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Play it Again, SamEntre os seus dois filmes “Bananas” e “O ABC do Amor”, Woody Allen participaria na adaptação cinematográfica da sua peça de teatro “Play it Again, Sam”, que estreara na Broadway em 1970. Com realização de Herbert Ross, o filme teve argumento adaptado pelo próprio Woody Allen, e contou nos papéis principais com os mesmos actores da peça, Diane Keaton e Tony Roberts, que viriam a estar ligados a mais filmes de Allen nos anos seguintes.

Sinopse:

Quando Allan, é deixado pela sua esposa, coloca em causa a sua capacidade de voltar a construir uma relação.

Como crítico de cinema Allan vive pelos filmes, e é a figura de Humphrey Bogart que usa como modelo inantingível. Conversando com um Bogey imaginário, Allan tenta elevar-se acima de si mesmo, quebrando as barreiras da sua insegurança.

Mas é aquela que o tenta ajudar a encontrar um interesse amoroso, Linda, esposa do seu melhor amigo, que acaba por se tornar a nova paixão de Allan.

Análise:

“O Grande Conquistador” de 1972, foi a adpatação ao cinema da peça de teatro de Woody Allen, “Play it Again, Sam” de 1970. Nela Allen contracenava com Diane Keaton e Tony Roberts, os dois actores escolhidos para contracenarem consigo na versão para o grande ecrã, dois amigos que participariam em vários outros filmes de Allen.

A realização de Herbert Ross contrasta bastante com as que Woody Allen fazia na época, por nos dar um filme mais sereno, sem as loucuras vistas nos recentes “O Inimigo Público” e “Bananas”, e mais seguro das técnicas visuais usadas como forma de criar efeitos dramáticos.

Ainda assim, Allen volta a usar o seu célebre humor físico, ridicularizando o seu personagem com todo o tipo de infortúnios desenhados para mostrar o seu nervosismo e insegurança.

O filme é principalmente uma homenagem ao célebre “Casablanca” de Michael Curtiz, cujas imagens vemos durante vários minutos, antes mesmo das primeiras palavras ou imagens do presente filme. Essa homenagem é não só a “Casablanca” mas também a Humphrey Bogart, que surge aqui representado como um personagem imaginário, com quem o protagonista Allan (Woody Allen) conversa e a quem pede conselhos.

Se Allan admira a segurança de Bogey, irá no final aprender que é ao ser ele próprio, e não uma imitação, que ganhará a sua personalidade. E isto acontece à custa de muita dor, que por vezes o tom cómico do filme disfarça em demasia. Durante este tempo Allan perde a esposa, vive o pânico de não conseguir levantar-se do chão, envolve-se sentimentalmente com a esposa do seu melhor amigo, e finalmente tem de aceitar perdê-la.

Talvez o filme seja demasiado caricatural, e ridicularize demais um personagem que poderia ser mais dramático mantendo um maior equilíbrio. A própria a narração em conversa contínua com o espectador vai além do desejável, fazendo com que o personagem se limite em dizer-nos o que o filme nos devia mostrar. Destaque-se o facto de Allen quebrar aqui pela primeira vez a quarta parede dirigindo-se à câmara, num gesto que faria escola.

“O Grande Conquistador” vale sobretudo pelo evoluir da história até à conclusão previsível, é certo, mas quase desejada por todos. Quando Allan diz “esperei toda a minha vida para poder dizer isto” um ciclo fecha-se e sentimo-nos recompensados. Allan deixou de ser a pessoa que no início vivia através de um filme, para ser alguém sobre o qual filmes podem ser feitos.

Numa deliciosa repetição de “Casablanca”, o filme fecha dando-nos a sensação de que o protagonista pode finalmente perder a insegurança e olhar para a sua vida com optimismo.

Produção:

Título original: Play it Again, Sam; Produção: Paramount Pictures / Rollins-Joffe Productions / APJAC Productions; Produtor Executivo: Charles H. Joffe; País: EUA; Ano: 1972; Duração: 86 minutos; Distribuição: Paramount Pictures – A Gulf + Western Company; Estreia: 4 de Maio de 1972 (EUA), 21 de Dezembro de 1972 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Herbert Ross; Produção: Arthur P. Jacobs; Produtor Associado: Frank Capra Jr.; Argumento: Woody Allen [baseado na peça de Woody Allen]; Música: Billy Goldenberg; Fotografia: Owen Roizman; Direcção Artística: Ed Wittstein; Cenários: Doug von Koss; Montagem: Marion Rothman; Guarda-roupa: Anna Hill Johnstone; Caracterização: Stanley R. Dufford.

Elenco:

Woody Allen (Allan), Diane Keaton (Linda), Tony Roberts (Dick), Jerry Lacy (Bogart), Susan Anspach (Nancy), Jennifer Salt (Sharon), Joy Bang (Julie), Viva (Jennifer), Susanne Zenor (Rapariga da Discotega), Diana Davila (Rapariga do Museu), Mari Fletcher (Sharon Fantasia), Michael Greene (Vândalo 1), Ted Markland (Vândalo 2).