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PhantomSinopse:

A história é-nos narrada em flashback, quando Lorenz Lubota recebe da esposa Marie um livro onde escrever os acontecimentos que o atormentam.

Tudo começa em casa dos Lubota, os irmãos Lorenz, Hugo e Melanie, que vivem com a sua mãe. Lorenz é um empregado da câmara, que vive a sonhar nos livros que lê, e a escrever poemas, que o encadernador Starke tenta publicar, pois a sua filha, Marie, é apaixonada por Lorenz, sem que este o saiba.

Um dia Lorenz é quase atropleado por Veronika Harlan, e apaixona-se pela sua beleza, não conseguindo fazer mais que pensar nela. Entretanto a sua irmã Melanie sai de casa, para desconsolo da mãe, para viver a sua vida boémia nocturna.

Em casa da penhorista Schwabe, sua amiga, Lorenz conhece Wigottschinski, que percebendo como a rica senhora confia em Lorenz elabora um plano para lhe extorquir dinheiro. Lorenz e Wigottschinski encontram Melanie num cabaret, e no regresso a casa, Wigottschinski diz a Lorenz que Veronika Harlan vai casar.

No dia seguinte Lorenz vai a casa dos Harlan, mas o pai de Veronika diz-lhe apenas que volte passado um ano. Num restaurante, Lorenz encontra a Baronesa e a sua filha Melitta que acha muito parecida a Veronika e almoça com elas. Em casa da Baronesa, ambas lhe sugerem que ele precisa de dinheiro para manter a relação, e Lorenz, entretanto informado por Starke que os seus poemas não vendem, cai nas mãos de Wigottschinski.

Sob influencia deste, Lorenz diz a Schwabe que precisa de dinheiro para lançar a sua carreira de poeta, e ela acede. Wigottschinski fica com metade do dinheiro, e Lorenz gasta o resto com os gostos caros de Melitta. Quando Schwabe vai a casa dos Lubota saber notícias de Lorenz, descobre a mãe deste doente, após ter recebido a notícia do despedimento do filho. Lorenz não vem a casa há dias, e a mãe não sabe do dinheiro.

Schwabe chama Lorenz, e ele confessa não ter já o dinheiro, ao que ela lhe dá três dias para o devolver. Enquanto a mãe de Lorenz, apenas tratada por Hugo, cai doente, Lorenz aconselha-se com Wigottschinski, que diz que a única solução é roubar a penhorista. Nessa noite Wigottschinski seduz Schwabe, e quando ela dorme abre a porta a Lorenz. Juntos tentam abrir o cofre, mas ela é acordada por uma campainha e descobre-os. Na confusão Wigottschinski mata Schwabe, e tanto ele como Lorenz vão presos. Melanie que os ajudava foge, e vai a casa despedir-se de Hugo e da mãe, que está a morrer.

Após cumprida a pena, Marie Starke e o seu pai esperam Lorenz. Lorenz e Marie casam, e agora que a história foi posta no papel, podem viver felizes.

Análise:

Ao contrário do que possa ser sugerido pelo nome (ou até por alguns dos seus outros títulos mais famosos, como “Nosferatu” e “Fausto”, por exemplo), com “Fantasma” Murnau não nos traz uma história sobrenatural, mas sim um melodrama sobre os fantasmas que atormentam um homem, devido aos erros do seu passado.

Esse passado é-nos mostrado em flashback, sendo ele uma história de vã perseguição de ilusões (os sonhos despertados pelos livros, a inantingível carreira de poeta, o amor platónico), que o próprio chama de fantasmas. Através dessa perseguição infrutífera vemos como Lorenz (interpretado por Alfred Abel), um homem reputadamente honesto e bom, se deixa cair na desgraça, perdendo sucessivamente o emprego, a razão, a honestidade, a liberdade, e mesmo a sua mãe.

Nessa viagem podemos reconhecer os vícios sociais já habituais nos filmes desta época, como sejam as expectativas de notoriedade (o próprio Lorenz), a vida de luxo (representada por Melitta), a decadência nocturna (Wigottschinski e Melanie). A redenção chega pelo amor daquela que sempre acreditou nele tal como era, Marie Starke (a famosa Lil Dagover), numa enorme elipse que imediatamente os mostra casados sem que antes Lorenz tivesse mostrado qualquer interesse romântico por Marie.

Esta viagem pela tragédia e redenção de uma pessoa é filmada por Murnau usando a estética expressionista, e conferindo-lhe um toque de surrealismo, exemplificado nas várias ilusões de Lorenz, como os cavalos que vê constantemente, o rosto de Veronika, e os prédios que o perseguem.

Com um argumento menos linear que o habitual, Murnau constriu um filme menos estilizado que outros filmes seus, mas também ele dominado pela atmosfera negra e espaços constritos de sombras e labirintos (atente-se na entrada da casa dos Lubota, ou na cena da pena e redenção de Lorenz, com as inúmeras portas a atravessar), que enquadram e conferem todo o peso emocional à história principal, e a separam a fotografia luminosa e espaços amplos do prólogo e epílogo.

Julgando-se perdido até há poucos anos, “Fantasma” é mais um filme que atesta a genialidade de Murnau, em mais um argumento de Thea von Harbou.

Produção:
Título original: Phantom [Título inglês: Phantom]; Produção: Uco-Film GMBH; País: República de Weimar (Alemanha); Ano: 1922; Duração: 125 minutos; Distribuição: Decla-Bioscop AG (Alemanha); Estreia: 19 de Outubro de 1922 (Alemanha), 1971 (Portugal, Cinemateca Nacional, Palácio Foz).

Equipa técnica:
Realização: Friedrich Wilhelm Murnau; Produção: Erich Pommer; Argumento: Thea von Harbou [a partir do romance de Gerhart Hauptmann]; Fotografia: Axel Graatkjær, Theophan Ouchakoff; Música Original: Leo Spies; Direcção Artística: Hermann Warm; Cenários: Hermann Warm, Erich Czerwonski, Vally Reinecke.

Elenco:
Alfred Abel (Lorenz Lubota), Frieda Richard (a sua Mãe), Aud Egede-Nissen (Melanie, a sua irmã), Hans Heinrich von Twardowski (Hugo, o seu irmão), Adolf Klein (Harlan), Olga Engl (Esposa de Harlan), Lya De Putti (Veronika Harlan/Mellitta), Karl Etlinger (Starke, o encadernador), Lil Dagover (Marie Starke), Ilka Grüning (Baronesa), Grete Berger (Sra. Schwabe, a penhorista), Anton Edthofer (Wigottschinski), Adolf Klein (Kharlan, o comerciante), Olga Engl (a sua mulher), Heinrich Witte (Contínuo).