indefesas vitimas ao batuque progressivo da composição psicadélica dos Goblin ou de Bruno Nicolai. Refugiada nas sombras, a morte é do choque e do sangue fervendo no gume da faca empunhada pelas luvas sem cara. É muito interessante a captação que se faz desses instantes cortantes, dessa troca do sexo pela morte e da beleza pela abominação reflectida no close up do olhar de quem sabe que vai ser feito em pedaços num conjunto inteiro de dor e em que cujo remorso o agressor parece não sentir quando a incute.

O Giallo caracteriza-se pois por si num todo imaginado que toma a parte mais surreal da emoção e que convive com os impulsos mais fantásticos orbitando no terreno da exploração do mais puro suspense ao mais apaixonado romance. Os filmes que proponho neste ciclo são o reflexo deste bailado que se parece ser como um encontro entre a fuga e o confronto, no palco onde se despem as sensações mais cruas e instintivas e onde só se morre ao último suspiro.

Profondo Rosso

Filmes propostos:

  • A Rapariga Que Sabia Demais (La Ragazza che Sapeva Troppo, 1963) de Mario Bava
  • [Blood and Black Lace] (Sei Donne per l’assassino, 1964) de Mario Bava
  • O Pássaro com Plumas de Cristal (L’uccello dalle Piume di Cristallo, 1970) de Dario Argento
  • [The Case of the Scorpion’s Tail] (La Coda dello Scorpione, 1971) de Sergio Martino
  • O Ventre Negro da Aranha (La Tarantola dal Ventre Nero, 1971) de Paolo Cavara
  • O Estranho Vício da senhora Ward (Lo Strano Vizio della Signora Wardh, 1971) de Sergio Martino
  • [A Bay of Blood] (Reazione a Catena, 1971) de Mario Bava
  • A Lagartixa com Pele de Mulher (Una Lucertola con la Pelle di Donna, 1971) de Lucio Fulci
  • O Perfume da Senhora de Negro (Il Profumo Della Signora in Nero, 1974) de Francesco Barilli
  • [Rabid Dogs] (Cani Arrabbiati, 1974) de Mario Bava
  • [The Killer Must Kill Again] (L’assassino è Costretto ad Uccidere Ancora, 1975) de Luigi Cozzi
  • O Mistério da Casa Assombrada (Profondo Rosso, 1975) de Dario Argento
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