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What's New Pussycat?Em 1965 Woody Allen, então um comediante de sucesso na televisão e clubes nocturnos, foi convidado pelo produtor Charles K. Feldman para ajudar com o argumento do seu novo filme. Woody Allen não só mudou completamente o argumento, como incluiu um pequeno papel para si próprio. Com realização de Clive Donner, e interpretações de Peter O’Toole e Peter Sellers, o filme foi um sucesso de bilheteira. No entanto, Allen ficou descontente com o resultado, culpando ingerências da produção. O pequeno cómico tomou então uma decisão, passaria a realizar os filmes em que participasse daí em diante.

Sinopse:

A história, passada em França, mostra-nos Michael James (Peter O’Toole), um homem de sucesso, editor de uma revista de moda, que vive rodeado das mulheres mais bonitas do mundo. Desde criança que todas as mulheres o desejam, e que ele não lhes consegue resistir. Mas agora o (in)feliz playboy está apaixonado por Carole (Romy Schneider), e quer casar. Para tentar conter a sua obsessão sexual procura a ajuda do conflituoso, obcecado, frustrado e mentalmente confuso psicoanalista, Dr. Fritz Fassbender (Peter Sellers). O resultado é o menos ortodoxo possível, e muito pouco pacificador.

Análise:

Em 1965 Woody Allen estreava-se no cinema como actor. O filme, escrito por si, tencionava ser um veículo para Warren Beatty, o qual usava amiúde a frase que lhe dá título. Ao que parece Beatty não gostou do argumento, mas os produtores ficaram deliciados, e favoreceram o novato Allen. O filme enquadra-se já, por isso, no universo que o autor viria a definir nas décadas seguintes, mas que aqui ainda se aproximava muito daquele celebrizado pelos irmãos Marx (Groucho chegou a ser considerado para o papel do Dr. Fassbender). Na realização estava o experiente realizador de série de televisão, Clive Donner e, tal como ele, parte do elenco é inglês, quase um Quem é Quem da comédia inglesa dos anos 60, comandados pelas lendas Peter Sellers e Peter O’Toole. Esse lado britânico, de contensão aparente prestes a explodir no mais inesperado nonsense é evidente, mas à distância, vê-se também a linguagem nascente de Allen. E esta é feita de tiradas insólitas (as chamadas “one-liners”) com que os personagens respondem desconcertantemente, ao jeito de Groucho Marx; mas também muito nonsense; e várias situações de humor físico e rocambolesco, o chamado “slapstick” reminiscente do cinema mudo. Com efeito a cena do roubo do livro, e toda a longa sequência final do hotel e perseguição de karting não ficariam mal nos filmes mudos da Keystone da segunda década do século XX. Com tiradas geniais, e situações ridículas, o filme vive sobretudo das interpretações de Peter Sellers (um dos psicoanalistas mais incríveis da história do cinema), e de Peter O’Toole (que quando a luz lhe incide numa determinada direcção é quase bonito). A química entre os dois é perfeita em várias cenas. O tema é a obsessão sexual, e o argumento é de encontros, desencontros, enganos e confusões. Tudo pensado em fazer uma comédia de enganos que culmina na explosão de gargalhadas da sequência final. Com um humor louco, e por vezes um pouco juvenil, o filme tem altos e baixos, e alguns momentos de antologia (o brilhante encontro entre Sellers a Allen deixa-nos a chorar por mais). Woody Allen, que nunca foi um actor brilhante, está neste primeiro filme (num pequeno papel) já igual a si próprio, e tal não deixa de ser um elogio. E curiosamente, já faz piadas de ginecologistas, fala de psicanalistas, tem obessões sexuais, e fala de pintura para atrair strippers, temas que não o largariam ao longo de toda a carreira. Nota final para a banda sonora de bom gosto de Burt Barcharach, e a divertida canção que tem o título do filme, cantada pelo inimitável Tom Jones.

Produção:

Título original: What’s New Pussycat?; Produção: Famous Artists Productions / Famartists Productions S.A.; Produtor Executivo: John C. Shepridge; País: Inglaterra/EUA; Ano: 1965; Duração: 105 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 22 de Junho de 1965 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Clive Donner; Produção: Charles K. Feldman; Argumento: Woody Allen; Música: Burt Bacharach; Direcção Musical: Charles Blackwell; Fotografia: Jean Badal (filmado em Technicolor); Produtor Associado: Richard Silbert; Realizador de Segunda Unidade: Richard Talmadge [sequência de karting]; Coreografia: Jean Guelis; Caracterização: Charles E. Parker; Efeitos Especiais: M. MacDonald; Direcção Artística: Jacques Saulnier; Cenários: Charles Merangel; Guarda-roupa: Gladys de Segonzac; Montagem: Fergus McDonell.

Elenco:

Peter Sellers (Dr. Fritz Fassbender), Peter O’Toole (Michael James), Romy Schneider (Carole), Capucine (Renée Lefebvre), Paula Prentiss (Liz), Woody Allen (Victor), Ursula Andress (Rita), Edra Gale (Anna Fassbender), Katrin Schaake (Jacqueline), Eleonor Hirt (Mrs. Werner), Jean Parédès (Marcel), Jacques Balutin (Etienne), Jess Hahn (Mr. Werner), Howard Vernon (Médico), Michel Subor (Philippe), Sabine Sun (Enfermeira).

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