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A Midsummer Night's Sex ComedyEm 1982 Woody Allen desligou-se da United Artists, e fez o seu primeiro filme para a produtora Orion Pictures. O filme marca ainda a primeira colaboração de Allen com a actriz Mia Farrow, que participaria desde então em todos os filmes do realizador até 1992 (um total de 13 filmes). O papel de Farrow fora originalmente escrito para Diane Keaton, mas esta acabara por ficar sem tempo devido a outros projectos. O filme é ainda a quarta vez em que Tony Roberts contracena com Woody Allen. Terá sido escrito em duas semanas e filmado em dois meses, para queimar tempo durante a longa pós-produção de “Zelig”.

Sinopse:

Andrew (Woody Allen) e a esposa Adrian (Mary Steenburgen) preparam-se para receber na sua casa de campo o tio, e brilhante intelectual, Leopold (José Ferrer) nas vésperas do seu casamento com Ariel (Mia Farrow). Convidado é também o melhor amigo de Andrew, o médico playboy Maxwell (Tony Roberts), que traz consigo a jovem enfermeira Dulcy (Julie Hagerty) a sua última conquista.

Tudo se complica quando Andrew, descobre que a noiva, Ariel, é um seu antigo interesse romântico, facto que esconde da esposa, já que a vida sexual do casal não anda bem. Quando Maxwell se começa também a interessar por Ariel, cujo noivo Leopold por sua vez se deixa entusiasmar pela jovem Dulcy, o fim de semana torna-se um jogo de escondidas, encontros proibidos, disputas e surpresas.

Análise:

Um ano depois do incompreendido “Recordações”, Woody Allen voltou a filmar um filme de ensemble (o segundo, já que o primeiro fora “Intimidade”), algo que o caracterizaria, sendo o primeiro em que ele próprio participa, já que até aí todos os filmes por si interpretados se centravam no seu personagem.

Woody Allen voltava a um terreno mais clássico, com um filme que era de certo modo reminiscente do seu filme “Nem Guerra, Nem Paz” (Love and Death, 1975). Como ele, “Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão” traz-nos uma história passada noutro tempo, banda sonora clássica (Mendelssohn), cenários campestres, inspiração literária (desta vez Shakespeare), e uma história romântica de peripécias burlescas.

Agora mais contido que em 1975, “Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão” baseia a sua comédia no ridículo dos desejos e motivações dos personagens, num autêntico festival de não estar bem com o que se tem. De facto o que une os seis personagens principais é a alienação que procuram para as suas vidas, a necessidade de acreditar em algo diferente daquilo que têm diante dos olhos, o que é concretizado na busca de amores proibidos.

Assim, Leopold o intelectual, e fanático da razão, deixa-se levar pela luxúria da jovem Lucy. Andrew, o contabilista, perdido no seu casamento e com a frigidez da esposa Adrian, refugia-se em invenções inúteis. Perante uma antiga paixoneta, primeiro nega o interesse empurrando o seu amigo para Ariel, e depois procura-a para si, esquecendo o próprio casamento. Maxwell é um eterno adolescente, que foge ao compromisso, mas que se quer convencer que pode amar para sempre após conhecer Ariel. Quanto a Ariel, casa pela razão e estabilidade, depois de uma vida sexualmente muito aventurosa, mas anseia descobrir a paixão que poderá vir de Maxwell ou Andrew.

Por fim Adrian e Dulcy, são as personagens menos predominantes, a primeira amargurada na sua incapacidade de fazer o marido feliz, a segunda demasiado inconsciente para ter preocupações. Mais uma vez as mulheres de Woody Allen estão entre essa habitual dicotomia. De um lado a mulher complexa, fascinante, mas difícil de compreender. Do outro a mulher feliz, simples, mas desinteressante.

Como tema principal temos a essência das relações amorosas, o que as mantêm ou pode destruir. A ele juntam-se as habituais preocupações de índole sexual, e o conflito entre a razão e a emoção, aqui dando azo a violentas discussões, envolvendo os personagens de Jose Ferrer e Tony Roberts.

Tendo como pano de fundo a peça de Shakespeare “Sonho de uma Noite de Verão” (A Midsummer Night’s Dream), o filme inspira-se ainda em “Sorrisos de Uma Noite de Verão” (Smmarnattens Leende, 1955) de Ingmar Bergman, o qual também apresenta uma história de constantes mudanças de parceiros amorosos no decorrer de uma noite.

Com uma fotografia extraordinária, e um ritmo bem conseguido, o filme procura viver da química entre os actores, e esta nem sempre é evidente. Não sendo suficientemente divertido quando deveria ser uma comédia, nem suficientemente inteligente quando nos deveria provocar, “Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão” não consegue trazer nada de novo, e mesmo as habituais tiradas de Woody Allen parecem aqui gastas e apagadas. Apesar do seu final feliz, em jeito de conto de fadas, prometendo-nos ser possível acreditar em algo mágico nas nossas vidas, o filme não passa de uma boa ideia que não chega a concretizar-se.

Produção:

Título original: A Midsummer Night’s Sex Comedy; Produção: Orion Pictures Corporation; Produtor Executivo: Charles H. Joffe; País: EUA; Ano: 1982; Duração: 88 minutos; Distribuição: Orion Pictures Corporation / Warner Bros. Pictures; Estreia: 16 de Julho de 1982 (EUA), 7 de Janeiro de 1983 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Woody Allen; Produção: Robert Greenhut; Argumento: Woody Allen; Música: Félix Mendelssohn; Produtor Associado: Michael Peyser; Montagem: Susan E. Morse; Figurinos: Santo Loquasto; Design de Produção: Mel Bourne; Fotografia: Gordon Willis; Direcção Artística: Speed Hopkins; Cenários: Carol Joffe; Caracterização: Fern Buchner.

Elenco:

Woody Allen (Andrew), Mia Farrow (Ariel), José Ferrer (Leopold), Julie Hagerty (Dulcy), Tony Roberts (Maxwell), Mary Steenburgen (Adrian), Adam Redfield (Esudante Foxx), Moishe Rosenfeld (Mr. Hayes), Timothy Jenkins (Mr. Thomson), Michael Higgins (Reynolds), Sol Frieder (Carstairs), Boris Zoubok (Purvis), Thomas Barbour (Blint), Kate McGregor-Stewart (Mrs. Baker).

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