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capanatalchristmascarolO famoso conto de Natal de Charles Dickens mostra-nos Ebenezer Scrooge (George C. Scott), um homem solitário e amargo, aparentemente sem coração, para quem o Natal é apenas um desperdício de tempo e dinheiro. Por isso maltrata e ignora os que lhe estão mais próximos, como o empregado Bob Cratchit (David Warner) e o sobrinho Fred (Roger Rees). Mas na noite de Natal o fantasma do seu antigo sócio Jacob Marley (Frank Finlay) visita-o, aconselhando-o a mudar a sua forma de ser, e anunciando a visita de três espíritos que o levarão em viagem pelo seu passado, presente e futuro, e lhe farão ver o quanto ele se distanciou do calor humano que agora já não entende.

Análise:

Não há provavelmente história de Natal mais conhecida no mundo ocidental, que o conto de Charles Dickens “Um Conto de Natal”, publicado em 1843. A obra tem merecido inúmeras adaptações, quer ao cinema, tv e teatro, como até à rádio, ópera, ballet, concerto, bd, etc. Atrevo-me a dizer que Natal não é Natal sem vermos uma qualquer versão de “Um Conto de Natal”. Entre as adaptações ao cinema (se bem que neste caso um telefilme), “A Christmas Carol” de Clive Donner (que já antes adaptara “Oliver Twist” também de Dickens) tem recebido um aplauso quase unânime como uma das melhores de sempre. Donner filmou os exteriores numa vila inglesa, o que dá ao filme uma característica bastante real, onde sentimos quase o frio da neve nos nossos pés, e o cinzento opressor das ruas. A confirmar esse realismo, o Ebenezer Scrooge de George C. Scott está longe de ser a figura exageradamente misantropa e risível da maioria das adaptações que tendem a caricaturá-lo como alguém de fora deste mundo. Pelo contrário, George C. Scott compõe com sobriedade e honestidade um personagem humano, palpável, que quase conhecemos das nossas vidas. Scrooge é arrogante e cruel, é certo, mas tem profundidade, e ao longo das três viagens que os espíritos lhe proporcionam, somos essencialmente nós que viajamos até às razões que transformaram o homem e o tornaram no ser odiado por todos. Nessas viagens quase não são precisas palavras, e George C. Scott não as usa em tom jocoso, mas sim com profundo sentimento. Por isso basta vermos os seus olhos e sentimos com ele, compreendemos a sua vida e apiedamo-nos dele. É essa qualidade que torna a sua interpretação inesquecível (George C. Scott seria nomeado para um Emmy por este filme), e consegue com que, ao invés de apontarmos as culpas do homem, queiramos perdoá-lo e obter a sua redenção. Dessa forma a sua transformação final comove-nos, já que, tal com oos três espíritos, lutáramos por ela. O filme tem ainda um elenco de luxo, uma narração perfeita, e uma produção artística inspiradíssima. O facto de o argumento seguir rigorosamente o livro (quase todas as falas são linhas do conto) também ajuda a fazer dele um clássico, e talvez a versão definitiva da história em formato audiovisual. Num momento em que o mundo vive sob o espectro de crises financeiras causadas pela ambição de alguns, a história torna-se ainda mais actual, fazendo-nos querer gritar aos Scrooges deste mundo “Bah! Humbug!”. Feliz Natal a todos!

Produção:

Título original: A Christmas Carol; Produção: Entertainment Partners Ltd.; Produtor Executivo: Robert E. Fuisz; País: Reino Unido/EUA; Ano: 1984; Duração: 102 minutos; Distribuição: Enterprised; Estreia: 17 de Dezembro de 1984 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Clive Donner; Produção: William F. Storke e Alfred R. Kelman; Argumento: Roger O. Hirson [baseado no livro de Charles Dickens]; Direcção Artística: Roger Murray-Leach; Guarda-roupa: Evangeline Harrisson; Música: Nick Bicât; Direcção de Orquestra: Tony Britten; Fotografia: Tony Imi; Montagem: Peter Tanner; Coreografia: Eleanor Fazan; Caracterização: Christine Beveridge; Efeitos Especiais: Martin Gutteridge e Graham Longhurst.

Elenco:

George C. Scott (Ebenezer Scrooge), Frank Finlay (Jacob Marley), Angela Pleasence (Fantasma do Natal Passado), Edward Woodward (Fantasma do Natal Presente), Michael Carter (Fantasma do Natal Por Chegar), David Warner (Bob Cratchit), Susannah York (Mrs. Cratchit), Anthony Walters (Pequeno Tim), Roger Rees (Fred Holywell / Narrador), Caroline Langrishe (Janet Holywell), Lucy Gutteridge (Belle), Nigel Davenport (Silas Scrooge), Mark Strickson (Jovem Scrooge), Joanne Whalley (Fan), Timothy Bateson (Mr. Fezziwig), Michael Gough (Mr. Poole), John Quarmby (Mr. Hacking), Peter Woodthorpe (Velho Joe), Liz Smith (Mrs. Dilber), John Sharp (Tipton), Danny Davies (Forbush), Derek Francis (Pemberton), Brian Pettifer (Ben), Catherine Hall (Meg), Peter Settelen (Marido de Belle).

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