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Miracle on 34th StreetQuando o idoso Kris Kringle (Edmund Gwenn) surge como salvador de uma parada natalícia, vestindo o fato do velho Pai Natal, as pessoas à sua volta começam a sentir-se incomodadas, por ele levar o papel tão a sério que diz ser o verdadeiro Pai Natal. Particularmente incomodada fica Doris Walker (Maureen O’Hara), a mulher que o contratou, pois teme que ele seja uma má influência para a sua filha Susan (Natalie Wood), que ela tenta educar longe da influência de fantasias e ilusões. Mas o velho Kris Kringle vê como sua missão fazer mãe e filha acreditar, para assim sentir que o espírito de Natal ainda não está completamente perdido.

Análise:

Se há filme que é exemplo do lado inocente, sonhador e imaginativo do espírito natalício, é este “De Ilusão Também Se Vive” de George Seaton. Conduzido pelo calmo e bonacheirão Edmund Gwenn (que receberia um Oscar por esta actuação), conta-nos a história de um homem que talvez seja o próprio Pai Natal. Uma coisa é certa, não demora muito até nós querermos que ele seja mesmo o Pai Natal, desejo esse que vamos partilhar com quase toda a gente na história: as crianças que inocentemente procuram o Pai Natal nas lojas; o seu quase cúmplice Fred Gailey (John Payne), que o vê como uma ajuda para quebrar o gelo na vizinha Doris Walker (Maureen O’Hara); e por fim toda a cidade, quando rejubila com a decisão do tribunal de o declarar como verdadeiro Pai Natal. As peripécias são caricaturais e cómicas, com personagens risíveis, como o afável Shellhammer, o vilão Sawyer, e o incrédulo juiz Harper. Tal adequa-se à atmosfera descontraída e optimista do filme, que a brincar se transforma numa fábula moderna sobre os perigos do ultra-realismo, e da falta de fantasia e imaginação, numa mensagem um pouco à imagem do universo de Frank Capra. O lado realista é-nos trazido pelas figuras centrais, mãe e filha, a primeira por opção, a segunda por nunca ter conhecido alternativa. Doris Walker escolhe viver num mundo sem ilusão, para evitar o sofrimento da desilusão, e impõe esse mundo à pequena Susan (uma interpretação brilhante, da então pequenina Natalie Wood), reprimindo os contos de fadas, e tudo o que não seja o mais puro realismo. Pelos olhos de Gailey e Kringle, compadecemo-nos com a falta do calor e fantasia na vida de mãe e filha, e ao lado deles tentamos mudar a situação. Como história de Natal, o final feliz está desde logo prometido, mas acontece após repetidas surpresas de um argumento inteligente, diálogos perfeitos, e interpretações (se bem que aqui e ali estereotipadas) absolutamente inspiradas de todo o elenco. No final quem não rir com as peripécias, quem não se comover com o simpático Kringle, e quem não derramar uma lágrima com a conclusão, precisa provavelmente que um qualquer Kris Kringle chegue e coloque um pouco de fantasia na sua vida. Enquanto houver filmes perfeitos como este, o espírito do Natal não morre. Um remake do filme surgiu em 1994, chamado em português “Milagre em Manhattan” (Miracle on 34th Street) com Richard Attenborough no papel de Kris Kringle, e realização de Les Mayfield.

Produção:

Título original: Miracle on 34th Street; Produção: Twentieth Century-Fox Film; País: EUA; Ano: 1947. Duração: 97 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 2 de Maio de 1947 (EUA), 15 de Agosto de 1949 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: George Seaton; Produção: William Perlberg; Argumento: George Seaton, a partir de uma história de Valentine Davies; Música: Cyril Mockridge; Direcção Musical: Alfred Newman; Arranjos de Orquestra: Edward Powell; Fotografia: Charles Clarke e Lloyd Ahern (preto e branco); Direcção Artística: Richard Day e Richard Irvine; Cenários: Thomas Little e Ernest Lansing; Montagem: Robert Simpson; Guarda-roupa: Kay Nelson; Caracterização: Ben Nye; Efeitos Especiais: Fred Sersen.

Elenco:

Maureen O’Hara (Doris Walker), John Payne (Fred Gailey), Edmund Gwenn (Kris Kringle), Gene Lockhart (Judge Henry X. Harper), Natalie Wood (Susan Walker), Porter Hall (Granville Sawyer), William Frawley (Charlie Halloran), Jerome Cowan (Procurador Público Thomas Mara), Philip Tonge (Julian Shellhammer).

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