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Countess Dracula1971 foi um ano prolífico para os filmes de horror da Hammer, com o regresso de Michael Carreras ao lugar de produtor executivo, a pedido do seu pai James. “A Condessa Drácula” é uma tentativa de inovar os temas, desta vez com a introdução da história macabra da Condessa Elizabeth Barthory. Filmado por Peter Sasdy (Taste the Blood of Dracula), tinha de novo no papel principal a voluptuosa Ingrid Pitt (As Amantes do Vampiro).

Sinopse:
Na Hungria do século XVII o tenente Imre Toth chega a tempo de assistir ao funeral do Conde Nádasdy, amigo do seu pai. Na leitura do testamento fica a saber que herdou os estábulos e cavalos, enquanto a fortuna e propriedade serão divididas entre a viúva, a Condessa Elizabeth, e a filha Ilona, ainda ausente. A velha condessa sem querer provoca um golpe na sua criada que a salpica de sangue, ao ver que isso lhe rejuvenesceu a pele, mata a criada e banha-se no seu sangue, voltando a aparecer jovem. Com a ajuda do seu amante Capitão Dobi, a Condessa manda raptar a sua própria filha Ilona, fazendo-se passar por ela. No papel de Ilona, a condessa seduz o tenente Toth, que se apaixona por ela. Mas ao ficar de novo velha, a Condessa percebe que terá de matar uma jovem mulher a cada dia, atraindo uma cigana para lhe ler a sina, e matando-a. Quando a condessa e Toth anunciam o seu noivado, Dobi, com ciúmes põe uma prostituta na cama de Toth para a condessa descobrir. Esta mata-a para rejuvenescer, mas tal não resulta. Consultando o bibliotecário Fabio, Dobi e Elizabeth percebem que apenas o sangue de uma virgem nutre o efeito desejado. Fabio percebe o que se passa, e prepara-se para contar a Toth, mas é morto por Dobi. Quando Toth o confronta, Dobi leva Toth à condessa, mostrando-lhe a verdade. Esta chantageia Toth, dizendo que o acusará da morte de Fabio, se ele não casar com ela. Quando Dobi traz a verdadeira Ilona para ser morta, a criada Julia, que fora ama de Ilona enquanto menina, apieda-se dela e pede ajuda a Toth. Este prepara a fuga de Ilona, mas concede a casar com Elizabeth. Durante o casamento, esta envelhece a meio da cerimónia causando o choque de todos. Corre então para Ilona com uma faca na mão, mas Toth interpõe-se entre elas, sofrendo um golpe mortal. Elizabeth, Dobi e Julia são presos, aguardando enforcamento, enquanto o povo chama Elizabeth de mulher do diabo e Condessa Drácula.

Análise:
Fugindo ao gótico de sabor inglês, “A Condessa Drácula” refugia-se num exotismo do leste, com tons medievais, e na lenda da Condessa Bathory. O título é enganador, uma vez que não estamos na presença de vampirismo, mas sim das práticas sádicas de uma condessa que se banha no sangue de virgens para rejuvenescer. É aliás esse tom amoral que domina o filme, onde não se percebem complexos de culpa nem regras éticas da parte de quem apenas se quer manter jovem, e dos que a ajudam, com o simples objectivo de lhe agradar. Ingrid Pitt teve a sua voz dobrada, para não se notar o seu forte sotaque, mas ainda assim pode-se falar da sua interpretação, convencendo na forma como genuinamente se deixa apaixonar pelo jovem tenente (Sandor Elès), para o que se dispõe a usar e sacrificar todos à sua volta, incluíndo a sua filha (uma muito jovem Lesley-Anne Down). A luta não é aqui entre o vampirismo e o bem, mas sim entre a razoabilidade em que aqueles que rodeiam a Condessa se deixarão levar na protecção do seu segredo (o amante, que se deixa seduzir, mesmo levado pelos ciúmes, a velha ama dedicada, o jovem tenente que pactua para proteger a verdadeira filha da Condessa). É uma lenda trágica de um amor impossível, que obviamente acabará da pior das formas. Pela sua distância ao normal da Hammer, o filme esteve longe de ser um sucesso, sendo um dos menos memoráveis, e continuando a marcar o declínio da Hammer nos anos 70.

Produção:
Título original: Countess Dracula; Produção: Hammer Film Productions. País: Reino Unido; Pinewood Studios; Ano: 1971; Duração: 93 minutos; Distribuição: MGM; Estreia: 31 de Janeiro de 1971 (Inglaterra), 21 de Junho de 1971 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Peter Sasdy; Produção: Alexander Paal; Argumento: Jeremy Paul; História: Alexander Paal e Peter Sasdy, baseada numa ideia de Gabriel Ronap; Fotografia: Ken Talbot (filmado em Eastmancolor); Direcção Artística: Philip Harrison; Guarda-roupa: Raymond Hughes; Montagem: Henry Richardson; Supervisão Musical: Philip Martell; Coreografia: Mia Nardi; Caracterização: Tom Smith; Efeitos Especiais: Bert Luxford.

Elenco:
Ingrid Pitt (Condessa Elisabeth Nadasdy); Nigel Green (Capitão Dobi); Sandor Elès (Tenete Imre Toth); Maurice Denham (Mestre Fabio); Patience Collier (Julia), Peter Jeffrey (Capitão Balogh), Lesley-Anne Down (Ilona Nadasdy), Leon Lissek (Sargento dos guardas), Jessie Evans (Rosa, mãe de Teri), Andrea Lawrence (Zizan), Susan Brodrick (Teri), Ian Trigger (Palhaço), Nike Arrighi (Cigana); Peter May (Janco); John More (Padre); Joan Hawthorne (Segundo cozinheiro); Marianne Stone (Criada de cozinha); Charles Farrell (Vendedor); Anne Stallybrass (Mulher Grávida).

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