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Dr Jekyll and Sister HydeContinuando a ideia de diversificar os seus temas, a Hammer resolveu dar uma nova roupagem à história de Robert Louis Stevenson “The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde”, trazendo o tema da transexualidade. Ralph Bates e Martine Beswick foram os actores escolhidos, numa realização de Roy Ward Baker (As Amantes do Vampiro).

Sinopse:
Conhecido como “The Whitechapel Murderer”, o Doutor Jekyll mata mulheres para lhes retirar glândulas hormonais, que o ajudarão na sua investigação sobre prolongar a vida. Em retrospectiva Jekyll conta a sua história começando um ano antes, quando foi visitado pelo colega, o Porfessor Robertson. É em diálogo com o colega, que Jekyll tem a sua ideia de criar um elixir da vida, que a prolongue. Jekyll embrenha-se no seu trabalho, e não nota o interesse da sua nova vizinha Susan, que desenvolve uma atracção por ele. No seu trabalho Jekyll usa glândulas de hormonas femininas retiradas de cadáveres frescos, e consegue prolongar a vida de uma mosca, que o Professor Robertson repara ter mudado de sexo. Ao tomar a poção ele próprio, Jekyll transforma-se numa mulher, e tenta seduzir Howard, o irmão de Susan. No dia seguinte, para disfarçar, Jekyll diz que a estranha mulher era a sua irmã, a viúva Hyde. Quando os criminosos que lhe forneciam cadáveres são apanhados, Jekyll começa a assassinar mulheres ele próprio, para lhes retirar as hormonas, ao mesmo tempo que começa a perder o controlo da sua transformação em Hyde. Aos poucos a personalidade de Hyde vai-se tornando mais dominante, e é ela que sai à noite para matar mulheres. O Professor Robertson, a trabalhar com a polícia, liga as mutilações das vítimas com o trabalho de Jekyll, e resolve confrontá-lo. No entanto quem o recebe é Hyde, que o seduz e mata. Ao voltar a si, Jekyll arrepende-se e decide destruir o seu trabalho e laboratório, mas Hyde volta a dominá-lo, e volta a seduzir Howard e a provocar Susan. Tal leva Jekyll a pedir a Susan que evite Hyde. Susan e Jekyll combinam uma ida ao teatro, mas à hora marcada Hyde domina Jekyll, e este falha o encontro. Susan decide procurá-lo na rua, e Hyde persegue-a para a matar, mas no momento em que a ia apunhalar, Jekyll consegue controlar a sua mão. Num bar um cego conta que sabe que o assassino é um médico famoso, e leva a polícia e a multidão a casa do Doutor Jekyll. Ao ver a polícia Jekyll foge, e trepa pelos telhados dos edifícios, acabando por cair para a sua morte. O rosto do morto é híbrido entre Jekyll e Hyde.

Análise:
A Hammer tentou, nesta abordagem da história de Robert Louis Stevenson, novamente uma visão original. Em vez de um médico e um monstro, temos uma transformação entre homem e mulher. O tema da transexualidade, então bastante inovador, é evidente, havendo uma explícita demonstração de luxúria dos sentidos quando Jekyll/Hyde descobre o seu novo corpo, e o explora à frente do espelho. Desta vez o fulcro das experiências é o elixir da vida, que segundo Jekyll tem algo de feminino e deve ser procurado nas hormonas das mulheres. Tal como é clássico na Hammer, isto leva ao caminho habitual em que um cientista, por pura arrogância, decide fingir que é Deus, e termina sofrendo as consequências de um herói byroniano. Ralph Bates, no papel principal, com uma interpretação fria, ao estilo que vinha habituando os fãs, é o cientista, recluso das suas experiências, obcecado com as suas descobertas, e por fim amargurado com os resultados. Martine Beswick, a irmã Hyde, é por sua vez uma mulher fatal, que quer dominar Jekyll e usar o seu corpo como modo de conquistar e manipular aqueles que estão à sua volta. Curioso é como cada “versão” do doutor tem interesse por um dos irmãos que vive no mesmo prédio, dando à história uma ainda maior perversidade. O tema do bem e do mal é aqui de moralidade. O casto Jekyll contrasta com a dissoluta Hyde. Ao moralmente dividido Jekyll responde a amoralidade de Hyde. Será legítimo sacrificar alguns para ajudar outros? É essa a dúvida que Jekyll carrega consigo, Hyde responde por actos que todos os meios são justificados pelos fins. “A Bela e o Monstro” tem o condão de trazer uma atmosfera muito próxima dos primeiros filmes da Hammer. Quase se diria estarmos a ver o primeiro Frankenstein ou outro filme do final dos anos 50, princípio dos 60. Roy Ward Baker condú-lo com mestria, num ambiente urbano pejado de referências góticas, no que vai ainda mais além que o anterior “The Two Faces of Dr. Jekyll”, no entanto, ao contrário deste, não tem a riqueza da exploração da mente dividida do personagem principal.

Produção:
Título: Dr. Jekyll and Sister Hyde; Produção: EMI – Hammer Film Productions. País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1971; Duração: 97 minutos; Distribuição: Anglo-EMI Film Distributors; Estreia: 17 de Outubro de 1971.

Equipa técnica:
Realização: Roy Ward Baker; Produção: Albert Fennell e Brian Clemens; Argumento: Brian Clemens, baseado num romance de Robert Louis Stevenson; Director de Produção: Roy Skeggs; Fotografia: Norman Warwick (filmado em Technicolor); Caracterização: Trevor Crole-Rees; Direcção Artística: Robert Jones; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Montagem: James Needs; Música: David Whitaker; Supervisão Musical: Philip Martell.

Elenco:
Ralph Bates (Dr. Jekyll); Martine Beswick (Sister Hyde); Gerald Sim (Prof. Robertson); Lewis Fiander (Howard); Dorothy Alison (Mrs. Spencer); Neil Wilson (Polícia mais velho); Ivor Dean (Burke); Paul Whitsun-Jones (Sgt. Danvers): Philip Madoc (Byker); Tony Calvin (Hare); Susan Broderick (Susan); Dan Meaden (Anunciador) Virginia Wetherell (Betsy); Geoffrey Kenion (Primeiro Polícia); Irene Bradshaw (Yvonne); Anna Brett (Julie), Jackie Pole (Margie), Rosemary Lord (Marie), Petula Portell (Petra), Pat Brackenbury (Helen), Liz Romanov (Emma), Will Stampe (Mine Host).

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