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Twins of EvilCom “As Servas de Drácula” a Hammer completava a trilogia Karnstein, baseada nas personagens de J. Sheridan Le Fanu. Feito no mesmo ano do predecessor “Prazeres de Vampira”, o filme usou uma equipa muito próxima da dos dois filmes anteriores, incluindo produtores e argumentista. A realização esteve a cargo de John Hough, e as protagonistas femininas foram as gémeas, e ex-playmates da Playboy, Mary e Madeleine Collinson. De notar o regresso de Peter Cushing como caçador de vampiros. Os mesmos cenários foram usados para o filme “O Circo dos Vampiros”.

Sinopse:
Em Karnstein, na Europa Central, Gustav Weil e a sua irmandade de fanáticos cristãos perseguem as mulheres que vivem sozinhas ou têm reputação dividosa, queimando-as na fogueira como bruxas, para assim exorcizar as várias mortes inexplicadas que vêm ocorrendo. Nesses recontros só são parados pela presença do conde Karnstein, cuja influência junto do Imperador temem. Tendo ficado orfãs em Veneza, as gémeas Maria e Frieda Gellhorn viajam para Karnstein onde ficam a cargo do tio Gustav Weil e da sua esposa Katy. Mas se Maria é dócil e compreende o zelo do tio, Frieda é rebelde e promete escapar à sua vigilância. As raparigas são postas ao cuidado da escola de Ingrid e Anton Hoffer, com este a apaixonar-se imediatamente por Frieda, embora confesse ser opositor dos métodos de Gustav. No castelo Karnstein o conde procura em rituais satânicos ganhar os favores do demónio. Num desses rituais assassina uma rapariga da aldeia, e o seu sangue ressuscita a vampira Mircalla, que o transforma num vampiro. Entretanto, numa fuga nocturna Frieda chega ao castelo e entrega-se ao conde que a transforma em vampira. Frieda tem as suas fugas nocturnas cobertas pela irmã, e usa-as para matar. Numa dessas noites Frieda mata Ingrid, o que lança Anton em desespero. Ao ser apanhada pela irmandade de Gustav Weil, Frieda é presa e condenada a morrer na fogueira. Em casa dos Weil, a tia Katy ouve Maria falar no sono e descobre que o mal provém do castelo Karnstein. Quando ela corre para avisar o marido, o conde Karnstein rapta Maria, e substitui-a por Frieda na prisão. Em casa dos Weil, Anton procura Maria, mas é atacado por Frieda, percebendo que houve uma troca. Quando Maria já está na pira, Katy explica a Gustav que o culpado é o conde, mas só quando Anton chega e prova que é Maria quem está ali presa é que a irmandade se convence e finalmente decide que é tempo de enfrentar o conde Karnstein. Liderados por Anton, que é o único que sabe matar vampiros, a irmandade chega ao castelo, onde matam o criado que protege a fuga de Karnstein e Frieda. Gustav consegue surpreendê-los decepando Frieda, mas o conde escapa levando Maria consigo. É Anton, que atira uma lança de madeira e trespassa o peito do conde, cujo corpo se decompõe instantaneamente à vista de todos.

Análise:
“As Servas de Drácula” o terceiro filme da trilogia Karnstein, é também aquele que menos tem a ver com a obra de J. Sheridan Le Fanu. De facto em vez de, como nos dois filmes anteriores termos uma história centrada na vampira Carmilla Karnstein, temos a história de duas gémeas que personificam dois lados de uma personalidade. De um lado a pura e dócil Maria, do outro a rebelde Frieda, que ri da moralidade da irmã e escarneia o puritanismo. Nas suas palavras, que interessa ser-se bom, se isso significa viver como aquela gente atrasada e supersticiosa sempre com medo. Por outro lado ainda, este filme faz da bruxaria, ou melhor da caça às bruxas o tema principal. Peter Cushing, interpretando o fanático puritano Gustav Weil, surge aqui mais contido que o habitual (por motivos de doença a sua energia já não era a mesma), ainda assim compondo um personagem carismático que lidera uma comunidade dominada pelo medo, e pronta a seguir qualquer solução por mais radical que pareça. É assim que nasce a sua irmandade que caça (e queima) bruxas à noite, sem qualquer critério que não seja o extravasar dos medos acumulados. Sem compreender o que se passa à sua volta, e não vendo que o mal polui a sua própria casa, na figura da sobrinha e vampirizada Frieda, Gustav tenta atemorizar quem se lhe opõe. Tal acontece com a única pessoa esclarecida da aldeia, o professor de música Anton Hoffer. Este (no papel do antigo herói da Hammer, aliando racionalidade, compaixão, cultura e superstição) é o único que sabe matar vampiros, separando os males, o real (vampirismo) do falso (bruxaria). Só quando Gustav percebe os seus erros de julgamento, pode confiar em Anton, e finalmente pôr um fim no verdadeiro mal que assola a região. E este, mais uma vez vem na figura do sedutor conde Karnstein, temido, invejado pelos homens, e desejado pelas mulheres. Com o tema do fanatismo a dominar parte do filme, o vampirismo acaba por parecer secundário, o mesmo acontecendo ao lesbianismo, evidente dos dois filmes anteriores, e aqui deixado de lado. John Hough consegue conduzir um filme pleno de um ambiente que em nada fica a dever aos melhores filmes da Hammer. Por outro lado conduz uma narrativa com demasiados saltos e elipses, nunca se chegando a perceber exactamente a razão do uso de duas gémeas (não é clara a dicotomia moral das irmãs, nem previsível que estejam divididas entre o bem e o mal), que não seja o de sugerir uma sensualidade, que de facto não chega a existir.

Produção:
Título original: Twins of Evil; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Pinewood Studios; Ano: 1971; Duração: 83 minutos; Distribuição: Rank Organization; Estreia: 3 de Outubro de 1971 (Inglaterra), 31 de Maio de 1973 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: John Hough; Produção: Harry Fine e Michael Style; Argumento: Tudor Gates, baseado em personagens criadas por J. Sheridan Le Fanu; Fotografia: Dick Bush (filmado em Rank Film Processing); Direcção Artística: Roy Stannard; Montagem: Spencer Reeve; Segunda Unidade e Efeitos Especiais: Jack Mills; Música: Harry Robinson; Supervisão Musical: Philip Martell; Caracterização: George Blackler e John Webber; Guarda-roupa: Rosemary Burrows.

Elenco:
Peter Cushing (Gustav Weil), Dennis Price (Dietrich), Mary Collinson (Maria Gellhorn), Madeleine Collinson (Frieda Gellhorn), Isobel Black (Ingrid Hoffer), Kathleen Byron (Katy Weil), Damien Thomas (Conde Karnstein), David Warbeck (Anton Hoffer), Harvey Hall (Franz), Alex Scott (Hermann), Judy Matheson (Filha do lenhador), Luan Peters (Gerta), Sheelah Wilcox (Mulher na carruagem), Katya Wyeth (Condessa Mircalla), Roy Stewart (Joachim), Inigo Jackson (Lenhador), Kirsten Lindholm (Rapariga queimada), Peter Thompson (Gaoler), Maggie Wright (Alexa).