Etiquetas

, , , , , , , , , , ,

Dracual A.D. 1972A pedido da Warner Bros, a Hammer iniciava um “reboot” da série Drácula, situando as histórias num contexto contemporâneo. Christopher Lee interpretava novamente o famoso conde, agora em 1972, com o regresso de Peter Cushing ao papel de Van Helsing, um papel que não tinha desde o longínquo “As Noivas de Drácula” de 1960. A realização foi de Alan Gibson.

Sinopse:
Em 1872 o Conde Drácula luta com o seu arqui-inimigo Lawrence Van Helsing sobre uma carruagem em andamento. Quando a carruagem se destroça contra uma árvore, Drácula é trespassado por uma das rodas, e Van Helsing morre ferido. Pouco depois chega um seguidor de Drácula, que recolhe as suas cinzas, e as enterrará junto da campa de Van Helsing na igreja de St. Bartolph. Cem anos mais tarde um grupo de jovens hippies liderados por Johnny Alucard, que lembra o seguidor de Drácula de cem anos antes, decide participar numa missa negra proposta por ele, numa igreja desconsagrada. Desse grupo faz parte Jessica Van Helsing, neta do antropólogo e estudioso do oculto, Lorrimer Van Helsing, descendente do caçador de vampiros original. Esta e o namorado Bob descobrem o túmulo do antepassado dela, e, incomodados por tal, quase desistem. Mas o par acaba por participar no ritual, vendo Johnny invocar o demónio e despejar sangue e cinza de Drácula sobre sua amiga Laura Bellows. O grupo parte chocado, deixando Laura para trás. Entretanto Drácula renasce e mata Laura. Quando o corpo de Laura é encontrado, o Inspector Murray é surpreendido ao encontrar o nome de Jessica Van Helsing entre os amigos da morta. Isso leva-o a interrogar o antropólogo. Este descobre que Johnny Alucard (Drácula invertido) é um discípulo de Drácula e decide procurar o conde. Entretanto Johnny engana Gaynor, mais uma amiga do grupo, levando-a à igreja, onde Drácula a mata, desta vez transformando Johnny num vampiro. Van Helsing tenta convencer o inspector sobre a hipótese de um vampiro estar em Londres. Johnny atrai Bob, e transforma-o em vampiro. Bob e Johnny conseguem então raptar Jessica, o verdadeiro alvo de Drácula. Van Helsing segue a pista de Johnny e encontra o seu apartamento, onde lutam, e Johnny morre sob água corrente do chuveiro. Na igreja, Van Helsing encontra Bob morto, e Jessica em transe hipnótica. Então prepara uma armadilha a Drácula antes que anoiteça. Quando Drácula acorda ambos lutam, e Drácula cai sobre estacas colocadas por Van Helsing, assim sendo destruído, e terminando o seu poder sobre Jessica.

Análise:
“Dracula A.D. 1972” é simplesmente uma tentativa de apelar a uma nova geração de fãs, que está mais interessada no oculto, nos comportamentos de risco e na rebeldia dos seus pares, que no reviver dos clássicos. Para tal a Hammer decidiu trazer Drácula até ao momento presente, o que só por si não seria criticável, não fosse o resultado demasiado híbrido. De facto, não há uma clara opção entre o aspecto moderno da história, e a atmosfera gótica anterior. No lado moderno temos o grupo de jovens, o seu comportamento, a linguagem juvenil, as roupas que usam, as drogas que consomem, e a música que ouvem. Mas no entanto, nada disso parece ter relevância para a história. Naquilo que conta, Drácula surge numa igreja em ruínas, a qual, estranhamente, nunca deixa, veste-se de modo ainda mais arcaico que no primeiro filme da série, e destoa mais de Londres que nunca. As principais cenas, passam-se na dita igreja, onde somos transportados para um mundo antigo que nada tem a ver com a Londres dos anos 70, a não ser pela ligação feita pela banda sonora, que insiste em música psicadélica da época, que em nada ajuda a atmosfera do filme. Deste ponto de vista as cenas “modernas” são totalmente irrelevantes (por exemplo a festa inicial na casa de uma família abastada), servindo apenas talvez para descrever os protagonistas como um grupo de pessoas completamente vazias e de inteligência duvidosa, no que parece ser uma pesada crítica de toda uma geração. Junte-se a isto um argumento sem muito sentido (começando pela ressurreição de Drácula, às motivações dos jovens, e ao comportamento da polícia, que deixa sempre Peter Cushing seguir as pistas sozinho, para aparecer minutos depois), e temos um filme que se tornou um dos mais odiados da série Hammer Horror. Salva-se a interpretação de Peter Cushing, aqui num Van Helsing mais contido e modernizado, mas sempre humano e carismático. Salva-se também a presença de Christopher Lee, filmado quase sempre de baixo para parecer mais imponente, em planos que favorecem a sua interpretação, sempre simples e eficaz. Recorde-se que esta foi a primeira vez que Lee e Cushing se defrontaram nestes papéis após o filme inicial de 1958. Destaque ainda para a interpretação duvidosa de Christopher Neame como Johnny Alucard, o qual faz lembrar um pouco Malcolm MacDowell em “A Laranja Mecânica”.

Produção:
Título original: Dracula A.D. 1972; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1972. Duração: 95 minutos; Distribuição: Warner Bros. Pictures; Estreia: 27 de Setembro de 1972 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Alan Gibson; Produção: Josephine Douglas; Argumento: Don Houghton; Música: Michael Vickers; Supervisão Musical: Philip Martell; Fotografia: Dick Bush; Director de Produção: Roy Skeggs; Direcção Artística: Don Mingaye; Montagem: James Needs; Efeitos Especiais: Les Bowie; Caracterização: Jill Carpenter; Guarda-roupa: Rosemary Burrows.

Elenco:
Christopher Lee (Conde Drácula), Peter Cushing (Lorrimer Van Helsing/Lawrence Van Helsing), Stephanie Beacham (Jessica Van Helsing), Christopher Neame (Johnny Alucard), Michael Coles (Inspector Murray), Marsha Hunt (Gaynor Keating), Caroline Munro (Laura Bellows), Janet Key (Anna Bryant), William Ellis (Joe Mitcham), Philip Miller (Bob), Michael Kitchen (Greg), David Andrews (Sargento Detective), Lally Bowers (Anfitriã da festa), Constance Luttrell (Mrs. Donnelly), Michael Daly (Charles), Artro Morris (Cirurgião da Polícia), Jo Richardson (Senhora a chorar), Penny Brahms (Rapariga Hippy), Brian John Smith (Rapaz Hippy), Stoneground (Banda Rock).

Anúncios