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Vampire CircusContinuando um dos anos mais prolíficos da Hammer, de 1971 sairia ainda o filme “O Circo dos Vampiros” (estreado apenas no ano seguinte). Nele o folclore de vampiros surgia no exotismo dos artistas de circo e seus animais. A realização foi de Robert Young, liderando um elenco bastante diferente do habitual da Hammer.

Sinopse:
Na aldeia de Schettel o Professor Mueller vê a esposa Anna brincar no bosque com uma criança, mas apercebe-se de que algo está errado quando esta a leva para o Castelo do Conde Mitterhaus. Dentro do castelo Anna revela-se amante do Conde, um vampiro, a quem ela oferece a criança. Alertada, a população assalta o castelo, e trespassa o peito do Conde com uma estaca de madeira. Ao morrer, este lança uma maldição sobre a aldeia. Muitos anos depois, as pessoas continuam a morrer inexplicavelmente, pelo que a aldeia está bloqueada pelas vizinhas, por medo de contágio. O Dr. Hersh, com a ajuda do filho Anton, fura o bloqueio em busca de uma cura. Entretanto um estranho circo chega, para diversão dos locais. Os circenses são liderados por uma cigana, e mostram certa afinidade com os seus animais selvagens, especialmente uma pantera negra que se transforma em Emil, e seduz a filha do Burgomestre. Emil revela-se como primo do Conde Mitterhaus, e o circo está ali para o vingar. Numa actuação o Burgomestre é levado à casa dos espelhos e lá vê o Conde, o que o faz ter um ataque e ficar às portas da morte. Os habitantes que tentam deixar a aldeia são levados para armadilhas pelas pessoas do circo, e os anciãos ouvem a voz do Conde que lhes promete vingança e sobre os seus filhos. Julgando a filha Dora a salvo, o professor Mueller vê-a regressar, e coloca-a sob a protecção de Anton Kersh, enquanto os filhos dos anciãos da aldeia começam a desaparecer na casa de espelhos, reaparecendo na caverna onde o corpo do Conde jaz, e onde são mortos para lhe dar vida. O Burgomestre decide matar os animais do circo, mas confrontado por Emil, morre, e este leva-lhe a filha para a caverna. Emil ataca a escola, matando os estudantes, e Dora é confrontada pelos gémeos Webber, mas com a ajuda de Anton, eles são destruídos. O Dr. Kersh volta trazendo a cura para a praga que assola a aldeia, e a notícia sobre o circo de vampiros. Liderados pelo Professor Mueller os habitantes atacam o circo. Encontrando a caverna, chegam a tempo de salvar Dora e Anton. Esta fora protegida pela cigana, que se revela como sendo a sua mãe, Anna Mueller, a antiga amante do Conde. O Professor Mueller mata Emil, e Anton decepa definitivamente o Conde que renascia.

Análise:
“O Circo dos Vampiros” é uma história estranha, que tenta trazer, com o exotismo do circo e seus protagonistas, uma aura de conto de fadas, quase onírica às histórias de vampiros, numa história de vingança por um vampiro morto, o aristocrata Conde Mitterhaus (Robert Tayman). Interessante é o facto de o Conde ter sido perseguido e morto, não pelos crimes de sangue, mas quando foi descoberto com a mulher de um dos notáveis da aldeia, o Professor Mueller (Laurence Payne). O resultado é a necessidade de os homens da aldeia recuperarem a sua masculinidade às custas da mulher infiel. Tal marca o tom patriarcal da aldeia, que será desafiado pela chegada do circo, e consequente mudança de costumes, com a sedução dos mais novos. Por grande parte do filme esquecemo-nos que temos vampiros à nossa frente, sendo “hipnotizados” pelos malabarismos, as transformações, e o feérico que vai do estranho anão ao enigmático Emil (Antony Corlan). Vive-se uma eterna noite de actuações circenses, em que nós, tal como os habitantes da aldeia, nos vamos deixando enredar, para que cada morte surja como natural, e de efeito atenuado. Sem interpretações que se destaquem, ou um tema que vá para além do da vingança, o filme vale pela originalidade da história, e uma atmosfera híbrida de gótico e exótico. Não consegue no entanto ter o carisma de filmes anteriores, tornando-se aos poucos apenas um cenário para um rol de mortes consecutivas, e muitos avanços e recuos nas ameaças aos protagonistas, que tornam o enredo repetitivo. De notar a presença de Dave Prowse (o futuro Darth Vader) como o homem-músculo do circo.

Produção:
Título original: Vampire Circus; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Pinewood Studios; Ano: 1971; Duração: 83 minutos; Distribuição: Rank Film Distributors Ltd; Estreia: 30 de Abril de 1972 (Inglaterra), 24 de Maio de 1973 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Robert Young; Produção: Wilbur Stark; Argumento: Judson Kinberg; Música: David Withaker; Supervisão Musical: Philip Martell; Director de Produção: Roy Skeggs; Fotografia: Moray Grant (filmado em Rank Film Processing); Efeitos Especiais: Les Bowie; Direcção Artística: Scott McGregor; Caracterização: Jill Carpenter; Guarda-roupa: Brian Owen-Smith; Montagem: Peter Musgrave.

Elenco:
Adrienne Corri (Cigana); Thorley Walters (Burgomestre); Antony Corlan (Emil); John Moulder-Brown (Anton); Laurence Payne (Mueller); Richard Oswen (Dr. Kersh); Kynne Frederick (Dora); Elizabeth Seal (Gerta); Robin Hunter (Hauser); Domini Blythe (Anna); Robert Tayman (Conde Mitterhaus); John Bown (Schilt); Mary Wimbush (Elvira); Christina Paul (Rosa); Robin Sachs (Heinrich); Lalla Ward (Helga): Skip Martin (Michael); David Prowse (Homem-Músculo); Roderick Shaw (Jon); Barnaby Shaw (Gustav); Milovan and Serena (Os Webers));Jane Derby (Jenny); Sibylla Kay (Mrs. Schilt); Doroty Frere (Avó Schilt); Sean Hewitt (Primeiro Soldado); Giles Phibbs (Sexton); Jason James (Capataz); Arnold Locke (Velho Aldeão).

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