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Schloß VogelödSinopse:

No castelo Vogelöd, a convite de Lord von Vogelschrey, reúne-se um grupo de amigos para uma caçada, quando surge sem convite, o Conde Oetsch. A situação é tão mais confrangedora por se suspeitar que ele matou o irmão, e a sua viúva ser esperada com o seu novo marido, o Barão Safferstätt.

Embora Lord von Vogelschrey peça, o Conde Oetsch recusa-se a partir, e quando a Baronesa chega com o seu marido, ela ameaça partir imediatamente. O que a convence a ficar é a chegada iminente do Padre Faramund, que está em Roma há anos.

No dia seguinte, após uma breve caçada interrompida pela chuva, o Conde Oetsch sai para caçar à chuva, e o Padre Faramund chega. A Baronesa fala-lhe de como casou com o seu anterior marido, e após meses de paixão, ele abdicou dos prazeres terrenos, levando-a ao desespero, e por fim a procurar consolo com o Barão Safferstätt.

Nessa noite pesadelos afligem alguns dos hóspedes, e o Padre não é encontrado nos seus aposentos, julgando-se que tenha havido algum crime. Na manhã seguinte alguns hóspedes partem, enquanto o Conde Oetsch é acusado de ter algo a ver com o desaparecimento do Padre, mas este sugere que se há um assassino entre eles, é o Barão Safferstätt. Para defender o marido, a Baronesa acusa o Conde da morte do irmão.

Na noite seguinte o Padre Faramund reaparece, e a Baronesa continuou as suas confissões, contando como certa noite disse desejar algo de puramente mau, como um crime, para contrastar com a santidade do marido. O Barão Safferstätt, interpretando este desejo literalmente matou o primeiro marido da Baronesa.

O Padre confronta então o Barão, dizendo-lhe saber a verdade, e revelando que é na verdade o Conde Oetsch. Na sequência da revelação, o Barão suicida-se, e o Conde pode finalmente provar a sua inocência perante os seus pares.

Análise:

Ao contrário do que possa transparecer das traduções inglesa ou portuguesa, não há nada de maldito ou assombrado no castelo que dá nome ao filme de Murnau. Trata-se na verdade de uma história de culpa e mistério, na qual se revelará que o homem que todos julgavam culpado do crime de fratricídio, e era por isso um proscrito aos olhos dos seus, é na verdade inocente.

Para se livrar da acusação, o Conde Oetsch (interpretado por Lothar Mehnert), terá de aproveitar a culpa dos verdadeiros criminosos (o casal Safferstätt, unido pelo infortúnio, e casado para partilhar essa mesma culpa), e através de uma farsa por si montada, dar a conhecer a verdade.

Tudo acontece no castelo, que funciona aqui como o palco onde se empola uma culpa, se confrontam emoções e se faz a revelação final. Um castelo filmado com elegância, onde o detalhe da decoração substitui a habitual estilização expressionista. De facto dir-se-ia mais um ambiente gótico, envolto em mistério, onde os elementos naturais (é a presença ou ausência da chuva que acelera ou atrasa os acontecimentos, são as sombras do castelo que adensam o mistério, e a luz que surje quando ele se resolve), desempenham um papel importante, interferindo no humor dos personagens, e não deixando de os influenciar até pelos sonhos.

De notar ainda uma pequena aparição de humor, não muito comum nos filmes de Murnau, aqui exemplificado pelo comportamento do senhor ansioso (Julius Falkenstein) e pelas cenas passadas na cozinha.

O expressionismo de Murnau surge um pouco por todo o lado, como nas sequências no hall do castelo, na profundade dos planos, nas escadarias, nas cenas filmadas através de janelas, e muito particulamente, no flashback onde os personagens admitem a sua culpa, estaticamente num longo corredor geométrico, que será repetido na bela cena do momento da confirmação da morte do Barão.

Mais uma vez com a alta sociedade como pano de fundo, Murnau traz-nos mais uma história moral, de decadência, desta vez motivada pelo desejo expresso do mal como fuga a um ascetismo exagerado.

Produção:
Título original: Schloß Vogelöd: Die Enthüllung eines Geheimnisses [Título inglês: The Haunted Castle: The Exposure of a Secret]; Produção: Uco-Film GmbH, Decla-Bioscop AG; País: República de Weimar (Alemanha); Ano: 1921; Duração: 75 minutos; Distribuição: Decla-Bioscop AG (Alemanha); Estreia: 7 de Abril de 1921 (Alemanha), 7 de Fevereiro de 1981 (Portugal, Cinemateca Portuguesa).

Equipa técnica:
Realização: Friedrich Wilhelm Murnau; Produção: Erich Pommer; Argumento: Carl Mayer e Bertold Viertel [a partir do romance de Rudolf Stratz]; Fotografia: Fritz Arno Wagner, László Schäffer; Direcção Artística: Hermann Warm; Guarda-roupa: S. Adams House.

Elenco:
Arnold Korff (Lord von Vogelschrey, senhor da Mansão de Vogelöd), Lulu Kyser-Korff (Centa von Vogelschrey, a sua esposa), Lothar Mehnert (Conde Johann Oetsch), Paul Hartmann (Conde Peter Paul Oetsch, o primeiro marido assassinado da Baronesa), Paul Bildt (Barão Safferstätt), Olga Tschechowa (Baronesa Safferstätt), Victor Blütner (Padre Faramund), Hermann Vallentin (Juiz do Tribunal Distrital, aposentado), Julius Falkenstein (Senhor ansioso), Robert Leffler (Mordomo), Walter Kurt-Kuhle (Criado).