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The KillersSinopse:

O assassínio de um pacato cidadão de Brentwood, conhecido como O Sueco, por dois forasteiros, levanta uma investigação por parte da companhia que o segurava. Em particular, o investigador Riordan fica curioso com a presença de um lenço que lhe lembra algo do passado. Incansavelmente, e contra as indicações do seu superior, Riordan vai começando a entrevistar, pessoa após pessoa, todos aqueles que consegue ligar ao passado do Sueco. Cedo percebe que está perante uma história de crime por trás da qual há muito por desvendar.

Análise:

Ao vermos “Assassinos” não podemos deixar de pensar em “Um Mundo aos seus Pés” (Citizen Kane, 1941) de Orson Welles. Realizado cinco anos depois do filme de Welles, “Assassinos” segue a ideia de começar com uma morte (numa sequência inicial brilhante), e explicar a vida do homem através de uma série flashbacks motivados pelas narrações daqueles que o conheceram.

Se é verdade que o Film Noir sempre usou o flashback como uma das suas ferramentas narrativas, o habitual era ele centrar-se num só personagem, geralmente o anti-herói sobre quem todas as incidências da história recaíam. Neste sentido o filme de Siodmak afasta-se um pouco dos padrões usuais. O personagem que acompanhamos, o investigador Jim Riordan (Edmond O’Brien) não sofre os efeitos daquilo que investiga, e expressa uma moralidade bastante sólida, ao procurar apenas cumprir o seu dever, trabalhando para aquilo que lhe paga o salário. Não é por isso o anti-herói Noir clássico, sendo antes o mediador do espectador, que com ele assiste ao desenrolar da história.

O papel do protagonista Noir pertence aqui ao morto, o elusivo “Sueco” (Burt Lancaster), de quem sabemos tão pouco, e entendemos ainda menos. Filmado a partir de uma história de Ernest Hemingway, o enredo de Anthony Veiller (e dos não creditados por razões contratuais John Huston e Richard Brooks) é uma complexa narrativa de múltiplas traições, onde flashback após flashback se vai clarificando sempre um pouco mais o papel de cada personagem.

Aos poucos descobrimos como o discreto Sueco fora alguém famoso, que caiu no mundo do crime, arrastado pela mulher errada, a fatal Kitty Collins (Ava Gardner no seu primeiro papel importante), e o seu cúmplice, o clássico vilão Big Jim Colfax (Albert Dekker).

Mesmo com uma suposta história de amor como motivação, o Sueco e Kitty permanecem enigmáticos até depois de o filme terminar. Nunca nos é mostrado o que os une ou separa, nem a forma como ambos o superam.

O então estreante Burt Lancaster interpreta um personagem demasiado inocente, e nem sempre muito inteligente, que deixa sempre no ar um sinal de fraqueza, bem espelhada na passividade com que espera a morte, ou no flashback da luta, que simbolicamente funciona como o prenúncio da sua queda. Já Ava Gardner, como sua oponente, é a fria e calculista mulher fatal, que engana quando supostamente diz a verdade, e usa a verdade apenas para enganar. A forma como diz numa das suas primeiras falas “não suportaria ver um homem de quem gosto ser magoado” faz-nos pensar a que níveis nos quer levar a imaginar a veracidade da frase. Ilustrativa da natureza de Kitty é também a cena final em que, perante a morte do ente amado, Kitty apenas se preocupa em arrancar-lhe as palavras que a salvem.

Robert Siodmak (nomeado para o Oscar de melhor realização) mais uma vez mostrava a sua propensão para o Noir como o género que lhe marcaria a carreira, conseguindo um filme forte e cru, onde cada sequência soa como um tiro abrindo mais um buraco no mistério. Obedecendo à linguagem visual do Noir, “Assassinos” chega a ser exuberante nos cenários, planos e uso da luz, como não podia deixar de ser quando o realizador provinha da escola do expressionismo alemão.

Produção:

Título original: The Killers; Produção: Mark Hellinger Productions, Inc. / Universal Pictures Company Inc.; País: EUA; Ano: 1946; Duração: 103 minutos; Distribuição: Universal International; Estreia: 28 de Agosto de 1946 (EUA), 22 de Julho de 1948 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Robert Siodmak; Produção: Mark Hellinger; Argumento: Anthony Veiller, John Huston [não creditado] e Richard Brooks [não creditado], a partir de uma história de Ernest Hemingway; Música: Miklos Rozsa; Fotografia: Woody Bredell (preto e branco); Montagem: Arthur Hilton; Direcção Artística: Martin Obzina, Jack Otterson; Cenários: Russell A. Gausman, E.R. Robinson; Efeitos Especiais: D.S. Horsley; Figurinos: Vera West; Caracterização: Jack P. Pierce.

Elenco:

Burt Lancaster (Ole ‘Sueco’ Andreson), Ava Gardner (Kitty Collins), Edmond O’Brien (Jim Riordan), Albert Dekker (Big Jim Colfax), Sam Levene (Tenente Sam Lubinsky), Vince Barnett (Charleston), Virginia Christine (Lilly Harmon Lubinsky), Jack Lambert (‘Dum-Dum’ Clarke), Charles D. Brown (Packy Robinson – Empresário de Ole), Donald MacBride (R.S. Kenyon), Charles McGraw (Al), William Conrad (Max).

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