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Der Müde TodSinopse:

Um jovem casal viaja pelo campo, quando um estranho se junta à carruagem. Na aldeia, o estranho suborna os dignatários locais para comprar o terreno contíguo ao cemitério, e nele constrói um muro altíssimo e impenetrável.

Pouco depois o jovem noivo desaparece, e quando a noiva o vai procurar colapsa exausta à beira do muro. Aí vê as almas dos mortos entrar pelo muro, e entre elas reconhece o noivo.

Em estado de choque é acolhida pelo boticário. Entre as drogas deste, a rapariga encontra um veneno e bebe-o. Ao beber vai encontrar-se junto ao muro, que agora está aberto, mostrando uma escadaria. A rapariga sobe e o estranho homem surge, dizendo ser a morte, e não a poder deixar entrar, pois a hora dela ainda não chegara. Perante os apelos da jovem para se juntar ao noivo, a morte dá-lhe uma chance, mostrando-lhe três velas, cada vela uma vida, que era terá de salvar.

A primeira vela é a história de um jovem ocidental enamorado da filha de um califa medieval, no médio oriente. Ao profanar uma mesquita ele é perseguido pelas ruas, e a sua amada acolhe-o no palácio. Mas mesmo aí ele é descoberto, e acaba preso e morto.

A segunda vela é a história de um amante italiano, Francesco, que corteja Monna Fiametta, uma dama do renascimento, noiva do nobre Girolamo. Quando Girolamo lhe conta como matará o jovem Francesco antes do nascer do sol, Monna Fiametta elabora um plano, convidando Girolamo para a visitar à noite, e instruíndo o seu criado mouro para o matar à chegada. Adivinhando o esquema, Girolamo envia a carta a Francesco, que vai ao palácio sem saber da cilada e acaba morto por engano.

A terceira história mostra-nos como o mágico A Hi é chamado pelo Imperador da China, para exibir a sua magia. A Hi, leva consigo dois ajudantes, a rapariga, Tiao Tsien, e o rapaz, Liang. E de todos os truques de A Hi, o Imperador acaba por preferir ficar com a rapariga. Enamorada de Liang, Tiao Tsien consegue roubar a magia de A Hi, e fugir com o seu amado, mas ambos são perseguidos, e Liang acaba morto.

Findas as três histórias as três velas são apagadas e a rapariga não conseguiu vencer a morte. Esta dá-lhe uma última chance, trazer em menos de uma hora, uma vida para substituir o seu noivo. A rapariga vê-se de novo na casa do boticário, e tenta convencê-lo a dar a sua vida, em vão, o mesmo acontecendo com o mendigo, e os idosos de um asilo. Aí deflagra um fogo, e o instinto da jovem leva-a a salvar todos, incluindo dar a vida para salvar um bebé em perigo. Em troca deste gesto a morte devolve-lhe o noivo.

Análise:

“A Morte Cansada” é um filme que destoa um pouco dos filmes expressionistas do período da República de Weimar, por nos dar um conjunto de histórias pouco “alemãs”. Não se centrando na contemporaneidade, nem em referências míticas que se possam ver como alegorias à sociedade alemã, o filme é composto de histórias de influências distantes (Médio Oriente, Renascimento Italiano, Império Chinês), que têm por objectivo responder à pergunta romântica: “é o amor mais forte que a morte?”.

A própria história que enquadra aquelas três parece passar-se num cenário difícil de localizar, seja no tempo ou no espaço. Tudo isto tem como efeito óbvio mostrar-nos a universalidade dos dois conceitos: amor e morte, os quais são intemporais, e não se confinam a uma cultura ou tempo.

Através de três histórias simples (e de certo modo repetitivas) Fritz Lang parece dizer-nos que a única forma de o amor vencer a morte é simbólica, isto é através de uma imortalidade que lhe resiste, já que é depois de mortos que os dois amantes se reencontram e continuam a sua história.

Apesar dos cenários exóticos e cheios de efeitos especiais de “A Morte Cansada”, é na sequência final que o filme ganha toda a sua força emocional, graças à convincente prestração de Lil Dagover. Trata-se de um excelente exemplo do expressionismo do cinema alemão, desde o jeito exagerado de interpretar à cenografia fortemente baseada nos contrastes entre luz e sombra. Tal é mais evidente na história principal. Veja-se as escadas da estalagem onde o jovem casal descansa, o ambiente no asilo na sequência final, os exteriores soturnos da pequena aldeia, e o aspecto fantasmagórico do muro e a escadaria que lhe serve de entrada.

Bem conseguida é também a interpretação de Bernhard Goetzke, que nos dá uma morte fria, implacável, aparentemente inamovível, mas ainda assim condescendente, e capaz de compaixão. A bonita imagem de uma vela por cada vida confere toda a transcendência ao momento, sendo uma referência inesquecível.

“A Morte Cansada” seria o primeiro sucesso comercial de Fritz Lang lançando-o para clássicos como “O Doutor Mabuse”, “Metrópolis” e posteriormente uma carreira em Hollywood.

Produção:
Título original: Der Müde Tod [Título inglês: Destiny]; Produção: Decla-Bioscop AG; País: República de Weimar (Alemanha); Ano: 1921; Duração: 105 minutos; Distribuição: Decla-Bioscop (Alemanha); Estreia: 6 de Outubro de 1921 (Alemanha), 31 de Janeiro de 1925 (Portugal, Cinema Condes).

Equipa técnica:
Realização: Fritz Lang; Produção: Erich Pommer; Argumento: Thea von Harbou, Fritz Lang; Música Original: Giuseppe Becce, Karl-Ernst Sasse Sr., Peter Schirmann; Fotografia: Bruno Mondi, Erich Nitzschmann, Herrmann Saalfrank, Bruno Timm, Fritz Arno Wagner; Montagem: Fritz Lang; Direcção Artística: Walter Röhrig, Hermann Warm, Robert Herlth; Guarda-roupa: Heinrich Umlauff.

Elenco:
Lil Dagover (Rapariga / Zobeide / Monna Fiametta / Tiao Tsien), Walter Janssen (Rapaz / Franke / Francesco / o Franco), Bernhard Goetzke (Morte / El Mot / Archer), Hans Sternberg (Burgomestre), Karl Rückert (Reverendo), Max Adalbert (Notário / Chanceler), Wilhelm Diegelmann (Médico), Erich Pabst (Professor), Karl Platen (Boticário), Hermann Pischa (Alfaiate), Paul Rehkopf (Coveiro), Max Pfeiffer (Guarda Nocturno), Georg John (Mendigo), Lydia Potechina (Senhoria), Grete Berger (Mãe), Eduard von Winterstein (Califa), Erika Unruh (Ayesha), Rudolf Klein-Rogge (Derwisch / Girolamo), Lothar Müthel (Mensageiro), Edgar Pauly (Amigo de Girolamo), Lewis Brody (Mouro), Charles Puffy [como Karl Huszar] (Imperador da China), Paul Biensfeldt (A Hi), Paul Neumann (Carrasco), Hellmuth Hiemstra (Confidente de Girolamo), Edgar Klitzsch (Médico), Loisia Lehnert (Mãe), Neumann-Schüler (Coveiro), Lina Paulsen (Enfermeira), Ernst Rückert (Pastor), Hermann Vallentin, Marie Wismar (Velha).