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Dr. Mabuse, der SpielerSinopse:

Parte I – The Great Gambler: A Picture of the Times (Part I – Der große Spieler: Ein Bild der Zeit)
O Doutor Mabuse, o génio do crime, desvia um contrato comercial, para obter informações, com as quais prepara um golpe na bolsa, que explora com enorme lucro.

Mais tarde, dando um nome falso, Mabuse ganha a confiança do milionário Edgar Hull, para entrar no seu clube, e lá ganha uma pequena fortuna às cartas, usando a hipnose para distrair o adversário, colocando depois a sua acólita Carozza junto de Hull.

O promotor público von Wenck, investiga a história de Hull, crendo estar na pista do mestre do crime a que chama “Grande Desconhecido “. Von Wenck acompanha Hull e Carozza a outro jogo, mas distrai-se a falar com a Condessa Told, e não vê mais um golpe de Mabuse.

Disfarçado, von Wenck vai a mais um clube e Mabuse tenta hipnotizá-lo. Von Wenk resiste e persegue-o até ao seu hotel em vão. No regresso entra num táxi, conduzido por Georg, o motorista de Mabuse, que o gaseia e o deixa num barco à deriva. Mabuse percebendo que Hull colaborara com von Wenck, pede a Carozza que o leve a um novo casino ilegal. Na rusga ao casino, Hull foge com Carozza, mas Georg espera na rua para o matar. Na sequência Carozza é presa.

Para a fazer falar, von Wenck pede ajuda à Condessa Told. Fazendo-se passar também por prisioneira, a Condessa ouve Carozza contar-lhe do seu amor por Mabuse, e apieda-se dela, desistindo de ajudar a polícia. Em casa da Condessa, Mabuse assiste a uma séance, e dedide criar uma distracção para raptar a Condessa, levando o marido desta a fazer batota (e ser descoberto) às cartas.

Parte II — Inferno: A Paly about People of our Time (Part II – Inferno: Ein Spiel um Menschen unserer Zeit)
O Conde Told, pede a von Wenck que investigue o desaparecimento da esposa, e depois pede ajuda ao Doutor Mabuse, que o isola de todos, aumentando-lhe a depressão.

Para que Carozza não fale, Georg, disfarçado de polícia, dá-lhe veneno, com o qual ela se suicida. Entretanto Pesch, outro dos homens de Mabuse, disfarçado de electricista, armadilha o gabinete de von Wenck com bombas. Von Wenck consegue perceber o plano e escapar ileso.

O aprisionado Pesch é morto por um atirador, numa multidão arranjada por Mabuse, que decide então deixar a cidade, e pede à Condessa que o acompanhe a bem. Como ela recusa, Mabuse decide matar-lhe o marido, o que faz sugestionando-o a tal.

Quando von Wenck investiga a morte do conde, descobre que este era tratado por um psicoanalista, e chega ao Doutor Mabuse. Este conta que pensa que o conde estaria sob influência de um hipnotista, que dá exibições num teatro local.

Von Wenck decide assistir a uma exibição, sem perceber que o hipnotista é nem mais que Mabuse noutro dos seus disfarces. Durante a exibição, Mabuse, usando volutários do público, hipnotiza von Wenck, para sair e atirar o carro de um precipício. Von Wenck sai com essa disposição, mas os seus homens conseguem travá-lo a tempo.

Von Wenck percebe finalmente quem Mabuse é, e cerca a sua casa. Mabuse não se rende e o tiroteio começa. Hawasch e Fine são mortos, Spoerri e Georg são aprisionados, e a Condessa é salva. O Doutor Mabuse foge por túneis secretos até à casa de falsificação de Hawasch, mas fica aí preso, pois as portas não abrem do lado de dentro.

No pânico que se segue, Mabuse vê os fantasmas das suas vítimas, e enlouquece. Spoerri é interrogado e descobre onde fica a casa. Von Wenck chega com os seus homens e aprisiona o enlouquecido Doutor Mabuse.

Análise:

“Doutor Mabuse” é uma complexa história de crime, e talvez o primeiro grande filme de histórias de gangsters, de enorme influência para os realizadores que se seguiram.

Dr. Mabuse é-nos mostrado como um génio, que ganha a confiança das suas vítimas, surgindo em diferentes papéis na alta sociedade, para manipular, seduzir, hipnotizar, enganar, chantagear, e assim tecer uma complexa teia de relações e jogos de influência que deixa as suas vítimas sem saber o que as atingiu.

Da bolsa aos casinos, passando por festas da alta sociedade e falsificação de dinheiro, o Dr. Mabuse parece estar em todo o lado, e ter o seu dedo em tudo o que seja crime importante, jogando com as vidas e personalidades de todos os que se atravessam no seu caminho (de notar a cena inicial em que joga com cartas que são rostos de pessoas importantes).

Tudo isto é narrado ao longo de quase 4 horas, pela mão de Fritz Lang que, usando a sua linguagem expressionista, consegue criar um ambiente negro, de constante ansiedade e tensão. O génio de Lang está em conseguir que o filme nunca seja repetitivo, não pareça longo, e tenha acção constante, num jogo de gato e de rato aparentemente interminável, que se vale de uma montagem elaborada, bastante sofisticada para a época.

Sendo um dos filmes menos estilizados do expressionismo alemão (com excepções como a cena do delírio final de Mabuse), tem por isso um aspecto mais moderno, mas é ainda o jogo de luzes e sombras que domina esteticamente, reforçando (através de sombras, corredores e decorações elusivas) a teia labiríntica em que os personagens se movem.

Os temas são caros à época, como o criminoso anti-herói, a hipnose, a paranóia, que nos surgem como exemplos submundo da Weimar do pós-guerra, de alienação e decadência da alta sociedade, presa fácil para homens sem escrúpulos. É quase uma alegoria à Weimar que, sem valores, estava à deriva para ser agarrada por demagogos hipnóticos, como Adolf Hitler.

No argumento de Thea von Harbou (então esposa de Fritz Lang) os personagens são sempre multidimensionais, amam, sofrem, sentem culpa, pânico, perda, dor, deprimem-se na ansiedade por algo mais, ou resignam-se à letargia dos tempos.

Destacam-se as brilhantes interpretações dos dois oponentes principais: Rudolf Klein-Rogge, no papel de um dos vilões mais interessantes do cinema e Bernhard Goetzke, como o seu incansável perseguidor.

O sucesso do projecto levou Fritz Lang e Thea von Harbou, a convencer o escritor Norbert Jacques a escrever mais uma história de Dr. Mabuse, directamente para um novo filme, “O Testamento do Dr. Mabuse” (Das Testament des Dr. Mabuse, 1933), também com Rudolf Klein-Rogge como Mabuse. A trilogia seria completada em 1960 com “O Diabólico Dr. Mabuse” (Die 1000 Augen des Dr. Mabuse), menos considerado pelos críticos. O personagem seria recuperado em vários outros filmes nas décadas de 60 e 70.

Produção:
Título original: Dr. Mabuse, der Spieler [Título inglês: Dr. Mabuse, the Gambler]; Produção: Uco-Film GmbH der Decla-Bioscop AG; País: República de Weimar (Alemanha); Ano: 1922; Duração: 195 minutos na versão original [mais longa versão restaurada: 297 minutos]; Distribuição: Universum Film (Ufa) (Alemanha); Estreia: 26 de Maio de 1922 (Alemanha), 20 de Fevereiro de 1924 (Portugal, Cinema Central).

Equipa técnica:
Realização: Fritz Lang; Produção: Erich Pommer; Argumento: Fritz Lang, Thea von Harbou [a partir das obras de Norbert Jacques]; Música Original: Konrad Elfers, Osmán Pérez Freire, Michael Obst; Fotografia: Carl Hoffmann; Direcção Artística: Otto Hunte, Erich Kettelhut, Karl Stahl-Urach, Karl Vollbrecht; Guarda-roupa: Vally Reinecke.

Elenco:
Rudolf Klein-Rogge (Dr. Mabuse), Aud Egede Nissen (Cara Carozza, a bailarina), Gertrude Welcker (Condessa Dusy Told), Alfred Abel (Conde Told), Bernhard Goetzke (Promotor Público von Wenck), Paul Richter (Edgar Hull), Robert Forster-Larrinaga (Spoerri), Hans Adalbert Schlettow (Georg, o motorista), Georg John (Pesch), Karl Huszar [Charles Puffy] (Hawasch), Grete Berger (Fine, uma criada), Lydia Potechina (a russa), Julius Falkenstein (Karsten), Julius E. Herrmann (Emil Schramm), Julietta Brandt (Julie Brandt).