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What’s Up, Tiger Lily?Não se sabe muito bem de onde terá surgido a ideia, mas perante o filme japonês de espionagem “International Secret Police: Key of Keys” alguém terá decidido que a única forma de ele vender nos EUA seria modificando as falas e transformando-o numa comédia louca. Para executar o projecto foi chamado Woody Allen, cuja reputação como escritor cómico era muito elevada. O filme é por isso um projecto estranho, sobretudo visto tantos anos depois.

Sinopse:

O reputado (e permanentemente excitado sexualmente) agente secreto japonês Phil Moskowitz é involuntariamente envolvido na fuga da prisão de Suki Yaki. Por tal acaba levado ao Grande Exaltado Supremo Macha de Raspur, um país não existente mas de bom nome, que procura uma vaga no mapa para passar a país real, de preferência um lugarzinho entre a Espanha e a Grécia. Precisa, no entanto, de recuperar do seu maior trunfo: a receita da melhor salada de ovo do mundo, actualmente na posse do criminoso Shepherd Wong. Com a ajuda das sensuais irmãs Teri e Suki Yaki, Moskowitz, vai tentar obter a tão almejada receita, também cobiçada pelo igualmente perigoso Wing Fat.

Análise:

Como estreia na realização, Woody Allen, talvez ainda não se levando a sério como realizador, aceitou o projecto de transformar um filme existente, o filme japonês de espiões “Kagi No Kagi” (International Secret Police: Key of Keys, 1965) de Senkichi Taniguchi, rearranjando-o, reeditando-o, dobrando vozes, reescrevendo todo o argumento e diálogos, e surgindo no papel do realizador em pequenas entrevistas, de modo a obter uma comédia. Obra de uma mente delirante e ainda pouco mais que juvenil, o filme é um desenrolar de situações ridículas, vivendo de vozes e efeitos sonoros estranhos, e piadas desconcertantes, algumas das quais já revelando as fixações futuras de Allen. É por isso engraçado ver as referências ao judaísmo ou religião em geral (o apelido do protagonista é Moskowitz; uma das organizações terroristas mencionadas é o Coro do Tabernáculo Mórmon; e um dos orientais ao morrer chama pelo rabino). De resto o filme, sem poder ser analisado pelas qualidades cinematográficas, por estas não se deverem a Allen, parece originalmente uma imitação barata de 007, mas que visualmente mais parece lembrar a série “Olho Vivo” (Get Smart). O humor resulta não só do caricato das cenas originais como das inúmeras linhas de diálogo ridículas. Se Hitchcock popularizou o McGuffin, como o objecto de um enredo cuja importância era secundária, Woody Allen deu ao mundo o melhor dos McGuffins, a salada de ovo, e bandidos notáveis como Shepherd Wong (viciado em salada de ovo) e Wing Fat (que a quer roubar para a tornar a vender à mesma pessoa, pois é o que bandidos fazem). E se “two wongs don’t make a wight”, estranhando-se muito ao início, a combinação acaba por resultar, desde que estejamos preparados para ela, no entanto as situações de humor diluem-se durante o filme, perdendo o efeito de surpresa ao fim de poucos minutos. Com insinuações sexuais, ridicularização física, e muito nonsense, Woody Allen percorre um diversificado caminho que parece retirado da stand up comedy, criando um filme estranho, mas que faria escola. O filme teria cenas adicionais contra a vontade de Allen, principalmente para exibir em maior destaque a banda The Lovin’ Spoonful. Tal mostrou a Allen a necessidade de ter um controlo mais apertado das suas obras. Como curiosidade destaque-se o facto de as duas actrizes principais, Kiko Wakabayashi e Miye Hama, terem sido verdadeiras Bond Girls, no filme “007 – Só Se Vive Duas Vezes” (You Only Live Twice, 1967) de Lewis Gilbert.

Produção:

Título original: What’s Up, Tiger Lily?; Produção: Benedict Pictures Corp. / National Recording Studios / Toho Company; Produtores Executivos: Henry G. Saperstein, James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff; País: Japão, EUA; Ano: 1966; Duração: 80 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP); Estreia: 2 de Novembro de 1966 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Woody Allen [transformado da realização de Senkichi Taniguchi]; Produção: Henry G. Saperstein e Reuben Bergovitch [originalmente: Tomoyuki Tanaka e Makoto Morita]; Produtor Associado: Woody Allen; Argumento: Woody Allen, Julie Bennett, Frank Buxton, Louise Lasser, Len Maxwell, Mickey Rose, Bryan Wilson; Música: The Lovin’ Spoonful; Edição Musical: Jack Lewis; Fotografia: Kazuo Yamada; Montagem: Richard Krown.

Elenco:

Tatsuya Mihashi (Phil Moskowitz), Kiko Wakabayashi (Suki Yaki), Miye Hama (Teri Yaki), Tadao Nakamaru (Shepherd Wong), Susumu Kurobe (Wing Fat), Sachio Sakai (Hoodlum), Hideyo Amamoto (Homem da Cobra), Tetsu Nakamura (Ministro dos Negógios Estrangeiros), Osman Yusuf (Jogador), Woody Allen (Woody Allen / Dobragem de Voz / Projeccionista), Frank Buxton (Dobragem de Voz), Louise Lasser (Dobragem de Voz), Julie Bennett (Dobragem de Voz), Len Maxwell (Dobragem de Voz), Mickey Rose (Dobragem de Voz), Bryna Wilson (Dobragem de Voz), The Lovin’ Spoonful.

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