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Frankenstein and the Monster from HellComo canto do cisne, para si, e para a série, Terence Fisher realizou em 1972 o seu último filme, “Frankenstein e o Monstro do Inferno”. No papel principal voltava Peter Cushing, e o argumento era novamente de Anthony Hinds sob o seu habitual pseudónimo.

Sinopse:
Roubos de cadáveres no cemitério local são ligados ao Dr. Simon Helder, um cientista que procura repetir, sem sucesso, as experiências do Barão Victor Frankenstein. Apanhado e condenado a internamento num hospício, o Dr Helder é cruelmente recebido pelos seguranças, até ao momento da chegada do Dr. Victor, que impõe a ordem, e ameaça o fraco director, nitidamente amedrontado pelo médico. Com a ajuda da reclusa Sarah, muda por trauma psicológico, o Dr. Victor trata o Dr. Helder. Reconhecendo nada de mal haver nele, convida-o para o ajudar na clínica, pois isso liberta-lo-á para o seu trabalho extra. O Dr. Helder percebe estar na presença do Barão Frankenstein, e oferece-lhe ajuda, na esperança de poder participar nas suas investigações. O Barão guia Simon pelos seus pacientes, falando-lhe principalmente de Herr Schneider, um homem monstruoso que morreu ao fugir da cela, do Professor Durendel, um violinista e brilhante matemático, que no passado mostrou indícios de violência, e de Herr Tarmut, brilhante em artes manuais, mas cujo cérebro já mal responde. Na manhã seguinte, após uma noite mal dormida por gritos vindos das celas, Simon vê que um caixão segue para o cemitério, quando a tampa cai, reconhece Herr Tarmut, com as mãos decepadas. Ao investigar o gabinete do Barão, Simon encontra Sarah que vem por uma porta secreta, que conduz ao verdadeiro laboratório de Frankenstein, onde descobre um homem monstruoso atrás de grades. Trata-se de Herr Schneider, que sobreviveu, mas em mau estado. Simon oferece-se para ajudar Frenkenstein, e juntos operam o monstro, dando-nos novas mãos e olhos. Ao acordar o monstro torna-se violento, e tem de ser sedado. Frankenstein decide que o problema é o cérebro. Nessa noite o Professor Durendel enforca-se (após Frankenstein convenientemente o ter deixado ver que o seu diagnóstico era “incurável”). Simon Helder e Frankenstein operam o Professor e colocam o seu cérebro no monstro. Ao acordar o monstro tem consciência de quem é, e revolta-se contra o seu estado, voltando a atacar os médicos. Quando Frankenstein decide que a solução é acasalar o monstro com Sarah, o Dr. Helder rebela-se e tenta matar o monstro, mas é dominado por este. Sarah surge a tempo, e fala pela primeira vez ordenando ao monstro que liberte Simon. O monstro foge para o cemitério para procurar o corpo do Professor, e é então perseguido pelos seguranças. Em fuga, entra no gabinete do director, e mata-o por este ter no passado violado Sarah. A multidão cerca o monstro e destrói-o. Para espanto de Simon, o Barão não parece abalado, e volta imediatamente ao trabalho, planeando já futuras experiências.

Análise:
Depois do reboot de “Os Horrores de Frankenstein” a série continuou com um filme que poderá entender-se como uma sequela dos filmes que precederam aquele. Sem haver clara explicação de como o Barão sobrevive de filme para filme, há a constante referência às suas mãos queimadas, e às experiências falhadas que o fazem ter de fugir e trabalhar no anonimato. Com Terence Fisher de novo no comando, o filme traz-nos de volta alguma da atmosfera dos filmes iniciais. De facto “Frankenstein e o Monstro do Inferno” surge completamente deslocado de tudo o que a Hammer fazia no início dos anos 70, o que dá um ar “clássico” ao filme, e a que não é alheia a presença do veterano Terence Fisher. Peter Cushing volta a encarnar o célebre Barão, agora talvez com menos energia, mas sempre com o seu habitual magnetismo, afasta-se da crueldade de “O Barão de Frankenstein” e regressa a uma caracterização mais ambígua, se bem que amoral e plena de arrogância, ainda assim capaz de momentos de compaixão. O cenário é uma instituição mental, onde a linha entre curar e matar parece por vezes muito ténue. O filme segue a linha dos anteriores, onde um ajudante ou colega (neste caso Shane Briant) vai caindo na teia do Barão, deixando-se envolver para além do que a sua ética permitiria, até que, demasiado tarde, a sua consciência desperte, e o obrigue a tentar reverter as consequências dos seus actos. Tutor e pupilo são aqui igualmente culpados, e vítimas de uma arrogante busca pelo conhecimento que lhes permita transcender-se. Estranha é a caracterização do monstro (pela segunda vez interpretado por David Prowse), que tem muito pouco de humano e decididamente muito de animal selvagem. Tal como em filmes anteriores, o Barão é traído pela sua incapacidade de encarar a sua criação como um ser humano, que sente, sofre e se revolta com o seu destino. Em “Os Horrores de Frankenstein” a atmosfera gótica está de volta ao seu melhor, como é representado nos lúgubres corredores do hospício, e sangrentas operações que parecem lições de anatomia, tal o detalhe gráfico que apresentam. Servido por sólidas interpretações, a história não traz, no entanto, nada de novo à série, sendo apenas uma repetição de episódios já conhecidos. Ainda assim trata-se de um filme ao nível dos clássicos da Hammer, e decididamente o seu último clássico.

Produção:
Título original: Frankenstein and the Monster from Hell; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1972. Duração: 93 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 2 de Maio de 1974 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Roy Skeggs; Argumento: John Elder [Anthony Hinds]; Fotografia: Brian Probyn; Direcção Artística: Scott McGreggor; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Montagem: James Needs; Caracterização: Eddie Knight; Guarda-roupa: Dulcie Midwinter.

Elenco:
Peter Cushing (Barão Victor Frankenstein), Shane Briant (Dr. Simon Helder), Madeline Smith (Sarah, “o Anjo”), David Prowse (Monstro), John Stratton (Director do Hospício), Michael Ward (Passageiro), Elsie Wagstaff (o Selvagem), Norman Mitchell (Sargento da Polícia), Clifford Mollison (Juiz), Patrick Troughton (Ladrão de Cadáveres), Philip Voss (Ernst), Chris Cunningham (Hans), Charles Lloyd-Pack (Professor Durendel), Lucy Griffiths (Velha), Bernard Lee (Tarmut), Sydney Bromley (Muller), Andrea Lawrence (Brassy girl), Jerold Wells (Estalajadeiro), Sheila Dunion (Gerda), Mischa de la Motte (Twitch), Norman Atkyns (Smiler), Victor Woolf (Letch), Winifred Sabine (Mouse), Janet Hargreaves (Chatter), Peter Madden (Condutor da Carruagem).

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