Etiquetas

, , , , , , , , , , ,

Blood from the Mummy's TombComo quarto filme da série iniciada em 1959 com “A Múmia”, a Hammer optou por não exibir nenhuma múmia. Quase que um filme amaldiçoado, “O Túmulo de Sangue” começaria com Peter Cushing no papel principal, mas este viria a deixar a produção por doença da mulher. Já o realizador inicial, Seth Holt, morreu durante a realização, e o filme teve de ser terminado por Michael Carreras. “O Túmulo de Sangue” teve um remake em “A Maldição do Vale dos Faraós” (“The Awakening”) de 1980, e foi um dos inspiradores de “A Múmia” (1999) de Stephen Sommers.

Sinopse:
Na véspera de completar 18 anos, Margaret Fuchs recebe do seu pai, o egiptólogo Julian Fuchs um vistoso anel de rubi. Este pertencera à princesa e feiticeira egípcia Tera, dizendo-se que continha o seu poder mágico. Margaret sonha com a sepultura de Tera à qual fora decepada a mão, que voltou ao túmulo por si só, causando a morte trágica de todos os que perticiparam no enterro. O seu túmulo fora entretanto descoberto por Julian Fuchs, no preciso momento em que em Londres Margaret nascia. Para além da mão decepada este encontrara o corpo intacto da princesa, trazendo o seu sarcófaco consigo para Londres. Ao voltar a casa Margaret encontra o pai numa espécie de coma por algo que se passou na sua ausência. Com a ajuda do namorado Tod, procura o professor Dandridge, que teme Margaret pela sua semelhança com Tera. Sob a orientação do misterioso Corbeck, Margaret vai assumindo o papel de Tera e visitando sucessivamente os ex colegas do pai, Berrigan, Danbridge e Dickerson. Por cada visita eles morrem, e um dos objectos sagrados de Tera reaparece junto ao seu corpo. Tod apercebe-se do jogo perigoso que Margaret joga, e ao tentar impedi-la esta causa a sua morte, tal como a do médico de família. Com todos os objectos reunidos, Corbeck tenta ressuscitar Tera, contra a vontade de Julian Fuchs e Margaret, que o atacam, causando a sua morte. Tera, no entando acordou, e quando Julian e Margaret a tentam apunhalar ela mata o velho professor, mas é apunhalada por Margaret. Com a morte de Tera, todo o edifício abate. Margaret, a única sobrevivente, acorda numa cama de hospital enfaixada como uma múmia.

Análise:
“O Túmulo de Sangue” é o mais original dos filmes da Hammer série “Múmia”. Decorrendo a acção nos anos 70, perde-se muito do ambiente gótico natural da Hammer, aqui substituído por uma fotografia bem mais luminosa. Ele persiste principalmente nos interiores da casa dos Fuchs (de notar como a cave é a reconstituição do túmulo de Tera). A ligação entre o presente e o passado faz-se através dos sonhos de Margaret (Valerie Leon), que tem uma ligação com Tera (também Valerie Leon) que ela não pode compreender. Aqui Tera, a temida feiticeira egípcia, não é uma múmia, pois o seu corpo foi deixado intacto. Aliás não é perdida uma ocasião para mostrar o belo corpo de Valerie Leon, seja deitada como Tera ou como Margaret na cama com o namorado. A história é de possessão, pois Margaret está destinada a ser o veículo por quem Tera voltará à vida. Essa atmosfera trágica começa na cena do sonho inicial e termina com o filme, onde Margaret é ironicamente transformada numa múmia. Embora com uma história mais apelativa que os dois predecessores, com uma superior beleza fotográfica e melancolia transmitida, é um filme ainda dominado por diálogos fúteis. A cena final no hospital será porventura a mais bem conseguida do filme, onde a angústia da vítima é bem transmitida ao espectador. Valerie Leon é a verdadeira estrela do filme, de outro modo acompanhada por interpretações sem brilho, numa realização de Seth Holt, que nada vem trazer de importante ao cânone da Hammer, mas mais uma história de sucessivas mortes de contornos sádicos, perpretadas em nome de uma antiga maldição.

Produção:
Título ogininal: Blood From The Mummy’s Tomb; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Ano: 1971; Duração: 89 minutos; Distribuição: Anglo-EMI Film Distributors Ltd; Estreia: 14 de Outubro de 1971 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Seth Holt [e Michael Carreras, não creditado]; Produção: Howard Brandy; Argumento: Christopher Wicking, baseado no romance “Jewel Of The Seven Stars” de Bram Stoker; Director de Produção: Roy Skeggs; Fotografia: Arthur Grant (filmado em Technicolor); Produção Artística: Scott MacGregor; Música: Tristram Cary; Supervisão Musical: Philip Martell; Montagem: Peter Weatherley; Caracterização: Eddie Knight; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Michael Collins.

Elenco:
Andrew Keir (Prof. Julian Fuchs), Valerie Leon (Margaret Fuchs/Queen Tera), James Villiers (Corbeck), Hugh Burden (Geoffrey Dandridge), George Coulouris (Prof. Berrigan), Mark Edwards (Tod Browning), Rosalie Crutchley (Helen Dickerson), Aubrey Morris (Doutor Putnum), David Markham (Doutor Burgess), Joan Young (Mrs. Caporal), James Cossins (Enfermeiro mais velho), David Jackson (Enfermeiro mais jovem), Jonathan Burn (jovem).

Advertisement