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Das Kabinett des Doktor CaligariSinopse:

A história é-nos contada em flashback por Francis, quando conversa com um homem mais idoso, e vê passar Jane, que Francis diz ser a sua noiva, embora ela pareça passar por eles sem os conhecer.

Francis narra como ele e o seu amigo Alan se enamoraram de Jane. Um dia visitando a feira de Holstenwall, foram atraídos pela tenda do Doutor Caligari, e o seu sonambulista Cesare, que previa futuros, quando saía do transe. Alan questionou Cesare e este revelou que Alan morreria antes do romper da aurora.

Nessa noite, Alan foi atacado e morto por uma figura misteriosa, na sequência de outros assassínios que vinham atormentando a aldeia. Alan e o Dr. Olsen, pai de Jane, investigaram o sonambulista em casa de Caligari, mas a captura de um ladrão afastou as suspeitas. Na noite seguinte, Caligari enviou Cesare para matar Jane. Cesare não a matou, mas carregou-a consigo, sendo perseguido pelo povo da aldeia, até a deixar, e morrer ele próprio de exaustão.

Alan e as autoridades voltaram a casa do Doutor Caligari, e descobriram que este mantinha um boneco a fingir de sonambulista. Caligari foge e Alan persegue-o até ao sanatório local. Ali Alan descobre que Caligari é o próprio director do sanatório.

Com a ajuda dos médicos descobre ainda que o director estuda um mítico monge que em 1783 usava um sonambulista para matar pessoas em Itália, o qual foi trazido para o sanatório. Caligari deixa-se desmascarar quando vê que Cesare morreu, sendo internado no seu próprio sanatório.

De volta ao momento presente revela-se que toda a história é uma fantasia de Francis que, tal como Jane, está internado no sanatório, dirigido pelo homem a quem ele chama Caligari, que uma vez conhecida a sua fantasia, diz saber agora como o tratar.

Análise:

“O Gabinete do Dr. Caligari” é ainda hoje visto como uma obra prima do cinema, e tal justifica-se plenamente. Podendo parecer esteticamente estranho ao espectador actual, não deixará de o prender, fascinar e mesmo perturbar.

Sendo hoje visto como um dos filmes que marcaram o chamado cinema expressionista alemão, “O Gabinete do Dr. Caligari” contém todo um conjunto de “ferramentas” visuais que fariam escola e marcariam um período. A opção de filmar num cenário pintado (obra dos pintores Walter Reimann and Walter Röhrig), confere desde logo ao filme uma atmosfera irreal e abstracta, como que saída de um sonho. Como seria típico, não só os cenários são telas bidimensionais, como todas as imagens são fortemente estilizadas, com perspectivas distorcidas, e predominante uso de linhas rectas, oblíquas e agressivas. O uso da luz e sombras, tão típico do expressionismo, funciona no filme como protagonista, dirigindo-nos o olhar, destacando pormenores nos planos, o que se evidencia ainda mais com o repetido uso do fecho da imagem em torno de um rosto.

Também típico do expressionismo é o uso da profundidade de campo, com planos que funcionam sobretudo em profundidade e não em largura, que aliado às oblíquas cenas de telhados, caminhos e pontes florestais, resulta num ambiente surreal e no adensar da ameaça do desconhecido sobre o espectador, como talvez nunca tenha sido tão bem conseguido depois disso.

A completar, destacam-se as interpretações, exageradas, é certo, mas por isso mesmo enigmáticas e perturbadoras, com destaque Werner Krauss, o misterioso e cruel médico louco, Doutor Caligari, e claro, Conrad Veidt, que confere ao seu Cesare, com os seus movimentos pouco naturais, uma qualidade irreal.

A opção de tornar a história um flashback que revela que toda ela é uma fantasia, terá sido imposta pelos produtores, como que para amenizar os efeitos de uma narrativa tão desconcertante. Lidando com temas como a demência, o controlo mental e obsessão por poder (temas recorrentes nos filmes expressionistas), o filme é por vezes visto como uma alegoria sobre a situação política e social da Alemanha do pós-guerra.

Mas mais que as suas preocupações sociais, foi a sua influência estética que perdurou, e “O Gabinete do Dr. Caligari” é hoje citado como forte influência sobre os filmes de terror, o Film Noir americano dos anos 40, e muitos realizadores modernos, de Tim Burton a Terry Gilliam, para citar apenas dois.

Produção:
Título original: Das Kabinett des Doktor Caligari [Título inglês: The Cabinet of Dr. Caligari]; Produção: Decla Film-Gesellschaft Berlin [Decla-Bioscop AG]; País: República de Weimar (Alemanha); Ano: 1920; Duração: 78 minutos; Distribuição: Decla-Bioscop AG (Alemanha); Estreia: 26 de Fevereiro de 1920 (Alemanha), 17 de Janeiro de 1929 (Portugal, Cinema Central).

Equipa técnica:
Realização: Robert Wiene; Produção: Rudolf Meinert e Erich Pommer; Argumento: Carl Mayer, Hans Janowitz; Música Original: Alfredo Antonini, Giuseppe Becce; Fotografia: Willy Hameister; Direcção Artística: Hermann Warm, Walter Reimann e Walter Röhrig;

Elenco:
Werner Krauss (Dr. Caligari), Conrad Veidt (Cesare), Friedrich Fehér (Francis), Lil Dagover (Jane Olsen), Hans Heinz Heinrich von Twardowski (Alan), Rudolf Lettinger (Dr. Olsen).