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NosferatuSinopse:

Na cidade de Wisborg, em 1843, Hutter, um agente imobiliário é informado pelo seu patrão Knock, que deverá ir à Transilvânia, onde vive o seu client, Conde Orlok, interessado em comprar propriedades em Wisborg. Hutter deixa a esposa Ellen aos cuidados dos seus amigos Harding e Ruth e viaja.

Numa aldeia dos Cárpatos, o povo teme perante a menção do nome Orlok. O próprio cocheiro se recusa a aproximar-se mais, e Hutter acaba levado por uma misteriosa carruagem negra. No castelo, Hutter é recebido pelo misterioso Conde Orlok, e na manhã seguinte encontra marcas no pescoço, que atribui a mosquitos.

Depois dos papéis assinados, Hutter lê sobre vampiros e teme que Orlok seja Nosferatu. Nessa noite, Orlok revela-se, entrando no quarto de Hutter e atacando-o. No dia seguinte Hutter, horrorizado descobre Orlok dormindo num caixão, e mais tarde vê caixões serem levados em carruagens. Ao tentar fugir pela janela, cai, e acorda num hospital.

Entretanto o barco que transporta os caixões começa a ver a tripulação adoecer e morrer um por um. Abrindo um dos caixões vêem sair uma multidão de ratazanas. Quando o imediato tenta destruir os caixões, é atacado por Orlok.

O navio acosta em Wisborg, com o capitão morto ao leme, e ninguém vivo a bordo. Assume-se que seja uma peste, e o pânico é gerado em Wisborg. Nos dias seguintes as mortes aumentam, e pensa-se ser a peste a culpada. O imobiliário Knock, entretanto internado num hospício, sente o chamamento do seu mestre, mata um guarda e foge, sendo perseguido pela população.

Do seu apartamento, Orlok observa Ellen pela janela. Esta tendo lido o livro trazido por Hutter, percebe como derrotar o vampiro. Num convite, abre a janela, e Orlok visita-a para se deleitar com o seu corpo… o tempo suficiente para o nascer do sol o apanhar desprevenido, destruindo-o.

Análise:

O filme de Murnau, “Nosferatu”, tornar-se-ia a sua mais famosa realização, gerando imagens icónicas que ainda hoje são reconhecíveis mesmo por aqueles que nunca viram o filme.

Este esteve desde o primeiro dia envolto em polémica, pois a história é uma cópia não assumida de “Drácula”, de Bram Stoker, que por direitos de autor, viu os nomes todos transformados, e a acção passar de Londres para a cidade fictícia de Wisborg, na Alemanha. Nem por isso Murnau se livrou de um processo por parte dos herdeiros de Bram Stoker, que exigiram a destruição de todas as cópias do filme (algo que por algum tempo se julgou ter acontecido).

O próprio actor principal, Max Schrek, continua hoje envolto em mistério, pensando-se poder ter sido um actor conhecido, que valendo-se da forte caracterização, optou por usar um pseudónimo. Esse mistério é explorado no filme de 2000, “Shadow of the Vampire”, de E. Elias Merhige.

Alguns autores vêem o filme como uma alegoria política. O vampiro é, para uns, a ditadura, para outros, o perigo vindo de leste (judeus?) que suga o sangue da Alemanha do pós-guerra. Mas “Nosferatu” é célebre pelos vários níveis a que funciona. Saliente-se, por exemplo, a cena final, em que Ellen se sacrifica para salvar a cidade, num gesto marcadamente sexual, lembrando os míticos sacrifícios das virgens de tempos imemoriais, ou talvez marcando o contraste entre uma sexualidade latente, representada pelo desconhecido e perigoso e o puritanismo das convenções, representado por Hutter.

Esteticamente, “Nosferatu” é um filme onde o realismo surge em inúmeros exteriores (campos, montanhas, convés do navio, ruas de Wisborg), contrariando a tendência expressionista do autor, numa influência do romantismo alemão e apelo da natureza contra a modernidade. Mas o filme não deixa de estar imbuído da estética expressionista, presente na própria caracterização de Max Schreck, nos seus movimentos estilizados, nas sombras que projecta, nos interiores sombrios do seu castelo, na cela de Knock, na cena final no quarto de Ellen, e tantas outras. Murnau traz-nos um dos mais desconcertantes vampiros da história do cinema, figura irreal, saída de pesadelos, e um castelo perturbador, que seria o modelo para muitos filmes posteriores.

Pela forma sóbria de narrar, a inquietude transmitida e toda a iconografia que resistiu até hoje, “Nosferatu” é uma obra prima que deve de ser vista e revista.

Em 1979 Wener Herzog, confesso fã de Murnau, realizou o remake “Nosferatu, the Vampyre”, com Klaus Kinsky no papel principal.

Produção:
Título original: Nosferatu, eine Symphonie des Grauen [Título inglês: Nosferatu, A Symphony of Horror]; Produção: Jofa-Atelier Berlin-Johannisthal, Prana-Film GmbH; País: República de Weimar (Alemanha); Ano: 1922; Duração: 94 minutos; Estreia: 4 de Março de 1922 (Alemanha), 4 de Outubro de 1968 (Portugal, Cinemateca Nacional, Palácio Foz).

Equipa técnica:
Realização: Friedrich Wilhelm Murnau; Produção: Enrico Dieckmann, Albin Grau; Argumento: Henrik Galeen; Música Original: Hans Erdmann; Fotografia: Fritz Arno Wagner, Günther Krampf; Direcção Artística: Albin Grau; Guarda-roupa: Albin Grau.

Elenco:
Max Schreck (Conde Orlok), Gustav von Wangenheim (Hutter), Greta Schröder (Ellen, esposa de Hutter), Alexander Granach (Knock, um agente imobiliário), Georg H. Schnell (Harding, amigo de Hutter), Ruth Landshoff (Ruth, irmã de Harding), John Gottowt (Professor Bulwer, um paracelsiano), Gustav Botz (Professor Sievers, médico da cidade), Max Nemetz (Capitão do Demeter), Wolfgang Heinz (Imediato), Albert Venohr (Marinheiro), Eric van Viele (Marinheiro).

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