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Hands of the RipperVoltando aos clássicos da Londres Edwardiana, a Hammer escolheu para novo tema o mito de Jack o Estripador. No entanto em vez de usar a história do famoso assassino, escolheu apresentar uma sua filha. O papel principal desta história de sadismo esteve a cargo de Angharad Rees, numa realização de Peter Sasdy (“Taste the Blood of Dracula”, “A Condessa Drácula”).

Sinopse:
Em Londres Jack o Estripador faz mais uma vítima, fugindo para casa, onde sem conseguir disfarçar o sangue nas suas mãos, é descoberto pela esposa. Jack mata-a para a silenciar, tudo sob o olhar da filha, a pequena Anna. Anos mais tarde, Anna trabalha com a medium Mrs. Golding. Após uma sessão, um dos presentes, Dysart, fica pois comprara a virgindade de Anna. Ao mostrar-lhe uma jóia os reflexos desta colocam Anna num transe hipnótico, que a leva a matar Mrs. Golding. Dysart foge em pânico sendo reconhecido pelo psicólogo John Pritchard. Na polícia Pritchard mente para proteger Dysart, e depois leva Anna para sua casa, chantangeando Dysart para que este lhe dê informação sobre o passado de Anna, que ele quer estudar através de psicanálise. Sempre que alguém mostra algo brinhante que incide luz na cara de Anna, esta ouve a voz do pai, e em transe mata a pessoa. É assim que mata a criada Dolly, uma prostituta, e mais tarde, à frente de Pritchard, Madame Bullerd, que revela que Anna é filha de Jack o Estripador. Pritchard mantém Anna em casa, pensando que a conseguirá controlar, mas esta, novamente em transe, acaba por feri-lo com uma espada, e sair com o filho de Pritchard e a sua noiva cega, Laura. Na catedral de São Paulo, Anna e Laura sobem à cúpula dos murmúrios, e quando Laura murmura para Anna, esta volta a ouvir a voz do pai e entra em transe. Anna prepara-se para matar Laura, quando a voz do ferido Dr. Pritchard lhe chega de baixo. Este chama-a, e Anna salta para a sua morte aos pés de Pritchard.

Análise:
“As Mãos do Estripador” joga com o título e o nome de Jack o Estripador para nos trazer uma história original, com contornos de possessão e psicanálise. Mostrando-nos a Londres Edwardiana, o filme tornou-se famoso pelas inúmeras cenas sangrentas, já que Anna (interpretada por Angharad Rees) usa os métodos mais cruéis para, em transe, matar as suas vítimas, desde trespassá-las, a espetá-las com agulhas e degolá-las com vidros, num dos filmes mais explicitamente sangrentos da Hammer. Mais uma vez a ciência é o fio condutor, e o catalizador da desgraça, desta vez pela mão do Dr. Pritchard (interpretado por Eric Porter), um psicólogo que quer usar as mais recentes técnicas de Freud, para entender Anna. Tal interesse e arrogância científica, que descura qualquer bom senso, deixa para trás a justiça, acima da qual Pritchard se coloca. Ao mesmo tempo que se embrenha no seu objecto de estudo, Pritchard deixa de lado a ética, começando a nutrir pela paciente um interesse muito além do profissional. A tensão sexual não assumida que se vai adivinhando entre os dois, guia os eventos, e cega o doutor ao perigo que tem em casa. Ao mesmo tempo que este explora a ideia da psicanálise, os incidentes sugerem uma possessão além-túmulo, na qual o pai de Anna ainda domina os seus actos, dando-lhe uma espécie de dupla personalidade bem comum na Hammer (confirmar nos dois filmes inspirados em Jekyll & Hyde, “The Devil Rides Out” e “Frankenstein Criou Uma Mulher”). De facto raras vezes alguém como Angharad Rees nos conseguiu desconcertar tanto com as transições entre uma inocência quase infantil e uma maldade tão desproporcionada. Peter Sasdy, fiel à tradição da Hammer, deixa os luxuosos interiores e as noites de nevoeiro marcar o ambiente, que talvez seja apenas maculado por uma música demasiado explícita e desadequada. Ainda assim, muito graças às boas interpretações dos dois actores principais, “As Mãos do Estripador” é um dos mais interessantes filmes da Hammer dos anos 70.

Produção:
Título: Hands of the Ripper; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Pinewood Studios; Ano: 1971; Duração: 81 minutos; Distribuição: Rank Film Distributors Limited; Estreia: 7 de Julho de 1972 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Peter Sasdy; Produção: Aida Young; Argumento: L.W. Davidson, a partir de uma historia original de Edward Spencer Shew; Fotografia: Kenneth Talbot (processado por Rank Films Laboratories); Direcção Artística: Roy Stannard; Montagem: Chris Barnes; Música: Christopher Gunning; Supervisão Musical: Philip Martell; Caracterização: Bunty Phillips; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Cliff Culley.

Elenco:
Eric Porter (Pritchard); Angharad Rees (Anna); Jane Merrow (Laura); Keith Bell (Michael); Derek Godfrey (Dysart); Dora Bryan (Mrs. Golding); Marjorie Rhodes (Mrs. Bryant); Linda Barin (Long Liz); Marjie Lawrence (Dolly); Norman Bird (Inspector da Polícia); Margaret Rawlings (Madame Bullerd); Elizabeth MacLennan (Mrs. Wilson); Barry Lowe (Mr. Wilson); A. J. Brown (Reverendo Anderson); April Wilding (Catherine).

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