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The Satanic Rites of DraculaSegundo filme contemporâneo da série Drácula, oitavo e último da série com Christopher Lee a interpretar o conde. Peter Cushing retoma o seu papel de descendente de Van Helsing. O argumento é novamente de Don Houghton, e a realização de Alan Gibson.

Sinopse:
Algures numa mansão nos arredores de Londres um ritual satânico é encenado pela misteriosa Chin Yang, incluindo o sacrifício de uma rapariga, que logo após revive. Ao mesmo tempo um prisioneiro consegue fugir, revelando-se como o agente secreto Hanson, que antes de morrer conta aos seus colegas quem são as pessoas envolvidas naquela seita. Descobrindo que há superiores seus envolvidos, o chefe de divisão, Mathews, resolve fechar oficialmente a investigação, e trabalhar em privado, com o agente Torrence, e chamando o inspector Murray da Scotland Yard, que antes resolvera casos envolvendo o oculto. Após ouvir as gravações de Hanson, Murray decide pedir a ajuda do professor Lorrimer Van Helsing. Este fica muito intrigado com a presença no grupo satânico do seu colega Dr. Julian Keeley, e resolve visitá-lo. Van Helsing encontra Dr. Keeley numa espécie de transe, obcecado em terminar a produção de um vírus mortal de peste. Enquanto falam, são atacados por dois homens, que levam o vírus, enforcando Dr. Keeley e deixando Van Helsing inconsciente. Na mansão, Drácula surge, mordendo uma das suas novas prisioneiras, nem mais que a secretária de Matthews. Torrence e Murray decidem investigar a mansão descrita por Hanson, sendo recebidos pela anfitriã Chin Yang. Sem que eles saibam Jessica Van Helsing seguiu-os e entrou na cave, onde é atacada por várias vampiras acorrentadas a caixões. Torrence e Murray acorrem a tempo de salvar Jessica, e os três fogem à perseguição dos bandidos de Chin Yang. A investigação leva até D.D. Denham, o dono de um grupo de empresas, de quem não há uma fotografia e cuja sede foi construída sobre a antiga igreja de St. Bartolph. Matthews, Torrence, Murray e Jessica montam vigilância à mansão, mas Matthews e Torrence são mortos por atiradores, enquanto Murray e Jessica são feitos prisioneiros. Entretanto Van Helsing procura D.D. Denham, que descobre ser o próprio Drácula. Ao confrontá-lo é dominado pelos seus homens, e levado para a mansão. Na cave Murray acorda com Chin Yang a tentar atacá-lo, mas ele trespassa-lhe o peito com uma estaca. De seguida liga o sistema anti-incêndio matando as outras vampiras. No salão principal, Drácula explica como fará Jessica a sua companheira, usando os quatro outros presentes (Van Helsing incluído) como seus cavaleiros do apocalipse espanhando a doença pelo mundo. Murray assiste pelas câmaras e após dominar mais um segurança, destroi o equipamento provocando um incêndio. Com a ajuda de Van Helsing levam Jessica para fora da mansão, e Van Helsing atrai Drácula pela floresta, até este se enredar em arbustos de espinhos, e não conseguir resistir a Van Helsing que lhe trespassa o peito e o vê desfazer-se em cinza.

Análise:
“The Satanic Rites of Dracula” é uma sequela directa do anterior “Dracula A.D. 1972”. Não só a história se passa na Londres contemporânea, dois anos depois dos eventos do filme anterior, como vários dos personagens são os mesmos, e são feitas diversas alusões ao filme de 1972. Desta vez a Hammer optou por uma história mais contemporânea, de acordo com os anos 70, deixando por isso o gótico de lado, evitando o hibridismo sem sentido de “Dracula A.D. 1972”. Mas a nova roupagem é tal que o filme se confunde com uma história de espionagem, com agentes secretos, perseguições e o uso à tecnologia de espiões. Sinal dos tempos, Drácula, passa a especulador imobiliário que constrói um império financeiro que serve de base para seduzir homens poderosos para a sua causa de poder e maldade. Políticos, militares e cientistas sucumbem à combinação, num sinal do cinismo dos tempos. Mas Drácula tem um objectivo final, acabar com a humanidade através de uma peste. Nota-se aqui a referência bíblica ao fim do mundo, vestindo o conde mais que nunca a pele do anticristo, e rodeando-se de insuspeitos cavaleiros do apocalipse que lançarão o mal pela Terra. O argumento, moderno é bem pensado, embora várias vezes falhe, como no momento da revelação em que os acólitos de Drácula de repente se apercebem que não querem ser assim tão maus. Nesta atmosfera moderna (com o oculto presente nas cerimónias macabras de magia negra), o vampirismo torna-se secundário, não fosse ser usado como alegoria do mal seria quase desnecessário. Ainda assim destacam-se as cenas passadas na cave da mansão, onde vampiras aprisionadas e sedentas de sangue não perdem a oportunidade para tentar morder os protagonistas. Christopher Lee tem aqui mais falas que nos filmes anteriores, mas a sua figura imponente (o único traço que resta do gótico) parece aqui um pouco deslocada, pois o terror reside nas ideias e não na sua aparição. Ainda assim, um dos pontos altos do filme é mais um confronto Drácula-Van Helsing, com Peter Cushing, como sempre, a prender o espectador à sua acção. Para o catálogo de mortes, ficam os espinhos, iguais aos da coroa de cristo, que ferem Drácula ao ponto de não se conseguir defender. Jessica Van Helsing é aqui interpretada por Joanna Lumley (mais tarde conhecida no humor de “Absolutely Famous”), e Michael Coles repete o papel do inspector Murray. A música dos anos 70 prova pela segunda vez não ser adequada à tensão e carisma que se espera deste tipo de histórias. Embora mais interessante e menos irritante que “Dracula A.D. 1972”, é ainda assim uma fraca despedida para o Drácula da Hammer.

Produção:
Título original: The Satanic Rites of Dracula (Título alternativo: Count Dracula and His Vampire Bride); Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1973. Duração: 87 minutos; Distribuição: Warner Bros. Pictures; Estreia: 3 de Novembro de 1973 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Alan Gibson; Produção: Roy Skeggs; Argumento: Don Houghton; Música: Michael Cacavas; Supervisão Musical: Philip Martell; Produtor Associado: Don Houghton; Fotografia: Brian Probyn (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Lionel Couch: Montagem: Chris Barnes; Caracterização: George Blackler; Guarda-roupa: Rebecca Breed; Efeitos Especiais: Les Bowie.

Elenco:
Christopher Lee (Conde Dracula), Peter Cushing (Lorrimer Van Helsing), Michael Coles (Inspector Murray), William Franklyn (Peter Torrence), Freddie Jones (Dr. Julian Keeley), Joanna Lumley (Jessica Van Helsing), Richard Vernon (Coronel Mathews), Barbara Yu Ling (Chin Yang), Patrick Barr (Lord Carradine), Richard Mathews (John Porter, MP), Lockwood West (General Sir Arthur Freeborne), Valerie Van Ost (Jane), Maurice O’Connell (Agente Hanson), Peter Adair (Médico), John Harvey (Commissário), Maggie Fitzgerald, Pauline Peart, Finnuala O’Shannon, Mia Martin (Vampiras), Marc Zuber, Paul Weston, Ian Dewar, Graham Rees (Guardas).

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